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Catarina de Carvalho é laureada com o Prêmio Augustin-Pyramus de Candolle 2026, uma das mais tradicionais distinções da Botânica mundial
Docente do Inpa e pós-doutoranda do JBRJ recebe prêmio internacional de botânica, em Genebra
Foto: acervo pessoal da docente / Banner: Carol Sackser
A bolsista de pós-doutorado FAPERJ Nota 10, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), atualmente vinculada à Coordenação de Biodiversidade (COBIO) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Catarina Silva de Carvalho, foi agraciada com o Prêmio Augustin-Pyramus de Candolle 2026, concedido pela Société de Physique et d’Histoire Naturelle de Genève (SPHN), na Suíça.
A cerimônia de entrega da premiação ocorreu no Jardin Botanique de Genève, em Genebrae, na ocasião, a docente do Inpa apresentou a palestra “Systematic studies on the Dipterygeae clade (Leguminosae, Papilionoideae)”, na qual destacou seus estudos sistemáticos sobre o clado Dipterygeae, grupo de plantas pertencente à família Leguminosae e reconhecido por sua relevância taxonômica, evolutiva, biogeográfica e econômica.
Para a Catarina, a conquista representa um importante reconhecimento de sua trajetória acadêmica. “Ter sido laureada com o prêmio De Candolle é uma honra para mim. A cerimônia foi emocionante, me senti muito reconhecida. Foi o reconhecimento do trabalho que venho fazendo em taxonomia integrativa. Senti que estou indo no caminho certo”, afirma.
O Prêmio
Instituído em 1841, o Prêmio Augustin-Pyramus de Candolle figura entre as mais tradicionais e prestigiadas distinções internacionais da Botânica. A honraria reconhece autores ou coautores da melhor monografia dedicada a um gênero ou família de plantas, valorizando a excelência científica, a profundidade taxonômica e a contribuição sistemática dos trabalhos premiados. Ao longo de sua história, destacou importantes avanços para a sistemática vegetal e consolidou-se como uma referência de excelência na comunidade botânica internacional.
O caminho na botânica
A trajetória científica que resultou na premiação teve início durante o doutorado de Catarina na Escola Nacional de Botânica Tropical (ENBT/JBRJ), sob orientação dos pesquisadores Haroldo Cavalcante de Lima e Domingos Cardoso. Desde então, seus estudos sobre a sistemática da tribo Dipterygeae vêm sendo aprofundados por meio de abordagens em taxonomia integrativa e filogenia molecular de Leguminosae. O trabalho tem contribuído para o avanço do conhecimento científico sobre a diversidade vegetal, além de fomentar novas colaborações e aplicações em outros grupos taxonômicos de relevância, especialmente na região amazônica.
Hoje, seu trabalho segue sob supervisão de Domingos Cardoso, na Diretoria de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (Dipeq/JBRJ). Parte desse projeto é desenvolvido no Inpa, onde participa de projetos colaborativos voltados à filogenia molecular e à genômica populacional de plantas e fungos amazônicos, em parceria com as pesquisadoras do Instituto: Maristerra Rodrigues Lemes e Noemia Kazue Ishikawa, da Coordenação de Biodiversidade (COBIO). Além da pesquisa, Catarina atua como docente e orientadora no PPG-Botânica do INPA, contribuindo para a formação de novos pesquisadores na área da Botânica Tropical.
Segundo a coordenadora do Laboratório de Genética e Biologia Reprodutiva de Plantas (LabGen/INPA), a pesquisadora Maristerra R. Lemes, a premiação evidencia a relevância da contribuição científica da docente para a Botânica brasileira. “Este prêmio é um justo reconhecimento à dedicação e à qualidade do trabalho desenvolvido pela Catarina. Tem sido muito gratificante acompanhar sua trajetória e contar com sua participação e expertise em projetos de pesquisa que visam ampliar o conhecimento sobre a diversidade genética e a história evolutiva de espécies arbóreas de importância ecológica e econômica para a Amazônia, contribuindo para a conservação e uso sustentável desses recursos florestais”, destaca.
Para a líder do Grupo de Pesquisa Cogumelos da Amazônia (GP-CA/INPA), a pesquisadora Noemia K. Ishikawa, “os conhecimentos sobre as plantas trazidos pela Catarina são fundamentais às pesquisas de cogumelos. Tem sido um privilégio tê-la nos nossos projetos. Saber que ela conquistou tão prestigiado prêmio, e ser a segunda brasileira a receber esta honraria em 185 anos deixou toda equipe muito feliz”, comemora.
A pesquisadora do Inpa, Tiara Sousa Cabral, esteve presente à cerimônia em Genebra, para acompanhar a entrega do Prêmio Augustin-Pyramus de Candolle e afirma que o momento foi emocionante. “Foi inspirador presenciar o reconhecimento internacional do trabalho da Catarina e perceber a dimensão de sua contribuição para a Botânica em nível mundial. Ver uma pesquisadora brasileira receber uma das mais importantes distinções da área reforça a importância da ciência que produzimos e inspira novas gerações de mulheres e meninas a seguirem carreira científica”, afirma a pesquisadora, reforçando a representatividade feminina na ciência.