PATRIMÔNIO IMATERIAL

Iphan apresenta plano de salvaguarda do Teatro de Bonecos Popular do Nordeste no Ceará

O documento foi entregue no 5º Encontro de Bonequeiros, na última sexta-feira (23/10), em Fortaleza (CE)

Publicado em 29/10/2026 10:41
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Plano de Salvaguarda do Teatro de Bonecos Popular do Nordeste no Ceará
Foto: Acervo/Iphan

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) apresentou, na última sexta-feira (23/10), o Plano de Salvaguarda do Teatro de Bonecos Popular do Nordeste no Ceará. O documento reúne ações para garantir que a tradição, conhecida no estado como Cassimiro Coco, continue viva e seja transmitida às próximas gerações.

Confira o Plano na íntegra, na Biblioteca Digital do Iphan.

A entrega ocorreu no Simpósio “Salvaguarda do Teatro de Bonecos Popular do Nordeste”, atividade que encerrou o 5º Encontro de Bonequeiros, promovido pela Escola Pública de Teatro da Vila das Artes, de 19 a 23 de outubro, na capital cearense.

No mesmo dia, representantes do poder público, do Iphan, de entidades e mestres bonequeiros assinaram a Carta de Fortaleza pela Salvaguarda do Teatro de Bonecos Popular do Nordeste. O documento é um compromisso conjunto para colocar o Plano em prática.

Construção coletiva - O Plano começou a ser construído em 2015, quando a tradição foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil. Desde então, a superintendência do Iphan no Ceará promoveu festivais, rodas de conversa e reuniões com os mestres e artistas que mantêm o bem vivo, para ouvir suas demandas e transformá-las em propostas. Em 2024, os próprios bonequeiros elegeram um Comitê Gestor que aprovou a versão final do Plano, publicado pelo Instituto em 2026. Agora, este Comitê será responsável por acompanhar a execução das ações.

“Não basta guardar o boneco. É preciso garantir que alguém continue tendo mãos para movê-lo e voz para fazê-lo falar”, afirmou a superintendente do Iphan no Ceará, Cristiane Buco, durante o Simpósio. “O Iphan não é o dono da salvaguarda. Os detentores são protagonistas da continuidade do seu patrimônio”, disse.

O que está no Plano - São 18 ações organizadas em quatro eixos: mobilização social e alcance da política; gestão participativa; difusão e valorização; e produção e reprodução cultural. Entre elas, estão um novo mapeamento dos mestres e brincantes do estado, a definição de um valor mínimo para os cachês, a presença do teatro de bonecos nas escolas e a criação de um espaço para guardar os bonecos e objetos de mestres já falecidos.

No Simpósio, o Plano do Ceará foi destacado como o primeiro desse tipo entre os estados nordestinos e como referência na área de abrangência do bem.

A Carta de Fortaleza

A Carta foi uma elaboração coletiva, a partir de uma proposta da Escola Pública de Teatro da Vila das Artes, com contribuições da Associação Brasileira de Teatro de Bonecos (ABTB) e da superintendência do Iphan no Ceará. A coordenação da Escola entregou o documento às secretarias de Cultura do Ceará e de Fortaleza. Ela foi assinada por representantes das secretarias, pelo Iphan, pela Rede Cearense de Teatro de Bonecos, pela ABTB e por mestres e mestras presentes.

“Mais do que um documento, a Carta representa um pacto público e compartilhado para colocar em prática o Plano de Salvaguarda”, disse Cristiane Buco.

Próximos passos - O Iphan-CE vai imprimir uma tiragem ampliada do Plano para distribuir aos bonequeiros do estado. A Rede Cearense de Teatro de Bonecos e a ATBT anunciaram que vão pedir ao Instituto um novo Festival de Cassimiro Coco. As entidades também vão apresentar uma demanda para incluir estados nordestinos que não foram contemplados no reconhecimento da tradição como Patrimônio Cultural do Brasil.

O Teatro de Bonecos Popular do Nordeste

Reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil em 2015, a tradição reúne saberes de criação, manipulação e apresentação de bonecos transmitidos entre gerações. A manifestação recebe nomes diferentes conforme a região: Mamulengo, Babau, João Redondo e Cassimiro Coco, como é chamada no Ceará.

Mais informações     
Assessoria de Comunicação Iphan - comunicacao@iphan.gov.br     
Amanda Gil - amanda.gil@iphan.gov.br

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