Iphan vistoria sítios arqueológicos em cavernas do Rio Grande do Norte (RN)
Ação teve parceria com prefeituras da região, Governo do Estado e ICMBio

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do Centro Nacional de Arqueologia (CNA), realizou nos dias 26 e 27 de maio uma missão técnica em sítios arqueológicos localizados nos municípios de Martins e Baraúna, no Rio Grande do Norte. A atividade foi desenvolvida em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema/RN).
A ação teve como objetivo avaliar medidas de preservação, pesquisa e uso público de importantes sítios arqueológicos situados em áreas de cavernas e formações calcárias do estado. A iniciativa também fortalece a cooperação entre instituições responsáveis pela proteção do patrimônio cultural e ambiental brasileiro.

A missão integra as ações da Rota das CaveRNas, projeto desenvolvido pelo ICMBio/Cecav em parceria com prefeituras da região, Governo do Estado e Sebrae-RN. A proposta busca incentivar a conservação, a pesquisa científica, o turismo sustentável e a valorização dos patrimônios natural, arqueológico, espeleológico e cultural existentes nas áreas cársticas potiguares.
Vistorias
Durante a atividade, os técnicos visitaram os sítios arqueológicos Casa de Pedra, no município de Martins, e Abrigo do Letreiro e Lajedo em Pé, localizados no município de Baraúna, dentro do Parque Nacional da Furna Feia. As vistorias permitiram avaliar as condições de preservação dos locais e discutir estratégias para seu uso sustentável.
No sítio Casa de Pedra, no Monumento Natural Estadual Cavernas de Martins, a equipe analisou medidas voltadas à organização da visitação turística já existente. O objetivo é garantir que o acesso do público ocorra de forma compatível com a preservação do patrimônio arqueológico, das cavernas e das características geológicas da região.
O local possui grande importância científica. Pesquisas arqueológicas realizadas desde a década de 1980 identificaram centenas de vestígios associados à presença de povos indígenas pré-coloniais, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a ocupação humana no interior do Nordeste brasileiro.
Já no sítio Abrigo do Letreiro, conhecido por abrigar pinturas rupestres ligadas à Tradição Agreste, a equipe técnica avaliou projetos de acessibilidade e protocolos de visitação. Entre as alternativas estudadas estão passarelas de baixo impacto, planejadas para evitar danos aos depósitos arqueológicos preservados no interior da cavidade.

Também foram discutidas medidas de proteção dos painéis rupestres. Entre elas estão o estabelecimento de distâncias seguras entre visitantes e as pinturas, além da proibição do uso de flashes fotográficos, prática que pode contribuir para a degradação gradual das imagens ao longo do tempo.
Outro destaque da missão foi a vistoria ao sítio arqueológico Lajedo em Pé. O local chama a atenção por sua configuração incomum, formada por grandes lajes de calcário posicionadas verticalmente em fendas naturais de um afloramento rochoso da Formação Jandaíra.
A singularidade do sítio tem despertado interesse da comunidade científica. Uma das hipóteses em estudo é a possibilidade de intervenções humanas antigas relacionadas à disposição das estruturas, o que poderá ser investigado em pesquisas futuras.
Durante a visita, foram realizados procedimentos de caracterização, georreferenciamento e cadastramento do sítio Lajedo em Pé. No Abrigo do Letreiro também foram feitas atualizações cadastrais e elaboradas recomendações preliminares para adoção de medidas emergenciais de preservação e conservação.
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