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Iphan promove oficina para fortalecer a proteção do patrimônio cultural de matriz africana no Pará

Encontro resultou na criação de um Grupo de Trabalho com Baianas do Acarajé, lideranças de terreiros e representantes do poder público

Publicado em 30/04/2026 16:30
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Foto: Iphan

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou, na última terça-feira (28), uma oficina de trabalho no Teatro Estação Gasômetro, em Belém, voltada à salvaguarda e à proteção do patrimônio cultural de matriz africana no estado do Pará. O evento reuniu baianas de acarajé, lideranças de terreiros, detentores do saber e representantes de secretarias municipais de Igualdade Racial e da Mulher de diversos municípios paraenses. 

A iniciativa partiu de demanda das próprias comunidades. A Superintendência do Iphan no Pará foi procurada pela Associação Nacional das Baianas de Acarajé (Abam) e pela Rede Matriarcas, que solicitaram a construção conjunta de um trabalho técnico voltado às suas especificidades culturais e às garantias legais de proteção. A resposta institucional se materializou na oficina, estruturada em dois grandes blocos ao longo do dia. 

Durante a manhã, a programação foi aberta com a participação de lideranças religiosas e incluiu a apresentação da Política de Salvaguarda do Iphan voltada especificamente ao Ofício das Baianas de Acarajé. O período também serviu para contextualizar o histórico do bem: inscrito no Livro de Registro dos Saberes desde 2004, o ofício teve seu alcance territorial ampliado em 2005, passando a ser reconhecido como patrimônio de todo o território nacional. 

À tarde, o foco se voltou ao processo administrativo de tombamento de terreiros. Técnicos do Iphan explicaram as etapas do processo e abriram espaço para a escuta ativa das comunidades, coletando experiências, relatos e dúvidas sobre como encaminhar formalmente as solicitações de proteção.  

Como resultado do encontro, foi anunciada a criação de um Grupo de Trabalho (GT) dedicado à cultura de matrizes africanas, com o objetivo de formalizar a produção de um plano de salvaguarda para os bens identificados. O Iphan também se comprometeu a realizar visitas técnicas nas regiões dos terreiros para ampliar o diálogo com filhos e filhas de santo, diretamente em seus territórios. As próximas etapas previstas incluem a formalização do GT e o início das reuniões para dar andamento concreto aos processos de tombamento e salvaguarda identificados durante a oficina.

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