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RECONHECIMENTO
Festival do Patrimônio Brasileiro reúne diversidade cultural e homenagens em Ceilândia (DF)
Foto: Rosa dos Ventos/Divulgação.
Durante dois dias, no último fim de semana, Ceilândia (DF) foi ocupada por folguedo, frevo, bumbo, forró, marujada, samba, tacacá, maracatu e muitas outras representações da diversidade cultural do país em um lugar só. O Festival do Patrimônio Brasileiro, produzido pelo Instituto Rosa dos Ventos com recursos captados por meio da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), foi palco de shows, homenagens, encontros e debates envolvendo bens culturais registrados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O ponto alto da sexta-feira (20) foi a cerimônia de homenagem a mestres, mestras, detentores e representantes de bens imateriais de todo o país, como Samba de Bumbo Paulista; Marujadas de São Benedito; Arte Santeira em Madeira do Piauí; Kene Kuĩ: Grafismos do Povo Huni Kuĩ; Saberes do Rosário: Reinados, Congados e Congadas; Choro; Ofício de Tacacazeira; Circo de Tradição Familiar, e Ofício, Saberes e Práticas das Parteiras Tradicionais do Brasil. Com a presença do presidente do órgão, Leandro Grass, da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e do secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, no evento também foram entregues certificado e medalha de reconhecimento a representantes de bens materiais tombados recentemente, como o Quilombo Tia Eva (MS).
Após a homenagem, três parteiras vindas de Pernambuco desceram do palco emocionadas. “Para outras pessoas pode parecer pouco, mas para nós esse reconhecimento é como um Oscar, um momento histórico, é a realização do sonho da minha mãe, que lutou tanto por isso, e de outras ancestrais”, comemorou Maria Fernanda da Silva, presidente da Associação de Parteiras Tradicionais de Caruaru (PE).
Zeferina Bezerra da Silva, conhecida como Mãe Naninha, parteira que já trouxe mais de mil bebês ao mundo em Jaboatão dos Guararapes, também celebrou a homenagem a sua tradição. “Até hoje eu choro quando as primeiras mãos que recebem uma criança são as minhas”, relatou.
O Quilombo Tia Eva, primeiro em atividade a ser tombado pelo Iphan, também foi reverenciado. “Recebemos com alegria esse reconhecimento e esperamos que ele traga mais valorização para nossa comunidade”, afirmou o presidente da Associação dos Descendentes de Tia Eva, Ronaldo Jeferson da Silva.
A ministra Margareth, que acompanhou e se divertiu em diversas apresentações nas duas noites, ressaltou que os grupos ali presentes são exemplos de por que o governo federal se esforça para as políticas culturais chegarem a todos os estados e municípios brasileiros. “A cultura popular sempre foi a base da nossa política, porque é nela que está nossa referência e nossa identidade”, completou. “Seguiremos firmes, fortalecendo a cultura em todos os cantos do país.”
Já Márcio Tavares defendeu que o Festival do Patrimônio Brasileiro é mais que uma celebração. “É um momento de afirmação das políticas públicas que vêm sendo reconstruídas no país para a valorização das pessoas, dos mestres e mestras da cultura popular, que mantêm vivas as manifestações culturais brasileiras”, pontuou.
Leandro Grass também destacou a importância das homenagens. “Cada registro é um processo longo de escuta, participação social, diálogo. É do povo para o povo, não uma canetada. E por isso é tão importante reconhecer que essas manifestações são o Brasil real”, declarou, lembrando que, desde 2023, 13 bens imateriais e 24 materiais foram registrados como Patrimônio Cultural do Brasil.
Debate e escuta
No sábado (21), as detentoras e os detentores homenageados se reuniram em uma roda de conversa para falar dos desafios de manter vivos os bens culturais que representam. Durante o Seminário “Mestres e Mestras – Patrimônio e as Leis de Incentivo”, o artesão Manuelzinho Salustiano reforçou que o acesso a recursos públicos e privados é essencial para garantir o sustento das milhares de pessoas envolvidas em cada manifestação. “Posso não ter estudo formal, mas sou doutor em cultura popular e é com ela que me criei e mantenho minha família”, declarou.
O diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, Deyvesson Gusmão, ouviu os mestres e as mestras e apresentou a perspectiva de financiamento das políticas de cultura. “A gente sabe que a política de editais não é a única forma ou o único meio de permitir que a sociedade civil acesse recurso público, mas é um mecanismo relevante que tem sido eficaz no sentido de promover a preservação e a salvaguarda do patrimônio”, argumentou.
Nas duas noites de festival, o público visitou a feira de artesanato e de comidas de regiões distintas do país, como o tacacá e o acarajé, e acompanhou shows de artistas de alcance nacional, como Criolo, Hamilton de Holanda e Mariene de Castro. Os bens representados no evento também ocuparam o palco e a pista, envolvendo a plateia ao som de Maracatu, frevo, forró e Samba de Bumbo Paulista.
"É muito importante sermos vistos e reconhecidos assim para fazermos parte da criação das políticas públicas também, não só em apresentações", comentou o brincante de Samba de Bumbo Paulista João Mário Machado, de Santana de Parnaíba (SP).
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