PATRIMÔNIO VIVO

Iphan e feirantes debatem registro das tradições da feira do Mercado Ver-o-Peso em Belém (PA)

Reunião técnica realizada no Solar da Beira discutiu a proposta de inscrição da Feira do Ver-o-Peso como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil

Publicado em 23/04/2026 17:33
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Foto: José Paulo Lacerda/Iphan

O Solar da Beira, edifício histórico encravado no coração do Complexo do Ver-o-Peso, foi palco nesta terça-feira (23/4) de uma reunião que pode marcar um novo capítulo na história dos feirantes do Ver-o-Peso. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e representantes dos 28 setores da Feira do Ver-o-Peso se encontraram para discutir a proposta de Registro das práticas, saberes e tradições dos trabalhadores como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. 

A iniciativa parte dos próprios feirantes, organizados pelo Instituto Ver-o-Peso com o objetivo de obter o reconhecimento dos saberes, os ofícios e as memórias que fazem da feira um organismo vivo, pulsante e insubstituível na cultura paraense. 

Para a superintendente do Iphan no Pará, Cristina Vasconcelos, a reunião foi produtiva e sanou muitas dúvidas dos feirantes. “Eles agradeceram muito o Iphan pela ida ao Ver-o-Peso, conseguimos reunir muitos feirantes, e muitas categorias estavam presentes. Foi um encontro muito produtivo”, disse.  

Além do tombamento: o que muda com o registro 

A distinção técnica foi explicada durante a reunião pelo técnico do Iphan, Cyro Lins. O conjunto arquitetônico e paisagístico do Ver-o-Peso já conta com proteção federal desde 1977. Enquanto o tombamento protege o bem físico (material) — as edificações, a paisagem, a estrutura —, o Registro incide sobre as práticas culturais, os saberes tradicionais e os modos de fazer transmitidos de geração em geração (imaterial).  

No caso do Ver-o-Peso, a proposta é pela inscrição no Livro de Registro dos Lugares, que reconhece espaços onde se concentram e se reproduzem práticas culturais coletivas de referência para uma comunidade. 

Esse feito não é inédito. Feiras como a de Caruaru, em Pernambuco, e a de Campina Grande, na Paraíba já percorreram essa trilha e hoje são patrimônios imateriais brasileiro. 

A voz de quem faz a feira acontecer 

Na sala do Solar da Beira, erveiras, farinheiros, boieiras — como são chamadas as cozinheiras tradicionais — e representantes da feira do açaí e do artesanato dividiram o mesmo espaço para falar sobre o que fazem há décadas. Os relatos trouxeram à tona tanto o peso cultural de suas atividades quanto as dificuldades crescentes para manter os ofícios vivos diante das pressões econômicas e das transformações urbanas. 

Próximos passos 

Ao fim da reunião, ficou definido que o grupo de feirantes presentes se reunirá para organizar as informações necessárias e dar início formal ao pedido de registro. O Iphan acompanhará o processo, oferecendo suporte técnico para que os saberes de erveiras, farinheiros, boieiras e tantos outros que constroem, diariamente, a identidade do Ver-o-Peso possam ter o registro.  

Mais informações     
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Danyelle Silva – danyelle.silva@iphan.gov.br     

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