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Livro reúne ações e projetos de 41 cidades gaúchas para preservar a língua Talian
Foto: Acervo/Iphan
Foi lançado na última terça-feira (24/02) o livro “Nos 150 anos da imigração, um esforço para salvar a Língua Talian”. A obra, que integra as comemorações do sesquicentenário da imigração italiana no Rio Grande do Sul, reúne diagnósticos, planos locais de salvaguarda e reflexões dos relatórios elaborados por 41 municípios da Serra Gaúcha (RS) ao longo de 2025, após o levantamento de mais de 500 iniciativas que demonstram a presença do idioma na região.
O lançamento ocorreu durante a Festa da Uva de Caxias do Sul (RS) e reuniu gestores culturais, educadores, pesquisadores, lideranças comunitárias e representantes das comunidades ítalo-brasileiras de toda a região. A publicação foi distribuída para cada município participante e está disponível, também, em formato digital, neste link.
Um trabalho coletivo em defesa de uma língua viva
O livro é fruto do esforço conjunto realizado ao longo do segundo semestre de 2025, quando o projeto “Nos 150 anos da imigração, um esforço para salvar a Língua Talian” foi executado pela Associação Cultural Miseri Coloni e o Grupo Musical Girotondo, em parceria com o Escritório Técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Antônio Prado (RS).
Durante o processo, foram realizados encontros de trabalho e assembleias regionais nos campi da Universidade de Caxias do Sul (UCS), em Caxias do Sul, Guaporé e Nova Prata (RS). Cada município participante elaborou seu relatório de ações, projetos e perspectivas sobre a salvaguarda da língua.
Além do registro histórico, o livro é apresentado como um instrumento de articulação regional para a continuidade das ações de preservação do Talian e suas práticas culturais.
O projeto contou com o apoio da Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste (Amesne), da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul (Sedac-RS), do Iphan e da Federação de Entidades Ítalo-Brasileiras (Fibra), além da UCS.
História do Talian
O Talian nasceu em 1875, quando imigrantes de várias regiões do Norte da Itália chegaram ao Brasil. As diferentes formas de falar foram se misturando naturalmente, incorporando também palavras do português que foram italianizadas. Durante 70 anos, foi a única língua falada nas regiões de colonização italiana no Sul do Brasil.
Em 1941, proibiu-se o uso do Talian sob pena de prisão. Nas cidades a repressão foi eficaz, mas nas colônias a língua continuou existindo. O estigma, porém, fez os colonos sentirem vergonha do idioma que falavam.
Entre as décadas de 1970 e 1990, um movimento de redescoberta e revalorização surgiu entre os jovens, e dicionários, gramáticas, livros, teatros e programas de rádio em Talian começaram a aparecer. Em 2010, a língua foi incluída pelo Iphan no Inventário Nacional da Diversidade Linguística e, em 2014, o Iphan concedeu-lhe o Certificado de Referência Cultural Brasileira.
Atualmente, 30 municípios do Rio Grande do Sul e quatro de Santa Catarina definem o Talian como língua co-oficial. Porém, uma pesquisa da Amesne e da Sedac-RS revelou que o idioma é preservado entre os mais velhos, mas se perde entre os mais jovens.
A língua representa importante elemento da identidade cultural da região, gerando emprego e renda pelo turismo. Mais que preservar um idioma, o projeto fortalece vínculos e inspira a continuidade de uma herança cultural viva e relevante para futuras gerações. O livro é uma das ações da iniciativa, que também criou o Conselho Consultivo responsável por orientar a implementação do plano de salvaguarda do Talian na Serra Gaúcha a longo prazo.
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