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Pandemia não desviou o Brasil das reformas estruturais, diz ministro da Economia

Em evento nesta terça (6/4), Paulo Guedes destacou que o principal desafio deste momento é imunizar a população contra a covid-19
Publicado em 06/04/2021 20h04 Atualizado em 06/04/2021 20h13

Apesar de todas as dificuldades impostas ao país pela pandemia da covid-19, o Brasil se manteve firme no caminho das reformas estruturais e da responsabilidade fiscal. Agora, com a aceleração da vacinação em massa, o país está pronto para retomar o caminho do crescimento sustentado dentro de pouco tempo, tendo como pilar a aceleração dos investimentos privados, em um cenário com diversas oportunidades de privatizações oferecidas pelo governo federal. Essa foi a análise apresentada na tarde desta terça-feira (6/4) pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ao participar do evento virtual Itaú LatAm Spring Meetings.

O principal desafio deste momento é imunizar a população contra a covid-19, reforçou o ministro. “Agora, a vacinação é o mais importante. Dará retorno em resultados econômicos, permitindo o retorno seguro da força de trabalho. Estamos vacinando um milhão de pessoas por dia e queremos aumentar. Em dois, três meses, o Brasil volta a decolar”, concluiu.

Confiante de que o Brasil superará a onda de covid-19 deste ano, o ministro lembrou do sucesso dos mecanismos implantados ao longo do ano passado, destacando que os melhores e mais importantes instrumentos serão replicados. Lembrou que as previsões mais pessimistas indicavam retração de até 9% no Produto Interno Bruto (PIB) e foram contrariadas, com o país registrando queda de pouco mais de 4%.

Esse resultado, argumentou, foi melhor que muitos países e, além disso, deixou o país pronto para a retomada econômica. “Nossas políticas funcionaram bastante bem em relação a outros países”, destacou, lembrando que o país encerrou 2020 com a geração de mais de 142 mil novos empregos formais. Em janeiro e fevereiro deste ano o ritmo foi mantido e o Brasil criou quase 650 mil postos formais.

Avanços

Durante a sua participação o ministro Paulo Guedes destacou também as recentes aprovações, pelo Congresso, dos projetos de autonomia do Banco Central e do Novo Marco Fiscal, em ações que reforçam os mecanismos de controle da inflação e de maior rigor nos gastos públicos. Lembrou da importância do estabelecimento dos novos marcos do saneamento e do gás natural e citou, ainda, que os avanços nas propostas de privatização da Eletrobrás e dos Correios dão claros sinais ao mercado de que o governo segue firme na redução do tamanho do estado e da melhor utilização possível dos recursos públicos.

Para o ministro, outro sinal de que o programa de privatizações está avançando é o leilão de 22 aeroportos, programado para esta semana, que deverá gerar novos investimentos de R$ 10 bilhões. “O Brasil será a principal fronteira de investimentos do mundo em um futuro bem próximo”, ressaltou.

Questionado sobre data para o processo de capitalização da Eletrobrás, Guedes manifestou confiança de que a operação ocorrerá ainda este ano ou, no máximo, no começo de 2022. “No final deste ano, na pior hipótese, no começo do ano que vem, será feita a capitalização”, disse. Ele lembrou que o Brasil também oferecerá oportunidades nas áreas de petróleo, navegação de cabotagem, exploração de minérios, entre outras. Mencionou também que haverá avanços em relação à implementação do Acordo Mercosul – União Europeia.

Todas essas mudanças geram ganhos de produtividade e competitividade, apontou o ministro, e isso vai elevar o posicionamento do Brasil entre os melhores países do mundo para realizar negócios. Atualmente, o mercado brasileiro está na 124ª posição da classificação relativa à facilidade de fazer negócios, no ranking Doing Business, do Banco Mundial. As mudanças já em curso, apontou Guedes, levarão rapidamente a subir mais de 30 posições.

O ministro da Economia reforçou ainda que, em breve, haverá progressos nas reformas administrativa e tributária, com simplificações e sem aumentar a carga de impostos. “É impróprio e pouco inteligente aumentar impostos durante uma recessão. Preferimos controlar os gastos públicos”, declarou.

Perspectivas

“A recuperação do Brasil e a sustentabilidade do crescimento futuro se baseia no setor privado”, indicou o ministro. Segundo ele a chegada da pandemia, no começo do ano passado exigiu que o governo concentrasse esforços na adoção de medidas emergenciais, para proteger os cidadãos mais vulneráveis, empregos e empresas.

Guedes destacou que o atual governo esteve comprometido, desde o início, em levar o Brasil ao caminho da prosperidade, interrompendo décadas de crescimento fraco, crises econômicas e até mesmo recessão. Essa agenda sempre foi mantida, reforçou, mas com a construção de mecanismo para proteger os mais desassistidos, empregos e empresas durante os períodos mais difíceis da pandemia. “A pandemia realmente causou problemas, mas não perdemos o compasso”, afirmou.

Nesse cenário, ressaltou a importância do pagamento do Auxílio Emergencial. O ministro explicou que a retomada desse programa em 2021 comprova a decisão de governo de apoiar a população mais impactada pelos efeitos da pandemia, mas com rígida observação aos critérios de responsabilidade fiscal.

Com a aceleração da vacinação em massa, apontou o ministro, os trabalhadores informais poderão voltar às suas atividades de forma segura, reativando a capacidade de geração de renda. Isso reduzirá, gradualmente, a dependência dessa fatia de brasileiros do apoio concedido por meio do Auxílio Emergencial. Um dos próximos passos, explicou o ministro, será a implantação da Carteira de Trabalho Verde e Amarela, instrumento que permitirá a inclusão dos até agora “invisíveis” no mercado de trabalho.