Iphan participa da Festa Raiar da Liberdade, em Cachoeiro de Itapemirim (ES)
Equipe técnica do Instituto apresentou a Portaria nº 135/2023

Tradição, resistência e celebração da cultura afro-brasileira marcaram a 138ª edição da Festa Raiar da Liberdade, realizada no dia 16 de maio, no Quilombo Monte Alegre, em Cachoeiro de Itapemirim (ES). O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) participou da programação, que há mais de um século relembra a abolição da escravatura sob a perspectiva da resistência negra e da valorização das comunidades quilombolas.
Conduzido há mais de 60 anos pela mestra de caxambu Maria Laurinda Adão, o evento reúne grupos do patrimônio imaterial sul-capixaba, lideranças comunitárias, pesquisadores e visitantes em torno de manifestações culturais, rodas de conversa e reflexões sobre ancestralidade, memória e direitos da população negra.
Um dos destaques desta edição foi a roda de conversa “13 de maio: abolição inacabada, racismo estrutural e religioso”, mediada pela professora e escritora Luciene Carla Francelino. Representando o Iphan, o historiador e técnico do Instituto Filipe Oliveira falou sobre a importância dos quilombos como Patrimônio Cultural Brasileiro e destacou a Portaria Iphan nº 135/2023, que dispõe sobre a regulamentação do procedimento para a declaração do tombamento de documentos e sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos

"Ao ecoar os tambores da festa, evocam-se reivindicações de reparação, justiça e memória no pós-abolição. Em 2024, o Raiar foi reconhecido como patrimônio imaterial do estado e no próximo ano, a festividade será o tema da escola de samba Unidos da Piedade, no carnaval de Vitória, mostrando que a celebração é um ícone da resistência capixaba à escravidão no Espírito Santo", avaliou o historiador e técnico do Iphan, Filipe Oliveira.
A programação também contou com uma missa afro celebrada pela Pastoral Afro da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, além de apresentações de grupos de folia de reis, capoeira, jongo, charola de São Sebastião, boi pintadinho e caxambu.
Outro momento tradicional foi a feijoada comunitária, preparada pelos próprios moradores do quilombo, prática carregada de significado histórico e cultural para a população negra. As atividades reforçaram o espírito coletivo do evento e fortaleceram os laços entre memória, território e identidade cultural.
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