Notícias
REPARAÇÃO HISTÓRICA
Webinar debate atuação do Copmaf na preservação do patrimônio afro-brasileiro
Foto: Mariana Alves/Iphan
Colocar o patrimônio cultural de matriz africana no centro do debate institucional foi o foco da I Jornada do Patrimônio Cultural Afro-brasileiro, realizada nesta terça-feira (24/3) pelo Comitê Permanente para Preservação do Patrimônio Cultural de Matriz Africana (Copmaf), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O encontro aconteceu no auditório da Sede do Instituto, em Brasília, com transmissão ao vivo pelo canal do Iphan no YouTube.
Primeiro de uma série de encontros previstos para este ano, o webinar teve como objetivo apresentar o Copmaf, detalhando sua missão, atribuições e formas de atuação. A proposta é ampliar a articulação entre as unidades do Iphan, fortalecer a troca de experiências e consolidar diretrizes alinhadas às demandas das comunidades e territórios. A iniciativa também fez referência ao Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial e ao Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé, celebrados em 21 de março, reforçando o compromisso com a valorização da diversidade cultural e o enfrentamento ao racismo.
A abertura do evento contou com a participação do diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI), Deyvesson Gusmão; da coordenadora do Copmaf, Aretha Rodrigues; da diretora do Departamento de Articulação, Fomento e Educação (Dafe), Cejane Muniz; da diretora do Centro Nacional de Arqueologia (CNA), Alyne Rufino; da diretora do Departamento de Planejamento e Administração, Adriana Bortoli; e do coordenador-geral de Licenciamento Ambiental, Herbert Moura.
Na ocasião, Deyvesson Gusmão destacou o papel do comitê na elaboração do Protocolo de Igualdade Racial do Iphan, lançado em novembro de 2025, e na ampliação do olhar institucional sobre o patrimônio brasileiro. “Para além de uma atuação que buscamos ter, é fundamental marcar a necessidade e as possibilidades de ressignificação daqueles patrimônios em que não vemos naturalmente uma marca afro-brasileira. Que a gente consiga ver o nosso patrimônio a partir de uma perspectiva que considere a contribuição do povo preto desse país para a nossa história e a nossa memória”, afirmou ele.
Ao longo da programação, a trajetória e o papel do Comitê foram apresentados pelos membros do coletivo, Gladys Mary Sales, rnld Nogueira, Giorge Silva e Raquel Santos, além da coordenadora do Copmaf, Aretha Rodrigues. Na ocasião, foram abordados desde a articulação inicial do coletivo de servidores negros do Instituto até sua institucionalização pela Portaria nº 130/2023, bem como suas principais frentes de atuação.
O comitê se apresenta como um espaço de apoio, escuta e articulação, que pode ser acionado pelas superintendências e demais setores em demandas relacionadas ao patrimônio cultural de matriz africana, abrangendo desde processos de tombamento até a mediação de conflitos e a orientação técnica.
Para a coordenadora Aretha Rodrigues, avançar na preservação e na valorização do patrimônio cultural de matriz africana exige ações integradas e contínuas. “A reparação não é um gesto isolado, mas sim um esforço coletivo que envolve a sociedade e também o Estado. É preciso atuar de forma concreta para reparação, por meio de políticas públicas”, destacou Rodrigues.
Segundo ela, a Jornada inaugura um processo permanente de diálogo e construção coletiva dentro da instituição. “Entendemos que o movimento de organizar atividades ao longo de todo o ano se coloca como um espaço de discussão permanente, com o Copmaf se abrindo para as superintendências e outras unidades. É um momento de fortalecer esse movimento dentro da instituição, e os encontros se dão como espaços de escuta para colocar a preservação do patrimônio de matriz africana como um assunto estratégico do Iphan”, concluiu.
Mais informações
Assessoria de Comunicação Iphan - comunicacao@iphan.gov.br
Ana Carla Pereira – carla.pereira@iphan.gov.br
