MESTRADO PROFISSIONAL

Centro Lucio Costa promove aula e circuito histórico sobre memória, ditadura e direitos humanos no Rio

Atividades tiveram como ponto central o tombamento do antigo Dops

Publicado em 01/06/2026 10:08
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Pessoas em pé na escadaria de um prédio
Foto: André Lippmann/Iphan

Nos dias 26 e 27 de maio, o Centro Lucio Costa (CLC), unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), promoveu uma aula on-line e um circuito histórico guiado voltados às discussões sobre memória, patrimônio e direitos humanos. As atividades integraram a disciplina “Memória e patrimônio” e o projeto de extensão “Experiências Memórias e Patrimônios”, que fazem parte da grade curricular do Mestrado Profissional em Preservação do Patrimônio Cultural do Iphan. 

A aula “Sem memória não há democracia: a luta pela transformação do antigo prédio da Polícia Central, onde funcionou o Dops do Rio de Janeiro, em um Centro de Memória dos Direitos Humanos” foi ministrada pelo arquiteto e urbanista Felipe Nin, integrante do Coletivo Memória, Verdade, Justiça e Reparação RJ.  

Fachada de um prédio
Foto: André Lippmann/Iphan

Durante o encontro, foram abordadas a história do antigo prédio da Polícia Central do Rio de Janeiro - um dos principais centros de repressão política do país ao longo do século 20 e tombado pelo Iphan em novembro de 2025 - e as mobilizações pela transformação do espaço em um centro de memória dos direitos humanos. 

Já o “Circuito Histórico de Memórias da Ditadura Militar e Resistências” percorreu o centro do Rio, passando por locais marcados pela repressão e pelas formas de resistência durante a ditadura militar. A caminhada foi mediada por Pedro Quental e Felipe Lott, integrantes do Coletivo Memória, Verdade, Justiça e Reparação RJ, e foi encerrada no antigo prédio do Dops. 

Ao longo do percurso, foram discutidos temas como o golpe de Estado de 1964, a estrutura da repressão, os movimentos sindical e estudantil, o racismo de Estado e a resistência negra. Também foram abordadas a remoção de favelas e as iniciativas de preservação da memória e do patrimônio documental ligadas ao direito à memória e à verdade. 

Para a historiadora do CLC, Juliana Sorgine, o trabalho do Coletivo é muito importante ao associar pesquisa histórica, relatos testemunhais e documentação arquivística aos patrimônios edificados, em favor da luta por direitos.  

Muro de um prédio
Foto: André Lippmann/Iphan

"No percurso histórico, tudo se funde e ganha uma perspectiva mais próxima, viva e absolutamente necessária para se pensar questões de direitos humanos e políticos no Brasil atual. E as políticas de patrimônio têm que constar nesse debate de forma mais constante", concluiu. 

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Ana Carla Pereira – carla.pereira@iphan.gov.br  

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