Iphan avança na construção do Plano de Conservação do Centro Histórico de Manaus
Escutas públicas realizadas em maio precedem as oficinas de conservação previstas para julho; processo vai culminar na elaboração do Plano de Conservação, Zeladoria e Educação Patrimonial do Centro Histórico da capital amazonense

"A preservação do Centro Histórico de Manaus não é responsabilidade exclusiva do Iphan ou dos órgãos de proteção do patrimônio nas esferas estadual e municipal. Trata-se de uma responsabilidade compartilhada, que envolve moradores, comerciantes, prestadores de serviços, trabalhadores do turismo, pesquisadores e todos aqueles que vivem, trabalham e contribuem para a construção desse espaço diariamente." A afirmação é da superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiro, após as escutas públicas presenciais realizadas entre os dias 12 e 14 de maio, no Museu da Cidade, em parceria com o Estúdio Sarasá.
As oitivas precedem as oficinas de conservação, previstas para o final de julho. Esse processo vai culminar na elaboração do Plano de Conservação, Zeladoria e Educação Patrimonial do Centro Histórico. Entre os resultados práticos previstos está também a elaboração de um manual técnico de conservação. “Muitas pessoas não sabem quais técnicas utilizar para recuperar uma esquadria, como retirar vegetação que cresce em telhados ou paredes, ou mesmo quais procedimentos adotar, quais profissionais procurar e a quem recorrer para orientações especializadas. Isso é muito comum em imóveis centenários. Nossa proposta é elaborar um manual que reúna e deixe registradas essas informações”, explicou a superintendente.
Escutas
Ao longo das atividades, moradores, zeladores, profissionais da educação, pesquisadores, trabalhadores do turismo, comerciantes e representantes de instituições públicas compartilharam percepções, desafios e propostas voltadas à preservação do Centro Histórico.

As discussões evidenciaram que a conservação do patrimônio ultrapassa a manutenção física das edificações históricas, envolvendo também questões relacionadas à qualidade de vida, ao uso dos espaços e à dinâmica urbana do território. Temas como segurança, iluminação pública, mobilidade, drenagem, acessibilidade, arborização, limpeza urbana, funcionamento dos equipamentos culturais e questões relacionadas à vulnerabilidade social, como a presença de pessoas em situação de rua, surgiram de forma recorrente nas contribuições dos participantes.
Além dessas questões, também foram debatidos os desafios relacionados à conservação cotidiana dos imóveis históricos, especialmente de escolas centenárias, igrejas, equipamentos culturais em funcionamento e imóveis sem uso ou subutilizados.
Durante o encontro, representantes da Universidade Federal do Amazonas informaram ter pesquisas voltadas à conservação de estruturas de madeira afetadas por fungos e insetos, contribuindo para ampliar as discussões sobre estratégias de preservação e manutenção do patrimônio edificado.
“Quando ouvimos quem vive e trabalha no Centro Histórico, compreendemos que preservar não significa apenas conservar imóveis, praças e ruas. Preservar é também reconhecer a cidade como um território vivo, considerando as relações humanas, os usos cotidianos e as diferentes formas de cuidado que constroem e dão sentido a esse espaço”, afirmou Beatriz Calheiro.
Além da superintendente, participaram pelo Iphan os técnicos Rafael Azevedo, Taise Farias, Carlúzi Matos e Roberta Válin. Do estúdio Sarasá colaboraram Flavia Sutelo, Clara Zanetti, Jokasta Tecchio e Mariana Martin.
As escutas seguem e quem não pôde participar presencialmente pode contribuir pelos formulários disponíveis online, organizados por perfil:
Consulta de profissionais na área de preservação do patrimônio cultural de Manaus
Consulta de Instituições Públicas - Conservação, Zeladoria e Educação Patrimonial
Consulta de Laboratórios - Conservação, Zeladoria e Educação Patrimonial - Manaus
Mais informações
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