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Pescadores de Laguna (SC) recebem certificados de Detentores do Patrimônio Cultural

Evento contou ainda com exibição do filme “Pesca com botos no Sul do Brasil” e roda de conversa sobre ações de salvaguarda 

Publicado em 26/05/2026 15:58Modificado há 3 dias
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Foto: Mariana Alves/Iphan.
Foto: Mariana Alves/Iphan.

Na tarde do último sábado, 23 de maio, em Laguna (SC), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) prestou homenagem aos praticantes da Pesca com Botos no Sul do Brasil. Às margens da praia do Mar Grosso (um dos locais onde ocorre essa forma de pesca), certificados de Detentores do Patrimônio Cultural do Brasil foram entregues a um grupo de pescadores locais, considerados detentores deste saber, que foi registrado como Patrimônio Cultural do país na última reunião do Conselho Consultivo do Iphan, em 11 de março deste ano. O evento contou ainda com uma roda de conversa sobre ações de salvaguarda desse bem cultural e com a exibição do documentário “Pesca com botos no Sul do Brasil”.

Roda de conversa na sede do Iphan em Laguna (SC)
Roda de conversa no e.scritório técnico do Iphan em SC. Foro: Mariana Alves/Iphan

As atividades iniciaram no Escritório Técnico do Iphan em Laguna, onde o presidente do Instituto, Deyvesson Gusmão, e a diretora do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI), Marina Lacerda, esclareceram dúvidas de autoridades e detentores sobre o que ocorre após o registro de um bem imaterial como Patrimônio Cultural.

Delcídio Oliveira, representante dos pescadores, celebrou a conquista do registro, mas demonstrou preocupação com a continuidade do bem, em especial, devido às questões ambientais. “A falta de respeito com a natureza pode colocar em risco a tradição desse tipo de pesca. Cada vez que um boto sofre ou perde a vida devido a práticas predatórias, a gente sofre muito. A gente conhece os botos pelos nomes , são como parte da família”, disse Delcídio.

Para minimizar esses riscos, o Iphan promove, após o registro de um bem, uma série de ações de salvaguarda. O presidente do Iphan salienta que essas ações devem ser construídas junto a outras instâncias governamentais e à sociedade. “Quando o Instituto reconhece um bem, precisamos pensar juntos em um plano de salvaguarda que garanta a perpetuação desses saberes. E não podemos fazer isso sozinhos: detentores, governo do estado e prefeituras precisam ser nossos parceiros”, enfatizou.

A diretora do DPI também salientou o caráter sistêmico da construção do plano de salvaguarda. “Precisamos ouvir a comunidade. O processo de registro da pesca com botos foi disruptivo, inédito”, detalhou.

Já a superintendente do Iphan em Santa Catarina, Regina Santiago, também lembrou que o plano de salvaguarda precisa gerar ganhos para a comunidade local: “Vamos nos inspirar na relação de colaboração que deu origem a este bem, para que a pesca continue no futuro, valorizando também o turismo e trazendo garantias para a comunidade local”.

Após a roda de conversa, os presentes se reuniram na praia do Mar Grosso para assistir ao documentário “Pesca com botos no Sul do Brasil”, produzido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e para receber o título de detentores. A atividade aconteceu em meio à própria prática da pesca, com os botos indicando a localização de cardumes e os pescadores jogando suas tarrafas.

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