EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

Parceria entre Iphan e MCTI une patrimônio cultural e tecnologia em Alcântara (MA)

Projeto "Entre Ruínas e Estrelas: Educação Patrimonial e Inovação em Alcântara" mostra que desenvolvimento tecnológico pode caminhar lado a lado com a valorização da memória e da identidade das populações locais

Publicado em 16/04/2026 16:37
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Foto: Alexandre Burity/Iphan.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) estão desenvolvendo o projeto “Entre Ruínas e Estrelas: Educação Patrimonial e Inovação em Alcântara”, com o objetivo de articular preservação cultural e arqueológica com as atividades do setor aeroespacial. A proposta é viabilizada por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED) de R$ 259.306,35, assinado pelas instituições em março, e busca atender às condicionantes legais do antigo empreendimento da Alcântara Cyclone Space.

Alcântara apresenta uma paisagem curiosa, pois reúne, no mesmo município, um Conjunto Arquitetônico e Urbanístico datado do século 17 - tombado pelo Iphan em 1948 - e um espaçoporto da Agência Espacial Brasileira, o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Assim, a iniciativa representa um avanço na integração entre ciência, tecnologia e patrimônio cultural, evidenciando que o desenvolvimento tecnológico pode, e deve, caminhar lado a lado com a valorização da memória e da identidade das populações locais.

O projeto contempla ações voltadas à identificação, proteção e difusão de dois importantes sítios arqueológicos da região: o Pepital e o Peru. Nesses locais, foram identificados materiais de diferentes períodos históricos, incluindo vestígios pré-coloniais, como cerâmicas e materiais líticos, além de elementos associados à presença africana no Maranhão.

Entre as atividades já realizadas, destacam-se visitas técnicas da equipe técnica da Superintendência do Iphan no Maranhão ao Centro de Lançamento de Alcântara, a instalação de placas de identificação nos sítios arqueológicos situados dentro da área do CLA e a promoção de escutas participativas com as comunidades locais. Essas escutas subsidiarão a construção de um curso de formação de agentes multiplicadores do patrimônio cultural, fortalecendo o protagonismo comunitário e incentivando o desenvolvimento sustentável da região.

Ainda no primeiro semestre, serão realizadas duas oficinas sobre Preservação do Patrimônio Cultural em escolas do município, com foco na sensibilização de estudantes e educadores. Já no segundo semestre, será promovido o Curso de Formação de Multiplicadores em Preservação do Patrimônio Cultural de Alcântara, aberto à comunidade local, especialmente aos detentores de saberes e práticas tradicionais. 

A coordenadora do projeto, a arqueóloga do Iphan no Maranhão, Mariana Zanchetta Otaviano, destacou que essas parcerias geram resultados concretos, pois há duas pastas (MinC e MCTI) trabalhando juntos em prol da promoção do patrimônio cultural. “Isso é importante, porque desperta em Alcântara o potencial para o turismo e para a valorização de produtos e saberes das comunidades. Patrimônio cultural não é sinônimo de atraso, mas pode ser um vetor de futuro.” explica.

O superintendente substituto do Iphan no Maranhão, Raphael Pestana, também ressaltou a relevância estratégica da iniciativa para o município. “Mais do que conservar o passado, estamos criando condições para que o patrimônio cultural seja também um vetor de desenvolvimento sustentável, gerando oportunidades por meio do turismo, da educação e do empreendedorismo, sempre em diálogo com a população e respeitando suas tradições”, destacou.

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