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QUALIDADE ASSISTENCIAL
Revisão do processo de cateterismo vesical de demora fortalece a padronização das práticas e a segurança do paciente no HUSM-UFSM
Santa Maria (RS) – O Hospital Universitário de Santa Maria, da Universidade Federal de Santa Maria (HUSM-UFSM), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), revisou o protocolo de sondagem vesical após a publicação de um estudo desenvolvido na instituição. A pesquisa foi conduzida pela enfermeira da Unidade de Gestão da Qualidade e Segurança do Paciente (UGQSP), Caroline Zottele Piasentin Giacomini, sob orientação da enfermeira Tania Bosi de Souza Magnago, como parte de sua tese de doutorado defendida em 2023 no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFSM. O trabalho contou com a participação do Setor de Gestão da Qualidade (STGQ) do Hospital e foi publicado na Revista Latino-Americana de Enfermagem.
A investigação foi realizada em 2023 e utilizou o método Failure Mode and Effect Analysis (FMEA), ferramenta estruturada para análise proativa de riscos assistenciais. O objetivo não foi investigar um incidente já ocorrido, mas mapear todas as etapas do processo, da indicação à retirada do dispositivo, para identificar vulnerabilidades e propor melhorias antes que eventos adversos aconteçam. A partir da modelagem do processo de trabalho e da revisão detalhada das atividades, foram definidos quatro subprocessos do procedimento, permitindo avaliação sistemática de cada fase.
Análise preventiva fortalece a segurança do paciente
O uso de sonda vesical é frequente no ambiente hospitalar e exige controle rigoroso para prevenir complicações, como a Infecção do Trato Urinário Associada à Cateter Vesical de Demora (ITU-AC). Ao revisar o processo de forma estruturada, o hospital passou a contar com um referencial técnico que possibilita reconhecer falhas potenciais, avaliar sua gravidade e estabelecer ações para reduzir ou eliminar riscos.
A aplicação do método FMEA envolveu equipe multiprofissional e permitiu identificar pontos críticos relacionados à indicação do procedimento, técnica de inserção, manutenção do dispositivo, registro das informações e critérios para retirada. Com base na análise, foram incorporadas melhorias ao protocolo institucional, reforçando a padronização das etapas, o acompanhamento das práticas assistenciais e a qualificação dos registros clínicos.
Para a enfermeira da UGQSP, Caroline Zottele Piasentin Giacomini, “revisar os processos de assistência em saúde, considerados rotineiros é importante para garantir intervenções seguras, executando as melhores práticas baseadas em evidências”. E acrescentou, “A pesquisa oportunizou a aplicação de um método que auxilia na incorporação da gestão de riscos assistenciais, temática que carece maior visibilidade no SUS para contribuir com a cultura de segurança do paciente”.
Além disso, Caroline destacou que “a posição estratégica dos enfermeiros na tomada de decisão para gestão de riscos relacionados à prática assistencial do processo, desde a inserção e o uso contínuo até a remoção do dispositivo. Os principais pontos críticos mapeados pela pesquisa, oportunizaram a revisão do protocolo de Prevenção de ITU-AC e do procedimento operacional padrão para inserção de cateterismo vesical de demora, com destaque para a recomendação de não testar o balonete da sonda vesical antes da inserção, pois o teste pode deformar o material e causar trauma, dor e sangramento na uretra do paciente durante ou após a inserção do dispositivo”.
Integração entre assistência, ensino e gestão
Além da revisão do protocolo, o estudo contribui para consolidar a cultura de análise proativa de riscos no HUSM. A utilização de uma metodologia estruturada para avaliar processos assistenciais amplia a capacidade institucional de revisar rotinas consideradas críticas, especialmente aquelas que envolvem maior risco ao paciente.
A iniciativa também fortalece a integração entre assistência, ensino e pesquisa, características dos hospitais universitários. Ao aplicar conhecimento científico na revisão de práticas cotidianas, a instituição amplia a confiabilidade dos processos de trabalho e reforça o compromisso com a segurança do paciente no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
Para a chefe do STGQ, Débora Luiza dos Santos, a pesquisa está alinhada às diretrizes institucionais de gestão de riscos e melhoria contínua. “Trata-se de um protocolo atualizado com base em uma ferramenta de gestão de riscos, elaborado de forma colaborativa com as equipes assistenciais e fundamentado nas evidências científicas mais recentes. Essa abordagem favorece a institucionalização do protocolo na prática profissional”, pontuou. Ela também destaca que a qualidade em saúde busca alcançar os melhores resultados com base no conhecimento científico atual, tendo a segurança do paciente como uma de suas dimensões essenciais.
Sobre a Ebserh
O HUSM-UFSM faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreia Pires
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh