Notícias
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
Encontro no Quilombo do Ausente abre formação de agentes patrimoniais no Serro (MG)
Encontro do projeto Tramas do Serro – Culturas Populares, Patrimônios e Direitos Sociais - Foto: Michel Becheleni / Rupestre Imagens
Realizado no último sábado (11), no Quilombo do Ausente, em Serro (MG), o encontro de abertura do projeto Tramas do Serro – Culturas Populares, Patrimônios e Direitos Sociais, de formação de lideranças quilombolas e de grupos de cultura popular marcou o início de uma série de eventos voltados à qualificação de agentes patrimoniais de cultura na região. A iniciativa é desenvolvida através de termo de fomento entre o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e o Coletivo Flor e Ser do Cerrado, em parceria com o Coletivo Quilombos em Ação. O projeto conta com recursos de emenda parlamentar da deputada federal Célia Xakriabá.
A atividade inaugural reuniu representantes de comunidades quilombolas e de grupos de culturas populares do município, público central do curso, que prevê a formação de 25 lideranças como agentes culturais. Durante o encontro, participaram como convidadas Ana Paula Trindade, do Iepha-MG; Vanessa Maria Pereira, coordenadora-geral da Coordenação-Geral de Identificação e Reconhecimento do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan (Cgid/Depam); Aretha Lecir Rodrigues dos Santos, Coordenadora de Reconhecimento e Proteção (Corep/Cgid/Depam); e Ana Carolina Carvalho de Almeida Nascimento, Coordenadora Técnica de Pesquisa e Projetos Especiais do CNFCP.
Vanessa Maria Pereira destacou a importância da iniciativa para a formação de novas lideranças no campo do patrimônio cultural. “Esse projeto é fundamental para a formação de jovens lideranças na área do patrimônio, que vão atuar junto com as instituições responsáveis na identificação, reconhecimento, proteção e gestão desse patrimônio”, afirmou. Ela também ressaltou o envolvimento dos participantes com seus territórios e tradições. “Me chamou atenção o engajamento e a articulação desses jovens com seus territórios e suas tradições. Tenho certeza que surgirão pesquisas brilhantes e que muitas propostas interessantes e inovadoras estão por vir.”
Tramas do Serro: formação de lideranças quilombolas e de grupos de cultura popular
O projeto parte do reconhecimento de que o Serro reúne uma trama complexa de bens culturais, com patrimônio material tombado desde 1938, referências imateriais registradas em diferentes esferas, comunidades quilombolas certificadas e saberes tradicionais amplamente difundidos no território. Esse contexto fundamenta a proposta de uma formação que articula preservação, pesquisa e atuação comunitária.
Com duração de sete meses e carga horária de 160 horas, o curso será realizado de forma itinerante, com aulas presenciais em diferentes comunidades, encontros quinzenais, atividades de campo supervisionadas e acompanhamento pedagógico até outubro. Além da formação teórica, os participantes irão desenvolver pesquisas em seus territórios, com foco na construção de inventários participativos que irão compor um dossiê cultural do município.
De acordo com Ana Carolina, a proposta é que a experiência desenvolvida no Serro possa inspirar novas ações em outros territórios. “Nós pretendemos que este seja um projeto piloto a ser expandido para outros contextos, integrando a pesquisa participativa à proteção das expressões das culturas populares, dos conhecimentos e práticas de seus realizadores, e dos territórios em que estão enraizados”, afirmou.

