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Saúde da Criança
UTI Neonatal conta com tecnologia de ponta para tratamento de bebês com retinopatia da prematuridade
Dentre as doenças que podem acometer bebês que nascem antes das 40 semanas de gestação está a Retinopatia da Prematuridade (ROP) – considerada uma das maiores causas de cegueira infantil na América Latina. Uma doença oftalmológica que pode passar despercebida, justamente porque não apresenta sinais, até que esteja em estágio avançado. O Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) adquiriu um aparelho para aplicação de laser nos recém-nascidos diagnosticados com retinopatia da prematuridade grave. Na maioria dos casos, uma única aplicação do laser é capaz de impedir a perda de visão da criança.
Os bebês internados na UTI Neonatal do HUSM – nascidos ou não no hospital universitário – contam, desde o mês de setembro, com um equipamento de laser com tecnologia atual e moderna. O aparelho – avaliado em R$ 230 mil – foi adquirido com recursos destinados pela Justiça Federal.
Crianças nascidas com idade menor ou igual a 33 semanas de gestação ou com peso menor ou igual 1,5 kg estão em maior risco. Especialmente as crianças prematuras extremas, as que nasceram com menos de 1kg e que foram expostas a suplementação excessiva de oxigênio.
- Quando no ventre da mãe, a concentração de oxigênio para formação da retina é mais suave. Fora, a alta pressão do oxigênio pode modificar os níveis dos fatores de crescimento, alterando a vascularização e levantando a retina ainda não formada. Aumentando assim o risco de essa descolar. A aplicação do laser na retina doente irá controlar os níveis de fatores de crescimento e causar uma melhor adesão da retina, prevenindo o deslocamento e a cegueira bilateral (nos dois olhos) – explica Aline Reetz Conceição, médica oftalmologista do HUSM, especialista em retinopatia da prematuridade.
Por ano, no hospital universitário, muitos bebês são diagnosticados com a doença, mas em média 4 a 7 bebês necessitam de tratamento. A aplicação do laser é feita na criança, após anestesia geral, e dura entre 2h e 3h. A chance de resolução do problema com o tratamento é alta, em torno de 80%.
- É o tratamento mais eficaz que se tem atualmente. Essa tecnologia muda não só a vida do paciente, mas muda a história da família toda. Muitas áreas cerebrais só são desenvolvidas com estímulo visual. O sistema nervoso para ter uma formação completa, precisa desses estímulos. O recém-nascido cego, provavelmente, irá ter deficiências neurocomportamentais. – alerta a médica.
O resultado do tratamento é mais eficaz, quando indicado na época certa. Por isso, as crianças com risco de desenvolver a doença passam por avaliação (conforme protocolos internacionais e nacionais) a cada dois dias. O principal exame para o diagnóstico é o teste do fundo de olho: é aplicado um colírio capaz de dilatar a pupila da criança para visualizar as estruturas internas do globo ocular.
O tratamento apesar de, na maioria das vezes, ser resolutivo pode trazer consequências. Especialmente, a chance do desenvolvimento de miopia. Em razão disso, os pacientes que aplicaram o laser seguem em acompanhamento por toda vida no hospital.
O HUSM é o único hospital do interior do Estado a ofertar o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).