Santa Tereza (RS) avança na recuperação do patrimônio cultural com apoio do Iphan
Imóveis da área tombada da cidade foram atingidos pelas enchentes que assolaram o estado em 2023 e 2024; Instituto atua na reconstrução por meio do Programa Conviver

O município de Santa Tereza, no Rio Grande do Sul, foi palco de um passo decisivo para a recuperação do patrimônio histórico. Em audiência pública realizada na cidade, na última quinta-feira (14/5), foi assinado o Termo de Cooperação entre o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS) e a Prefeitura Municipal, para a instalação de um Escritório Público de Assistência Técnica. O encontro reuniu moradores e proprietários de imóveis do conjunto urbano tombado pelo Iphan para alinhar as diretrizes de atendimento e apresentar as profissionais selecionadas para atuar no projeto.
Santa Tereza tem seu conjunto urbano reconhecido como patrimônio histórico nacional desde 2012. Com 19 imóveis prioritários localizados na área tombada e diretamente atingidos pelas enchentes que assolaram o estado em 2023 e 2024, a necessidade de um suporte técnico especializado tornou-se urgente.
Durante a audiência, técnicos do Iphan apresentaram à comunidade os processos de aprovação de projetos e obras em bens inseridos no conjunto urbano tombado. O objetivo foi garantir que proprietários de imóveis compreendam os trâmites necessários antes de iniciar qualquer intervenção, evitando irregularidades que possam comprometer tanto a integridade histórica dos imóveis quanto os próprios moradores.
O papel do Iphan neste momento é ser um parceiro presente, com o compromisso de preservar o que faz Santa Tereza única no Brasil. Cada imóvel que se reconstrói de forma adequada é uma vitória da memória coletiva.
Capacitação local e preservação de saberes tradicionais
Além da participação na audiência pública, o Iphan trabalhou em conjunto com o CAU/RS na definição do escopo de atuação do novo Escritório Público. Uma das iniciativas mais relevantes é o programa de capacitação direta das arquitetas contratadas e de outros profissionais da região, com foco em técnicas de conservação preventiva do patrimônio arquitetônico local — um conhecimento especializado que vai muito além da simples reforma convencional.
A preservação dos saberes construtivos tradicionais é uma das premissas centrais do Iphan neste processo. As técnicas históricas de construção que caracterizam a arquitetura de Santa Tereza — herança da colonização italiana que moldou a paisagem cultural da Serra Gaúcha — correm risco de desaparecer se os profissionais encarregados das obras não recebem a devida formação. O instituto se comprometeu a garantir que essas intervenções nos 19 imóveis prioritários respeitem a autenticidade histórica de cada edificação.
Programa Conviver
A iniciativa em Santa Tereza integra o Programa Conviver do Iphan, que estimula a criação de Canteiros-Modelo de Conservação em municípios com patrimônios reconhecidos pelo Iphan. O programa alia preservação material à continuidade dos saberes construtivos tradicionais, promovendo desenvolvimento local sustentável e com identidade.
A atuação do Iphan em Santa Tereza não se limita ao suporte técnico às obras. O instituto também assumiu a responsabilidade por ações de educação patrimonial junto à comunidade local, promovendo o entendimento de que a preservação do patrimônio histórico.
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