PROGRAMA CONVIVER

Iphan e MinC lançam Programa Conviver em Paranaguá (PR)

Programa recebeu mais de R$ 878,3 mil, via emendas parlamentares, para implementar canteiro-modelo de conservação no centro histórico da cidade

Publicado em 18/06/2026 10:56Modificado há 4 dias
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Centro histórico de PAranguá.
Foto: Mari Alves/Iphan.

Na manhã desta quarta-feira (17), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Ministério da Cultura (MinC) lançaram oficialmente o Programa Conviver no município de Paranaguá (PR). Focado em cidades e sítios históricos pelo Brasil, o Conviver articula parcerias com universidades e institutos federais para implementar projetos de extensão nos quais professores e alunos trocam conhecimentos com moradores de conjuntos urbanos tombados – em sua maioria, famílias de baixa renda – para oferecer assistência técnica gratuita para a conservação de seus imóveis, priorizando saberes e técnicas construtivas tradicionais. São os chamados canteiros-modelo de conservação, por meio dos quais o Iphan busca se aproximar da população que convive diariamente com o patrimônio cultural brasileiro e ajuda a formar novos profissionais com um olhar de valorização da história e cultura nacionais.

Em Paranaguá, no litoral paranaense, o Conviver foi implementado em parceria com o Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e viabilizado por meio de emendas parlamentares no valor de R$ 878.370,00.

O anúncio do programa aconteceu no auditório do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da UFPR e contou com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, do presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, do reitor da UFPR, Marcos Sfair Sunye, e do secretário municipal de Cultura e Turismo de Paranaguá, José Reis de Freitas Neto. Também participaram as deputadas federais Gleisi Hoffmann e Carol Dartora, além da assessoria do deputado federal Toninho Wandscheer; os três foram autores de emendas investidas no Programa Conviver em Paranaguá.

Auditório com pessoas sentadas
Foto: Lara Muniz/MinC

Para um auditório lotado, a ministra da Cultura disse que o lançamento do Conviver exemplifica uma “visão mais aprofundada sobre o que o patrimônio significa”, destacando que a atuação do Iphan não se limita a preservar prédios históricos e grandes equipamentos, ela tem impacto real na vida de inúmeros moradores de cidades históricas. “São famílias com dificuldades de conservar suas casas e que precisam ser ajudadas, porque é um patrimônio que é delas, mas que também faz referência à história de toda a cidade”, disse a ministra.

“O Conviver parte da premissa de que a gestão do patrimônio não se dá sem a participação social, sem as pessoas para quem esse patrimônio tem mais sentido”, disse o presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão. Referindo-se tanto ao patrimônio edificado de Paranaguá como a expressões culturais de forte presença na cidade, como o Fandango e a Capoeira, Gusmão defendeu que cuidar desse patrimônio depende de “um pacto entre poder público e sociedade, entre gestores, moradores e detentores dos bens culturais”.

Diagnóstico e próximas etapas

Paranaguá foi o primeiro núcleo urbano a se formar no estado do Paraná, a partir da chegada de colonizadores, em meados do século XVI, à região habitada pelo povo Carijó. Marcada por exemplares da arquitetura colonial brasileira, a cidade teve seu centro histórico tombado pelo Iphan em 2011, região que agora recebe o canteiro-modelo de conservação do Programa Conviver.

Segundo o coordenador-geral de Conservação do Iphan, Paulo Farsette, a equipe de professores e estudantes da UFPR já iniciou o diagnóstico que indicará os imóveis que receberão intervenções do Conviver, com base nas condições de conservação e no perfil socioeconômico dos seus proprietários.

O professor da UFPR Rodrigo Sartori Jabur, um dos coordenadores do canteiro-modelo de conservação de Paranaguá, detalhou os próximos passos. “Já temos um primeiro diagnóstico com base em dados do IBGE sobre o município, estamos analisando a legislação e os perímetros de tombamento do centro histórico - que não é só na instância federal, é também protegido nas instâncias municipal e estadual - e agora estamos construindo um formulário para aplicar junto aos moradores”, diz o professor. “Nós vamos entrar nessas casas para analisar questões de salubridade e outras condições de moradia, para pensar nas ações prioritárias e nas oficinas que serão propostas.”

Segundo Jabur, as oficinas promovidas pelo canteiro-modelo devem abordar desde técnicas construtivas tradicionais, como alvenaria de pedra e argamassa de cal e areia, à realização de mapeamentos cartográficos do que a própria comunidade entende como patrimônio do centro histórico da Cidade. “Qualquer intervenção feita nos imóveis precisa respeitar os parâmetros e as linguagens técnicas protegidas pelo tombamento, para preservar o patrimônio dessa que é a primeira vila e símbolo do desenvolvimento do estado do Paraná”, diz.

Até hoje, o Programa Conviver já direcionou mais de R$ 33 milhões de recursos para implementar canteiros-modelo de conservação em mais de 20 cidades nas cinco regiões do Brasil. Mais informações: Programa ConViver.

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