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PROTEÇÃO
Fiscalização do Iphan garante preservação do patrimônio durante obras urbanas
Achados arqueológicos na Casa do Governador. Foto: Iphan
Obras realizadas em áreas históricas exigem cuidados especiais para evitar danos ao patrimônio cultural. Em Macapá, recentes fiscalizações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) mostram como o acompanhamento técnico pode garantir que intervenções urbanas ocorram sem comprometer vestígios importantes da história local.
A paralisação temporária de obras pelo Iphan costuma gerar questionamentos quando intervenções urbanas são interrompidas. No entanto, a medida tem como objetivo assegurar que o desenvolvimento das cidades ocorra sem destruir evidências materiais que ajudam a compreender a formação histórica da sociedade brasileira.
Autarquia federal responsável pela preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro, o Iphan realiza fiscalização de obras e intervenções que envolvem escavações ou movimentação do solo, especialmente em áreas de interesse histórico. A atuação segue a legislação federal que protege o patrimônio arqueológico, incluindo a Lei nº 3.924/1961, que estabelece que vestígios arqueológicos existentes no território nacional pertencem à União.
Recentemente, duas obras localizadas no centro histórico de Macapá — a do Parque da Residência ( antiga Residência Oficial do Governador do Amapá) e a da Praça Barão do Rio Branco — passaram por fiscalização após denúncias registradas pela população na plataforma Fala.br, sistema que permite a qualquer cidadão encaminhar pedidos de informação, denúncias, reclamações ou sugestões aos órgãos públicos do Governo Federal.
Fiscalização
No caso da obra do Parque da Residência, não houve paralisação. A intervenção ainda estava em fase inicial e não envolvia escavações ou movimentação do solo. Após notificação do Iphan, os responsáveis apresentaram a documentação necessária para regularização da obra, permitindo a continuidade dos trabalhos.
Já na Praça Barão do Rio Branco, a intervenção precisou ser interrompida devido à realização de escavações sem a autorização arqueológica exigida. Mesmo após notificação inicial, os trabalhos continuaram, o que levou à paralisação temporária da obra até o início do processo de regularização.
Após a interrupção das atividades, os responsáveis procuraram a Superintendência do Iphan no Amapá e iniciaram os procedimentos previstos na legislação. Como parte desse processo, foram contratadas pesquisas arqueológicas para avaliar possíveis impactos ao patrimônio histórico.
Durante os estudos, em ambas as obras, foram identificados vestígios materiais importantes, como fragmentos de cerâmica, louças, cachimbos e pequenos objetos de uso cotidiano.
Com base nesses achados, o projeto da obra da Praça do Barão do Rio Branco foi ajustado. A profundidade das escavações inicialmente prevista — de cerca de um metro — foi reduzida para aproximadamente vinte centímetros, preservando as camadas arqueológicas existentes no local.
Identidade e memória
Pesquisadores indicam que parte dos objetos encontrados pode estar associada às redes de comércio que abasteciam a região entre os séculos 18 e 19, quando embarcações conhecidas como regatões transportavam mercadorias e conectavam diferentes localidades da Amazônia.
Segundo o superintendente do Iphan no Amapá, Michel Flores, os achados reforçam a importância do acompanhamento arqueológico em áreas historicamente sensíveis. “Esses vestígios nos ajudam a ampliar o conhecimento sobre a história e a cultura das populações que participaram da formação de Macapá e do Amapá”, afirma.
A área central da capital amapaense foi erguida sobre um sítio histórico. Por essa razão, a região abriga artefatos e vestígios arqueológicos que contribuem para compreender a trajetória da antiga Vila de São José de Macapá, denominação original da cidade. Embora possa gerar questionamentos ou ajustes no cronograma das obras, a paralisação ou aplicação de sanções cumpre uma função essencial: garantir que o crescimento urbano ocorra sem comprometer bens históricos e culturais que fazem parte da memória coletiva.
Denúncias ou informações sobre possíveis impactos ao patrimônio cultural podem ser registradas por qualquer cidadão na plataforma Fala.br, que encaminha as manifestações aos órgãos públicos responsáveis.
Mais informações
Assessoria de comunicação - comunicacao@iphan.gov.br
Cecília Carrera - cecilia.carrera@iphan.gov.br
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