Marechal Deodoro (AL)
A cidade possui dois importantes registros para a história do urbanismo no Brasil: a praça de origem da vila com a forma original do período de 1611 a 1636, e os remanescentes de ajustamento topográfico da arquitetura às variações de níveis dos leitos das ruas. Várias de suas edificações religiosas se configuram como indicativos socioculturais das atividades que ali se desenvolveram ao longo dos anos, onde o casario e as edificações religiosas retratam a história da economia e das batalhas que ocorreram na região.
Nesse patrimônio destacam-se os aspectos originais dos edifícios e, principalmente, o Convento Franciscano de Santa Maria Madalena, datado de 1659. Marechal Deodoro sediou a primeira capital de Alagoas, além de ser a cidade natal do proclamador da República, o Marechal Deodoro da Fonseca, que deu nome à localidade. O Iphan, em parceira com outras isntituições, elaborou o Planejamento de Desenvolvimento Integrado da Cidade que reúne informações sobre atrativos culturais e turísticos do município.
História
Após a chegada dos portugueses ao Brasil, os franceses também começaram a se interessar pelo pau-brasil. Aportaram em uma praia onde está situada a Praia do Francês, no atual município de Marechal Deodoro, e passaram a vender madeira com a ajuda dos índios Caetés. Para defender a nova colônia, a Coroa Portuguesa dividiu o país em 15 Capitanias Hereditárias e as entregou a donatários que tinham o direito de guardá-las militarmente, fundar vilas e povoados.
Tinham a obrigação, porém, de pagar impostos à Coroa. A Capitania de Pernambuco continha o território do atual Estado de Alagoas e, com a divisão, a nova Capitania se desenvolveu com o plantio de cana-de-açúcar, o que levou ao aparecimento de muitos engenhos. O povoado que deu origem a Marechal Deodoro surgiu em fins do século XVI, em 1611, às margens da atual lagoa Manguaba, e começou a desenvolver-se na área do atual Bairro de Taperagua, uma planície em volta do rio Sumaúma e da lagoa, lugar de visão privilegiada que permitia a vigilância sobre o inimigo.Em 1630, os holandeses invadiram a Capitania de Pernambuco, mas a sesmaria de Madalena de Subaúma crescia, tendo a agricultura como principal fator de desenvolvimento. Muitos engenhos surgiam, e fabricavam e exportavam o açúcar da região. Nas cercanias da vila, extensas áreas de cultivo da cana-de-açúcar alimentavam cerca de cinco engenhos ali instalados. Com a chegada dos holandeses à vila, em 1633, a população foi torturada, cerca de 100 casas incendiadas e destruída a Igreja Matriz.
Nesse cenário, o quarto Donatário da Capitania de Pernambuco, Duarte de Albuquerque Coelho, criou a Vila de Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul, em 1636, sob a evocação de Santa Maria Madalena da Alagoa do Sul, na Sesmaria de Madalena Porto do Francês. A vila se tornou a mais desenvolvida da época e passou a abrigar a sede da Comarca de Pernambuco.
A situação econômica da recém criada capitania era destaque, principalmente de duas vilas: a de Santa Maria Madalena (atual Marechal Deodoro) e de Alagoas, atual Maceió. Em 1817, foi desmembrada da Capitania de Pernambuco e, em 1823, após as lutas para consolidar a Independência do Brasil, a recebeu foros de cidade e passou a sediar a Capital da Província. Em 1839, a capital foi transferida de Marechal Deodoro para Maceió.
O cidadão mais famoso da cidade, Manoel Deodoro da Fonseca, filho do coronel Manuel Mendes da Fonseca e pertencente a uma família de tradição militar, ingressou na Escola Militar do Rio de Janeiro em 1843, com pouco mais de 15 anos. Participou ativamente da guerra entre Brasil, Uruguai e Paraguai, voltando de lá com o título de coronel. Em 1884, foi promovido a marechal e, cinco anos após, no dia 15 de novembro de 1889, liderou a Proclamação da República.
Como primeiro Presidente da República do Brasil, permaneceu no cargo até novembro de 1891, quando, já muito doente, passou o cargo para o também alagoano marechal Floriano Peixoto. Após a renúncia de Deodoro, muitas rebeliões assolaram o país. O Congresso exigiu novas eleições para presidente, entretanto Floriano foi irredutível. Os militares fizeram diversos manifestos pela volta de Deodoro, mas sua saúde piorou e ele morreu em agosto de 1892.
Monumentos e Espaços Públicos Tombados
Convento e Igreja de São Francisco (Convento e Igreja de Santa Maria Madalena) - Atual Museu de Arte Sacra de Alagoas. Surgiu a partir de um pequeno convento fundado para 12 monges, em 1635. Com a invasão dos holandeses, os religiosos se refugiaram na Bahia e o convento ficou fechado até 1659. O atual convento foi concluído apenas em 1723. Em 1908, passou a abrigar o Orfanato São José. Com o tempo sofreu muitas modificações mas sempre com a função de culto religioso. A fachada principal é em estilo rococó e a lateral em neoclássico, em decorrência da construção ter sido realizada em etapas. O livro Convento Franciscano de Marechal Deodoro retrata alguns dos principais momentos dos 350 anos de história desse patrimônio cultural, formado pela Igreja de São Francisco, a Capela da Ordem Terceira e o Convento franiscano, onde funciona o Museu de Arte Sacra.
Casa natal do Marechal Deodoro da Fonseca - Atual Museu Marechal Deodoro da Fonseca. Casa térrea urbana onde nasceu, em 5 de agosto de 1827, o marechal Manuel Deodoro da Fonseca, que proclamou a República.
Fontes: Arquivo Noronha Santos/Iphan e IBGE

