Iphan aprova tombamento do Conjunto Histórico e Arquitetônico da Estação Central do Recife, em Pernambuco
Imóvel é exemplar da arquitetura do ferro no Brasil

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou, nesta quarta-feira (23), o tombamento do Conjunto Histórico e Arquitetônico da Estação Central do Recife, atual Museu do Trem. O edifício, que já possui tombamento estadual e municipal, será inscrito no Livro do Tombo Histórico e no Livro de Belas Artes.
A estação é a primeira de grande porte no Brasil, anterior às estações da Luz (1895) e Júlio Prestes (1925), ambas em São Paulo (SP). O local marcou o século 19 pela arquitetura do ferro inovadora e pelo fluxo de pessoas e mercadorias.
Já no século 20, após ser convertido em museu, a construção serviu de ponto de acesso à Estação Recife do metrô de 1985 até a primeira década dos anos 2000, consolidando-se como um símbolo da rotina e da vida cotidiana de milhares de recifenses.
A relatora Natália Araújo afirma, "trata-se de um bem cultural ainda em uso, que se renovou com o tempo e mostra como a união entre União, Estado e Município funciona bem na preservação".
A Estação Central do Recife já integra a Portarias nº 407/2010 e nº 17/2022, que institui parâmetros de valoração e procedimento de inscrição na Lista do Patrimônio Cultural Ferroviário. O tombamento surge, portanto, como uma etapa complementar e indispensável, elevando o patamar de proteção legal e garantindo o resguardo definitivo da memória e da arquitetura do imóvel sob a proteção do Iphan.
"É uma oportunidade para cuidar desse conjunto de forma integrada, unindo os prédios, os documentos e o uso diário do local", ressalta Natália.

Estação Central: memória da história ferroviária nacional
Inaugurada em 1888, a estação foi construída para integrar a Estrada de Ferro Central de Pernambuco, que tinha como objetivo principal escoar a produção de algodão, do gado e do couro, além dos passageiros, do agreste pernambucano para o porto do Recife.
O arquiteto Herculano Ramos, autor do projeto da estação, se inspirou no modelo da estação Gare de l'Est, uma das seis principais estações ferroviárias de Paris, na França.

No final dos anos 60, várias ferrovias foram desativadas, incluindo a Estrada de Ferro Central. Por isso, em 1972, Emerson Jatobá, chefe da 3ª Divisão Nordeste da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), com apoio do sociólogo Gilberto Freire (1900 – 1987) criaram o Museu do Trem para preservação da história ferroviária no estado.
Atualmente denominada Estação Central Capiba – Museu do Trem, abriga o primeiro museu ferroviário do Brasil (1972) e o segundo da América Latina. O acervo reúne mais de 600 peças relacionadas a era de ouro do transporte ferroviário, como máquinas a vapor, locomotivas, carroças, fotografias, cartazes, bilheterias, relógios, apitos, cartazes, entre outros.
Fechado para reformas em 2022, o museu reabriu as portas em julho deste ano, apresentando a exposição Entre Trilhos e Memórias: Os Destinos do Patrimônio Ferroviário de Pernambuco. A visitação ao local é gratuita e está aberta de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados e domingos, das 10h às 14h.
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