Iphan participa da criação do Programa de Rotas e Itinerários Culturais Ibero-americanos
A iniciativa internacional é coordenada pela Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI)

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) participou, nos dias 4 e 5 de junho de 2026, em Huelva, Espanha, das atividades de criação do Programa de Rotas e Itinerários Culturais Ibero-americanos (PRICI), iniciativa internacional coordenada pela Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). O encontro reuniu representantes governamentais e especialistas dos países ibero-americanos para discutir mecanismos de cooperação voltados à valorização do patrimônio cultural e ao desenvolvimento sustentável.
O PRICI tem como objetivo fortalecer a cooperação cultural entre os países da região por meio do reconhecimento, da valorização e da futura certificação de rotas e itinerários culturais, promovendo a integração entre patrimônio cultural, turismo sustentável, educação, inovação e desenvolvimento territorial. Em elaboração desde 2018 e inspirado no Programa de Itinerários Culturais do Conselho da Europa, o programa recebeu mandato formal da XXII Conferência Ibero-americana de Ministras e Ministros da Cultura, em 2025, e propõe a construção de um modelo regional de governança, com critérios técnicos e indicadores de sustentabilidade destinados a apoiar iniciativas relacionadas ao patrimônio cultural material, imaterial e natural.
Como marco desse processo, o dia 4 de junho registrou a assinatura do Documento de Constituição e Funcionamento do PRICI, além da subscrição da declaração final da reunião, consolidando formalmente a estrutura de governança e os compromissos institucionais dos países participantes. O documento funciona como um estatuto internacional do programa, estabelecendo quem participa, como são tomadas as decisões e quais critérios deverão ser utilizados para reconhecer e certificar rotas culturais ibero-americanas.
Rotas e Itinerários Culturais
No âmbito da consulta promovida pela OEI junto aos países ibero-americanos, o Brasil apresentou rotas culturais já consolidadas e iniciativas em desenvolvimento, evidenciando a diversidade e a riqueza do patrimônio cultural nacional. É importante ressaltar que uma rota cultural não é apenas um roteiro turístico. Ela deve representar um processo histórico ou cultural compartilhado e possuir mecanismos de gestão e cooperação capazes de gerar benefícios culturais, sociais, econômicos e ambientais.

Entre as iniciativas destacadas, estão experiências que articulam patrimônio cultural, territórios e modos de vida, com participação das comunidades e conexão com políticas públicas, como as desenvolvidas no âmbito do Programa Rotas Negras, voltado à valorização do patrimônio afro-brasileiro. No campo da promoção internacional, também foi mencionado o Programa Novas Rotas, com destaque para a Rota do Recôncavo Baiano, que integra cultura, gastronomia, religiosidade e tradições ancestrais.
Além disso, foram apresentadas rotas associadas a diferentes contextos territoriais, como a Rota Amazônica e a trajetória de Chico Mendes, que conectam memória, meio ambiente e modos de vida na região amazônica, bem como iniciativas no Nordeste, como Cidade Mãe de Sergipe e Delícias da Terra, e experiências vinculadas a dinâmicas comunitárias, como as rotas do Jalapão, do Capim Dourado e da Serra da Capivara, que articulam patrimônio cultural e natural.
Educação patrimonial no debate internacional
A participação brasileira ocorreu na manhã do dia 5 de junho, durante a mesa "Presentaciones: Rutas e Itinerarios Culturales Iberoamericanos". O Iphan foi representado pela diretora do Departamento de Articulação, Fomento e Educação (Dafe), Cejane Pacini, que apresentou experiências e perspectivas brasileiras sobre o tema "Patrimônio cultural, educação e rotas culturais".
Segundo a diretora, a participação social e o protagonismo das comunidades são elementos fundamentais para a construção de políticas de patrimônio cultural mais efetivas e inclusivas. "A reconhecida experiência brasileira em inventários participativos, salvaguarda do patrimônio cultural imaterial e educação patrimonial demonstra a relevância da atuação conjunta entre poder público e sociedade civil", afirmou. Cejane Pacini também destacou os esforços do Iphan para aperfeiçoar a governança do setor e aprimorar a produção e a integração de informações e indicadores, em alinhamento com as diretrizes do PRICI.
A inserção do Brasil no PRICI representa uma oportunidade estratégica para ampliar a cooperação cultural regional, fortalecer a projeção internacional do patrimônio cultural brasileiro e fomentar políticas públicas integradas nas áreas de cultura, turismo e desenvolvimento sustentável. Além disso, possibilita o intercâmbio de conhecimentos, metodologias e boas práticas voltadas à gestão, governança e promoção de rotas e itinerários culturais em âmbito internacional.
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