ARQUEOLOGIA

Pesquisa arqueológica busca resgate do Largo do Rosário em Belo Horizonte (MG)

Além da pesquisa arqueológica, o projeto destaca o simbolismo e a importância histórica da comunidade negra na formação da cidade

Publicado em 01/03/2024 11:19Modificado em 23/07/2024 16:18
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Curral del Rey
Largo do Rosário no extinto Arraial do Curral Del Rey, atual cidade de Belo Horizonte

Na última semana, nos dias 19 e 20, a equipe do Projeto NegriCidade - projeto que busca resgatar os Territórios Negros do extinto Arraial do Curral Del Rey, atual cidade de Belo Horizonte - iniciou a busca pela localização exata do Largo do Rosário, entre as ruas dos Timbiras e dos Guajajaras, no bairro Lourdes. Utilizando tecnologia de ponta, o projeto visa não apenas a pesquisa arqueológica, mas também destacar o simbolismo e a importância histórica da comunidade negra na formação da cidade.

Composto pela Capela Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, um cemitério adjacente e uma comunidade unida pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos do Arraial do Curral Del Rey, o Largo do Rosário é considerado Patrimônio Cultural Imaterial do município e representa parte da história que foi soterrada pela construção da capital mineira.

Utilizando um Georadar (GPR), a equipe explorou uma área de 1.400m² na rua da Bahia, onde foi colocada uma placa indicativa de Patrimônio Cultural Imaterial. O arqueólogo responsável, Fernando Costa, explicou que a escolha do Georadar se deve à complexidade de realizar escavações no centro de Belo Horizonte, optando por um levantamento inicial para identificar possíveis vestígios da capela ou do cemitério do Largo do Rosário. O GPR é um dispositivo que emite uma onda que, ao atingir elementos no subsolo, gera um gráfico. Esse gráfico é posteriormente interpretado por especialistas geofísicos.

De acordo com Fernando, a primeira etapa, já realizada, foi a “Identificação e Mapeamento Geofísico Não-Interventivo do Cemitério e da Capela do Rosário dos Homens Pretos do Curral Del-Rei com utilização do GPR”. A segunda será a escavação, propriamente dita, dos locais com maior potencial arqueológico, identificados na primeira etapa. “A expectativa é que ainda restem evidências da c     apela, como alicerces, telhas, materiais associados à sua demolição, entre outros. Também há a expectativa, apesar das dificuldades, de que sejam identificados os locais de sepultamento”, afirma o arqueólogo.

Os dados coletados foram encaminhados para análise geofísica aprofundada e, se identificados os vestígios na região do Largo do Rosário, a equipe procederá com as solicitações ao Iphan de permissão para escavação. A pesquisa também visa contribuir para o estudo arqueológico de Belo Horizonte como um todo, explorando áreas com potencial histórico, como a região onde hoje se encontram o Teatro da Cidade e um estacionamento. O trabalho com o uso do Georadar é considerado inédito em Belo Horizonte e também o mais importante já realizado na capital mineira.

O coordenador do Projeto NegriCidade, Padre Mauro Luiz da Silva, enfatiza a importância simbólica desta iniciativa, resgatando parte do legado histórico da cidade construído pela Irmandade dos Homens Pretos, antes do planejamento urbano de Aarão Reis, destacando que a história apagada pela branquitude precisa ser finalmente contada. Ele ressalta a necessidade de reparar a ausência da narrativa negra na formação da cidade, proporcionando uma visão mais diversa e tolerante para as gerações futuras.

Comitê de Salvaguarda do Largo do Rosário

Na última segunda-feira (26) foi realizada a primeira reunião do Comitê de Salvaguarda do Largo do Rosário. Nesse encontro, os membros iniciaram levantamentos de informações para a construção do Plano de Salvaguarda, cujos resultados serão apresentados ao Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte em novembro, contribuindo para a definição de ações de curto, médio e longo prazos que assegurem a preservação e valorização do Largo do Rosário.

No dia 24 de janeiro, foi publicada no Diário Oficial do Município uma portaria conjunta, estabelecendo o Comitê de Salvaguarda do Largo do Rosário, composto por 18 membros representando diversas instituições do poder público, entre elas a Fundação Municipal de Cultura e o Iphan, além de representantes da sociedade civil e lideranças sociais e religiosas, como a Rainha Belinha e a Makota Kizandembu. O comitê, com mandato até 2025, tem como principal responsabilidade elaborar, em um prazo de 12 meses, o Plano de Salvaguarda do Largo do Rosário. Entre as atribuições do Comitê estão o planejamento, proposição, orientação e avaliação de ações para a proteção, divulgação e salvaguarda do local, bem como o apoio a atividades educativas e de difusão.

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Cultura, Artes, História e Esportes
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