Dossiê Temático: Patrimônios Sonoros, Acervos e Direitos à Memória

Publicado em 13/10/2026 17:11
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Nas últimas décadas, observa-se um interesse crescente e uma expansão sem precedentes nas discussões em torno dos patrimônios culturais. A literatura acadêmica recorrentemente aponta que esse fenômeno está associado a processos emergentes desde meados do século XX, tais como as reivindicações por novos contornos patrimoniais — a exemplo das ampliações territoriais, cronológicas, tipológicas e das perspectivas decoloniais (Smith, 2021; Gonçalves, 2007; Chuva, 2020).

De modo análogo, os chamados Sound Studies se consolidaram nas últimas décadas como um campo interdisciplinar interessado nas mais diversas vertentes analíticas que tomam o som como ponto de partida. Da ecologia acústica à paisagem sonora (Schafer, 2001) passando pela arqueologia das mídias (Zielinski, 2006) e os recentes debates decoloniais questionando as inclinações eurocêntricas da escuta ocidental (Gautier, 2014), o som tem sido matéria de amplos debates sobre os tensionamentos sociais, políticos e culturais.

Essa complexidade teórica reverbera diretamente nas discussões contemporâneas sobre a patrimonialização do som. Alguns autores destacam o som como memória intangível e diversa que no mundo contemporâneo demandam ações de salvaguarda em contraposição a uma homogeneização acústica (Augoyard & Tongue, 2006). Outros, sublinham os impactos causados por processos de institucionalização do som por meio de políticas públicas de cultura ou mesmo a gestão de acervos (Castagna, 2022). Há, no entanto, uma série de nuances e questões a serem enfrentadas e pesquisadas neste debate sobre a patrimonialização do som.

A proposta deste dossiê dialoga com a emergência das reflexões sobre os processos de patrimonialização de sons e coleções audíveis e seus papéis fundamentais na garantia do direito à memória, cidadania e diversidade cultural.

Interessam os debates recentes sobre a produção, circulação, salvaguarda, repatriamentos de acervos sonoros, assim como as disputas e impactos em torno dos instrumentos de chancela de diferentes instituições, a exemplo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Arquivo Nacional (AN) e de demais equipamentos de memória.

Para além disso, o dossiê também propõe uma reflexão sobre o papel dos diferentes atores sociais que atuam neste campo constituído por detentores, pesquisadores, instituições públicas e privadas, entre outras, observando de que modo tensionam o campo dos patrimônios sonoros.

De tal modo, convidamos pesquisadores de distintas áreas de conhecimento e atuação a submeterem contribuições nos seguintes eixos temáticos:

  • Epistemologias do Som e Patrimonialização: conceitos, abordagens teóricas e metodológicas nos estudos sobre sons e seus respectivos processos de patrimonialização; desafios, impactos e tensionamentos em torno dos processos de patrimonialização de coleções sonoras;
  • Coleções Fonográficas e Circuito Musical: estudos de caso e análises sobre acervos sonoros e sua relação com a vida social, mediações e circuitos culturais;
  • Políticas de Salvaguarda, Arquivo e Preservação: desafios da conservação preventiva, obsolescência de mídias analógicas/digitais, políticas de preservação  e gestão de acervos sonoros em instituições de memória;
  • Acesso, Difusão e Cultura Digital: práticas de difusão, repositórios abertos, curadoria digital e democratização do acesso a documentos sonoros;
  • Restituição, Repatriamento e Epistemologias Decoloniais: debates éticos, jurídicos e políticos em torno da posse física, repatriação simbólica e direitos de uso de registros fonográficos;
  • Direito à Memória, Identidades e Soberania Arquivística: usos do patrimônio sonoro por comunidades tradicionais, grupos subalternizados e movimentos sociais na afirmação de suas memórias e identidades;
  • Plataformização, Sistemas de Recomendação, Inteligência Artificial e Acervos Sonoros: os impactos da plataformização, da inteligência artificial e dos sistemas de recomendação de arquivos digitais nos processos de produção, disponibilização e acesso a acervos sonoros-musicais.

Organizadores: Daniel Reis (CNFCP/IPHAN), Edilberto Fonseca (Produção Cultural/UFF; Escola de Música/UFRJ), Pedro Aragão (Escola de Música/Unirio).
Data limite para envio dos trabalhos: 20/12/2026
Modalidades: Ensaio original, Artigo original, Entrevista, Memória, Resenha, Ensaio visual, Tradução, Relato de experiência, Revisão bibliográfica
Limite de manuscritos: até 15 manuscritos, com no mínimo 5 Artigos originais
Envio dos trabalhos em: Submissões

Os manuscritos devem seguir a Política Editorial e as Diretrizes para autores disponíveis no site da Revista do Patrimônio.

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