PATRIMÔNIO IMATERIAL

Evento debate a salvaguarda da Capoeira no Espírito Santo (ES)

Encontro foi marcado pela consolidação do plano de salvaguarda estadual do bem registrado

Publicado em 04/02/2025 17:26Modificado há um ano
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Foto: Divulgação/Iphan-ES
Foto: Divulgação/Iphan-ES

Entre os dias 31 de janeiro e 2 de fevereiro, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) promoveu o III Encontro Estadual de Salvaguarda da Roda de Capoeira e Ofício de Mestres, no Hotel Caiçara, no município de Cachoeiro de Itapemirim (ES). O evento reuniu mestres e mestras de capoeira, pesquisadores e gestores públicos com o objetivo de estruturar e validar coletivamente o Plano de Salvaguarda da Capoeira no Espírito Santo, um documento essencial para a preservação, promoção e sustentabilidade desse Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. 

O estado ainda não possui uma política formal de proteção para a capoeira, reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil desde 2008. O encontro consolidou discussões sobre temas cruciais como a profissionalização dos mestres, o papel da mulher na capoeira, o combate ao racismo religioso e a captação de recursos.  

“A Capoeira é uma manifestação que tem uma tradição e está presente em todas as unidades da federação. O Plano de Salvaguarda é fundamental para manter as tradições dessa manifestação no Espírito Santo, mas também apontando o olhar para o futuro e os desafios contemporâneos, como o combate ao racismo, o preconceito contra a religiosidade de matriz africana e a manifestação do machismo", afirmou o superintendente do Iphan no Espírito Santo, Joubert Filho. 

Entre os participantes, estiveram presentes a gerente Edineia Conceição de Oliveira, da Gerência de Estado de Políticas de Promoção de Igualdade Racial (GEPPIR), que ressaltou a importância da integração dos entes federativos para a promoção da igualdade racial; o Mestre Fábio Luiz, professor de educação física da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que compartilhou sua trajetória com a capoeira desde os anos 1980; e a Mestra Patrícia Aparecida da Conceição Ladislau, conhecida como Mestra Ligeira, única mestra presente no evento. Ela abordou os desafios enfrentados pelas mulheres na capoeira, incluindo o preconceito na execução de instrumentos como o berimbau. 

A programação também contou com uma homenagem especial à Associação de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial Cachoeirense. A entidade recebeu um certificado das mãos do historiador do Iphan, Filipe Oliveira, em reconhecimento à conquista do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade de 2024, com a ação patrimonial intitulada "Trilhas do Quilombo Monte Alegre". O presidente da associação, Mestre Bruno Fajardo Lima, foi o responsável por receber a homenagem.   

No encontro, também foi alinhado o planejamento de ações para 2025. As atividades incluem a editoração, diagramação e impressão do Plano de Salvaguarda, além de um ciclo de oficinas regionais, com o tema "Capoeira, Memória e Ancestralidade", e um curso de elaboração e gestão de projetos culturais. 

Segundo o historiador do Iphan, Filipe Oliveira, o Plano de Salvaguarda que está sendo formulado poderá nortear as políticas públicas para a capoeira capixaba. "Trata-se de um instrumento de gestão compartilhada que encampa diferentes demandas sociais, tais como a criação de fóruns permanentes para o combate ao racismo religioso e quaisquer formas de discriminação social, a organização de cursos de elaboração e gestão de projetos culturais e outras atividades formativas, o incentivo a pesquisas de identificação, documentação e mapeamento da capoeira, à produção de materiais impressos e digitais relativos ao bem cultural, entre outras", concluiu. 

As atividades do III Encontro deram continuidade ao trabalho iniciado em 2019, em São Mateus, e consolidado no II Encontro, em Vitória, no ano de 2023. A cada edição, os avanços são notáveis, incluindo a formação de grupos de trabalho temáticos e a mobilização de mestres e instituições parceiras. Durante os três dias de evento, os participantes trocaram experiências e reforçaram a importância de preservar as tradições da capoeira, ao mesmo tempo em que se adaptam aos desafios contemporâneos. 

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Ana Carla Pereira - carla.pereira@iphan.gov.br     

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