PATRIMÔNIO IMATERIAL

Iphan firma parceria para registro de batuques das comunidades negras e quilombolas do interior do Piauí

Cooperação com a UFPI irá produzir pesquisa e materiais de subsídio para o novo registro

Publicado em 22/02/2024 12:26Modificado em 05/04/2024 17:38
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Os batuques são considerados formas de resistência e manifestam a identidade e religiosidade de comunidades de diversos locais do Piauí. (Fotos: Tina Coelho/Acervo Iphan
Os batuques manifestam a identidade e religiosidadde diversas comunidades do Piauí. (Fotos: Tina Coelho/Acervo Iphan)

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) firmou um Termo de Execução Descentralizada (TED) com a Universidade Federal do Piauí (UFPI) com o objetivo de produzir pesquisa, dossiê e vídeo documentário para subsidiar o registro dos batuques das comunidades negras e quilombolas do interior do Piauí como Patrimônio Cultural do Brasil. 

O TED foi firmado em outubro de 2023, com aporte total de R$ 300 mil. Um grupo multidisciplinar de professores da universidade, formado por antropólogos, etnomusicólogos e historiadores, irá iniciar em março pesquisa etnográfica com trabalho de campo, levantamento de documentação, registro audiovisual e produção de relatórios.  

Também integrarão a equipe pesquisadores locais de cada uma das seis comunidades quilombolas envolvidas no projeto: Mimbó, em Amarante do Piauí; Volta do Campo Grande e Salinas, em Campinas do Piauí; Curral Velho, em São João do Piauí; Brejão dos Aipins, em Redenção do Gurguéia; e Custaneira, em Paquetá do Piauí.   

Histórico 

Hoje, os batuques são considerados um bem de referência cultural e de afirmação da identidade, inseridos dentro da concepção de patrimônio imaterial, recriados e atualizados por seus praticantes ao longo do tempo, por meio da memória e da oralidade. 

O pedido de registro dos batuques, de 2017, tem como base os trabalhos para a inclusão das comunidades quilombolas do Piauí no Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), instrumento metodológico para a identificação e documentação de bens culturais. Os trabalhos foram realizados entre 2007 e 2012, com o apoio da Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Piauí (CECOQ) e das comunidades quilombolas.  

Os batuques 

Desde o século XIX, há relatos de batuques e de festas negras no Piauí, considerados formas de resistência cotidianas e uma importante forma de manifestação da identidade cultural e da religiosidade de grupos e comunidades situadas em vários locais do território piauiense.   

Os diferentes batuques, como o Samba de Cumbuca, o Batuco, a Lezeira e o Pagode, são manifestações festivas em que, por meio de versos, improvisos, melodias, instrumentos de percussão, viola, dança e, por vezes, performances cênicas, representam o mundo em que vivem essas comunidades, suas subjetividades, identidades, modos de vida, e como celebram e festejam as tradições passadas de geração para geração.  

O caráter performático das formas culturais negras quilombolas possui um significado mais amplo como a dramaturgia, a enunciação e o gestual e se configura a partir de origens complexas e múltiplas com referência às formas culturais africanas e crioulas. 

Conheça os diferentes batuques das comunidades negras e quilombolas do interior do Piauí, registrados em documentários: 

Quilombo Volta: Lá vem a barra do dia! 

Quilombo Salinas: "Cumbuca de Quilombo" 

O pagode do Quilombo Mimbó (Documentário) 

Quilombos Custaneira e Tronco: LEZEIRA 

Batuco do Quilombo Curral Velho: Cabeça de Bale 

Quilombo Brejão dos Aipins: Batuque dos Reis 

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