Iphan aprova tombamento do Palacete Celina Guinle e Linneo de Paula Machado e seus jardins, no Rio de Janeiro (RJ)
O prédio remonta à arquitetura renascentista e é referência desse estilo até os dias atuais

Uma importante construção no coração do bairro de Botafogo no Rio de Janeiro (RJ), o Palacete Celina Guinle e Linneo de Paula Machado e seus jardins, teve seu tombamento como patrimônio material aprovado nesta terça-feira (09) durante a 113ª reunião do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O imóvel, que abriga eventos e atividades culturais e educativas promovidas pela atual proprietária, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), será inscrito no Livro do Tombo de Belas Artes e no Livro Histórico.
O nome do edifício remete ao fundador do Jockey Club Brasileiro, Linneo de Paula Machado. O imóvel foi um presente de casamento de Candido Gaffré por ocasião de seu matrimônio com Celina Guinle, filha de seu sócio, Eduardo Guinle. O prédio foi erguido entre 1900 e 1906.
Em 1990, Lúcio Costa solicitou o tombamento do conjunto da casa e jardim. À época, o arquiteto declarou que o imóvel era o exemplo mais apurado no país da arquitetura renascentista francesa beaux-arts, vertente que marcou o início do século 20 carioca. A estrutura do edifício propunha a individualização da casa e a segregação espacial interna, delimitando ambientes exclusivos para cada função.
A relatora do processo, Raquel Furtado Schenkman Contier, destaca que a cidade do Rio de Janeiro é protegida pela Unesco como Patrimônio Mundial Cultural e Natural sob o título “Rio de Janeiro, Paisagens Cariocas Entre a Montanha e o Mar” e que o palacete está na zona de amortecimento dos sítios da paisagem cultural urbana da cidade. “Interessa preservar, portanto, não apenas um imóvel luxuoso de família influente em estilo francês, mas sua situação na paisagem carioca e sua relação com sua vizinhança ao manter-se aberto, com a fruição de seus jardins, bem como a capacidade de adaptar-se a novos usos e possibilidades”.
O imóvel possui tombamento na instância Estadual pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC), desde 2006, e Municipal pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), desde 1987.
Os conselheiros propuseram, durante a reunião, que o então Palacete Linneo de Paula Machado passasse a incorporar o nome do casal. Ao apoiar a proposta, a conselheira Natália Vieira afirmou que a mudança “faz o resgate da figura da Celina Guinle, para que não ocorra a invisibilização de mais uma mulher.”
O presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, ressalta o significado desse tipo de reconhecimento, que agora atinge o nível federal: “ Isso celebra o cuidado que temos com nosso patrimônio e todas as iniciativas e programas que possibilitam o acesso da sociedade a este espaço e as discussões contemporâneas que promovemos na Casa Firjan.”

O conselheiro Bernardo Souza defendeu a importância do tombamento, relembrando o uso social do espaço, onde as pessoas circulavam livremente e as crianças brincavam no gramado daquela que é considerada a residência mais nobre da região. Ele alerta, contudo, para a fragilidade do patrimônio: “mesmo com todas as regras de proteção, lentamente vão se perdendo pequenas coisas sem a preservação do Iphan”, reforçando que é preciso estar atento à preservação desses conjuntos.
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