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PATRIMÔNIO MUNDIAL
Missões Jesuíticas Guaranis: 4 ações que celebram 400 anos de história
Foto: Victor Hugo Mori/Iphan.
O ano de 2026 marca o aniversário de 400 anos de um projeto que ajudou a forjar parte da história brasileira: as Missões Jesuíticas dos Guarani. Elas foram criadas pelos jesuítas ao longo dos séculos 17 e 18, em seu empenho de colonização dos territórios no Sul do Brasil, na Argentina e no Paraguai. Entre as ruínas e conjuntos arquitetônicos remanescentes desse episódio marcante da história da região, estão os sítios de São Nicolau, São João Batista, São Lourenço Mártir e São Miguel Arcanjo, Todos tombados em nível federal. São Miguel Arcanjo, por sua vez, foi declarado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio Mundial Cultural, em 1983, devido ao seu "valor universal excepcional".
Além disso, devido à sua importância para a história e a cultura do povo Guarani-Mbyá, em 2014 o local foi registrado pelo Iphan como Patrimônio Cultural do Brasil, no Livro de Registro de Lugares, como “Tava – Lugar de Referência para o Povo Guarani”. Ao contrário do tombamento, voltado para bens materiais, o registro é um instrumento legal de preservação, reconhecimento e valorização do patrimônio imaterial do Brasil, composto por bens que podem ser inscritos em um de quatro Livros de Registro, de acordo com a categoria correspondente: celebrações; lugares; formas de expressão; e saberes.
Para os guaranis, as tavas, ou “casas de pedra”, representam os valores fundamentais do modo de vida Guarani. As ruínas em São Miguel das Missões constituem um lugar de relação entre os guaranis contemporâneos e seus ancestrais, de aproximação com suas divindades, em busca da Yvy marãey, a morada dos imperecíveis. Em 2018, a Tava foi reconhecida também como Patrimônio Cultural do Mercosul.
Assim, para preservar a memória, a história e o valor simbólico do lugar, o Iphan vem desenvolvendo nos últimos anos um conjunto de ações de proteção, conservação e salvaguarda desse bem cultural que completa quatro séculos de existência. Conheça, abaixo, algumas delas:
1. Educação patrimonial: “A gente só preserva aquilo que conhece”
Por meio de seu escritório técnico em São Miguel das Missões, o Iphan tem buscado parcerias com instituições públicas e privadas para promover atividades de educação patrimonial que ajudem a sensibilizar a população para o valor sócio-histórico das referências culturais do lugar e para a importância de sua preservação.
Fruto de uma dessas atividades é o livro A Chave de São Nicolau, de autoria do arqueólogo e chefe do escritório técnico, Filipe Pompeu. A ideia é levar a história das Missões, de forma lúdica, às crianças. A obra pode ser acessada gratuitamente por este link. Além disso, Filipi também visita escolas do município e região para dar palestras aos alunos sobre o bem cultural.
Outra inciativa recente foi o projeto “Sinalização Turística do Patrimônio Mundial no Brasil”, que instalou, no município de São Miguel, 41 placas indicativas e interpretativas, além de um totem, com conteúdos acessíveis por QR codes. O objetivo foi facilitar o acesso dos visitantes para informações sobre os principais atrativos culturais e históricos da cidade. O projeto contou com o apoio do Iphan e da Unesco, tendo sido realizado pela Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM), com patrocínio da Vale e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), através da Lei Rouanet.
Para o presidente do Iphan, Leandro Grass, a atual gestão do órgão Iphan é marcada pela preocupação em popularizar, difundir e divulgar o conhecimento e as informações sobre o patrimônio cultural brasileiro. "Apostamos em novas bases e plataformas, principalmente voltadas à educação patrimonial, porque a gente só preserva aquilo que conhece”, declara.
2. Investimentos via Novo PAC
Por meio do Novo PAC, do Governo Federal, o Iphan está destinando mais de R$ 771 milhões para a execução de 249 ações, abrangendo projetos e obras de preservação do patrimônio cultural, em todo o Brasil. E, entre os contemplados pelo programa, está o Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo. No local, o Iphan investiu, via Novo PAC, cerca de R$ 3 milhões nas seguintes obras e projetos:
* Requalificação urbanística do entorno do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo (RS), que contou com aporte de R$ 2.625.645,16. A obra foi entregue em dezembro de 2023.
