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Reunião na Superintendência do Iphan em São Paulo debate registro das rezadeiras e proteção de espaço cultural
No dia 26 de fevereiro de 2026, representantes das Rezadeiras da Paraíba estiveram na Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em São Paulo para dialogar sobre a salvaguarda de seus saberes tradicionais e a proteção da Casa do Poeta Sebastião Marinho, localizada na Rua Teixeira Leite, 263, em São Paulo. Participaram da reunião Adriana Dagma, Josefa Silva, Edinalda Lira e Hailton Marinho, irmão do poeta Sebastião Marinho, técnicos do Iphan - entre eles Marcos Monteiro Rabelo (Patrimônio Imaterial) e Kelly Cristina, mestranda da instituição - e representantes da iniciativa Baixada do Glicério Viva.
As rezadeiras atuam há cerca de 25 anos no mesmo local, onde realizam o Terço de Maio e a tradicional Queima das Flores, reunindo aproximadamente 20 mulheres migrantes da Paraíba e de outros estados do Nordeste. O espaço também abriga atividades ligadas à cultura popular nordestina e funciona como ponto de cultura e rede de apoio comunitário, especialmente entre mulheres.
A Casa foi fundada em 1989 pelo cordelista e repentista Sebastião Marinho, que criou ali a União dos Cantadores, Cordelistas, Repentistas e Apologistas do Nordeste (UCRAN). O local tornou-se referência para manifestações como o cordel e o repente, expressões já reconhecidas e protegidas pelo Iphan como patrimônio cultural do Brasil, além de abrigar atividades relacionadas ao forró e ao teatro de bonecos popular.
Durante o encontro, os participantes manifestaram preocupação com a continuidade das atividades na Casa, diante do intenso processo de verticalização imobiliária na região do Glicério, que tem resultado na demolição de imóveis antigos e na construção de edifícios de grande porte no entorno. Segundo os representantes, há receio quanto a impactos estruturais e pressões para desocupação de imóveis vizinhos, o que reforça a necessidade de medidas de proteção.
Como encaminhamentos, ficou definido que serão reunidas informações técnicas sobre o espaço e sua relevância cultural, com objetivo de avaliar possíveis medidas de proteção, inclusive junto ao Ministério Público Federal, caso se confirmem riscos concretos ao imóvel. Paralelamente, as rezadeiras irão organizar a documentação necessária para pleitear o registro do ofício das Rezadeiras da Paraíba como patrimônio cultural imaterial junto ao Iphan, com assessoria técnica da Superintendência em São Paulo. O grupo também manifestou interesse em solicitar o tombamento do imóvel.
No dia 10 de março, data de nascimento de Sebastião Marinho, será realizado o I Seminário das Rezadeiras da Paraíba – Patrimônio Cultural, iniciativa da Casa que contará com a participação de técnicos do Iphan, autoridades culturais e pesquisadores para debater instrumentos de proteção ao patrimônio material e imaterial. A programação será divulgada em breve.