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Ministro de Minas e Energia pretende reformular setor nuclear brasileiro
Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil
No último dia 23 de setembro, o titular do Ministério de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira, declarou que o Governo Federal possui uma proposta a ser apresentada na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), para “remodelar” o setor nuclear do país. A autoridade afirmou que, ainda que a retomada das obras da Usina Nuclear de Angra 3 seja a pauta principal dessa reunião, que ainda não tem data definida, há outras ações a serem executadas adiante:
“Todo mundo fala em Angra 3, eu falo que nós temos que debater a cadeia nuclear como um todo”, declarou Silveira a jornalistas.
O ministro relatou nessa ocasião que a questão nuclear do Brasil já vem sendo discutida junto ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, com a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, e com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e que, em breve, irá envolver as estatais do setor nuclear, para que a área possa avançar na transição energética e entregar energia segura e sustentável para a população.
Nesse sentido, a conclusão das obras de Angra 3 pode auxiliar nessa busca do Governo Federal por uma maior robustez na cadeia nuclear. Dados apontam que os custos com a obra paralisada representam um "aluguel sem retorno" na casa dos R$100 milhões por mês. Em contrapartida, a despesa para abandonar o projeto atingiria a marca de aproximadamente R$21 bilhões, de acordo com um estudo apresentado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à Eletronuclear.
A análise feita pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) aponta que o prosseguimento e a finalização das obras dessa usina nuclear evitariam gastos com o abandono do projeto e moderaria custos sistêmicos, além de prover segurança energética e credibilidade para o sistema nuclear brasileiro.
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SMRs na rota do MME
A iniciativa de reformular o setor nuclear do Brasil não se limitará à retomada de Angra 3. O ministro Alexandre Silveira declarou que, nessa proposta, também estão inclusos os investimentos nos pequenos reatores modulares (SMRs), como alternativa às termelétricas que são abastecidas a diesel nos sistemas isolados e na indústria intensiva.
Em dezembro de 2024, o próprio ministro, durante reunião com diretores da empresa nuclear russa Rosatom, se posicionou a favor da implantação de uma rede nacional de SMRs, aproveitando que essas ferramentas, além de estarem na rota de grandes empresas de tecnologia e de órgãos públicos do setor energético mundo a fora, atenderam à demanda global por fontes de energia mais limpas.
O Instituto de Engenharia Nuclear (IEN/CNEN), por meio do Setor de Tecnologia e Engenharia de Reatores (SETER), desenvolve pesquisas voltadas aos pequenos reatores modulares (SMRs), com foco em sua integração a outras tecnologias estratégicas, como a dessalinização de recursos hídricos.
Segundo a pesquisadora e chefe do SETER, Dra. Maria de Lourdes Moreira, os SMRs são reatores nucleares de potência elétrica até 300 MWe concebidos em módulos que podem ser fabricados em série e transportados até o local de operação, o que facilita a construção e reduz prazos de implantação.
“No IEN/CNEN, estamos realizando estudos sobre o acoplamento de um SMR a uma planta de dessalinização, avaliando sua viabilidade técnica e os benefícios para a segurança hídrica”, explica. Ela acrescenta que, além da geração de eletricidade, os SMRs podem atender a outras finalidades, como o fornecimento de calor para processos industriais, produção de hidrogênio e apoio a comunidades em regiões remotas, onde a existência de grandes usinas seria inviável.
Escrita por: José Lucas Brito (SETCOS/ IEN)