* Restauro das Edificações do Centro Cultural do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, cujo projeto executivo no valor de R$ 300.000,00 está em execução. Seu término está previsto para este ano.
Para Rafael Passos, superintendente do Iphan no RS, esses investimentos além de fomentarem o turismo, também melhoraram a estrutura urbana para população local. “Retomamos essa requalificação que ficou parada no governo passado, mas, de 2023 para cá, conseguimos entregar essas melhorias” destaca.
3. Programa Conviver: canteiro-modelo de conservação
Intitulado “Os Saberes das Missões”, um dos canteiros-modelo de conservação que o Iphan tem implementado por todo o Brasil, no âmbito do Programa Conviver, é específico sobre sítios remanescentes das missões jesuíticas no Rio Grande do Sul. Resultado da parceria entre a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e o Iphan, o projeto está presente nos municípios de São Miguel das Missões, São Nicolau, São Luiz Gonzaga e Entre-Ijuís, onde se localizam os sítios de São Miguel Arcanjo, São Nicolau, São Lourenço Mártir e São João Batista, respectivamente.
Os canteiros-modelo do Programa Conviver se baseiam numa experiência de diálogo e troca de aprendizados entre Iphan, universidade e comunidade local, integrando história e inovações tecnológicas para a conservação e a promoção do patrimônio cultural.
Contratado em dezembro de 2023, o canteiro das Missões visa à formação de novos artífices para as obras de conservação e consolidação das ruínas e à difusão do conhecimento sobre o patrimônio missioneiro. Busca mobilizar as pessoas do entorno imediato sítios, entendendo a preservação como prática coletiva, unindo saberes tradicionais, conhecimento técnico e participação social.
Cerca de R$ 850 mil já foram investidos no canteiro-modelo de conservação das Missões Jesuíticas em ações que incluem formação de mão de obra local para atuar na conservação das ruínas, atividade cotidiana e muitas vezes invisível, pois mantém as condições de preservação dos sítios.
4. Preservação linguística: o Guarani M'bya
É uma das três variedades modernas da Língua Guarani, da família Tupi-Guarani, falada pelos nativos quando da chegada dos jesuítas em São Miguel. Foi incluída pelo Iphan no Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL). Isso significa que ela passa a ter reconhecimento oficial e ações de salvaguarda para a sua preservação e valorização.
Além disso, o Iphan e Ministério dos Povos Indígenas (MPI) vem trabalhando para a cooficialização da língua no município. Isso significa a equiparação da língua ao português e o uso da língua local em documentos públicos, ensino e serviços.
O Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) é um instrumento desenvolvido pelo Iphan para produção de conhecimento e documentação acerca dos bens e práticas sociais que constituem patrimônio cultural dos diversos grupos formadores da Nação. Tem como pressuposto a definição de que o patrimônio cultural de um grupo não consiste em uma atividade essencialmente técnica de pesquisadores ou gestores da política de patrimônio, mas que o processo seletivo que reconhece e confere valores e significados diferenciados a determinados aspectos culturais, em detrimentos de outros, pressupõe a interpretação da cultura por seus próprios detentores.
Celebrações
Ao longo do ano de 2026, mais de 100 atividades celebram os 400 anos das Missões Jesuíticas Guaranis. A programação completa inclui mostras de cinema, concertos, exposições, seminários nacionais e internacionais, relançamento de obras literárias icônicas, atividades de educação patrimonial, festivais, circuitos turísticos e eventos comunitários. Saiba mais aqui.
O evento é organizado pela Comissão Oficial dos 400 Anos das Missões Jesuíticas Guaranis, coordenada pela Secretaria da Cultura (Sedac) do Rio Grande do Sul. O Iphan participa do grupo, composto também por representantes da sociedade civil, prefeituras, universidades e instituições de ensino, entre outras entidades. Seus integrantes foram designados pelas portarias 77/2025 e 90/2025, da Sedac.
Rafael destaca a importância dessas parcerias: “A articulação com a sociedade civil, com estado e município para a gestão desses locais que tem uma grande relevância cultural e são a base do turismo na região das Missões é fundamental para a salvaguarda do local”.
Mais informações
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