Notícias
EVENTO
Os cuidados na hora de comunicar o diagnóstico aos paciente foi abordado por membros do Comitê de Bioética do hospital
Publicado em
20/11/2014 15h15
Atualizado em
16/07/2015 15h18
Que habilidades um profissional da saúde deve ter para informar a pacientes e familiares um diagnóstico? A resposta a essa pergunta ainda não chegou aos currículos da academia, mas foi muito bem formulada por três profissionais do Comitê de Bioética do HUSM na manhã de quinta-feira, durante a palestra Comunicação de Notícias Difíceis , na V Semana de Científica do Hospital.
A médica em Ginecologia e Obstetrícia, professora doutora Maria Teresa Campos Velho elencou as habilidades indispensáveis para comunicar-se bem. Segundo ela, sendo o médico um portador de diagnósticos – seja de morte, coma permanente, malformação ou doença crônica – ele precisa se preparar para comunicar tais informações ao paciente. Contudo, como fez questão de destacar, comunicar não é o mesmo que informar. Comunicar exige compromisso. Só comunica aquele que compartilha a informação e para isso precisa estar disposto a ficar ali, para ouvir o feedback, ou seja, ler pelas expressões faciais e corporais se aquele paciente ou familiar entendeu o que foi dito. Mais do que isso, ter disposição para sanar as dúvidas que possam surgir desse comunicado.
Para que essa mensagem seja decodificada com eficácia, nada de linguagem “mediques”. Termos técnicos, se estritamente necessários, devem ser explicados.
- Evitar o tecnicismo é fundamental. Conquistar a empatia do paciente também. Comece dizendo; “Hoje não trago boas notícias.” Isso ajuda a prepara-lo para ouvir o que está por vir – afirma Maria Teresa.
Mas cuidado: a postura corporal e os silêncios também comunicam. Pesquisam apontam que entre 60% e 70% das mensagens são decodificadas por comunicação não verbal.
A médica afirmou que o profissional deve sentar ao dar o diagnóstico, pois essa postura demonstra que ele não tem pressa em sair dali. Irá dispor do tempo necessário para orientar o paciente. Essa comunicação – bem lembra Maria Teresa – deve ser feita em local apropriado e, se o paciente permitir, o médico pode sim colocar na mão ou no seu ombro , demonstrando assim ternura e apoio perante o quadro.
O psicólogo e professor doutor do Curso de Psicologia da UFSM, Alberto Manoel Quintana, conceituou o que ele preferiu chamar de notícias difíceis e que outros profissionais denominam más notícias.
- É aquela notícia que altera drástica e negativamente a perspectiva do paciente em relação ao futuro – explicou Quintana.
Diante do pedido de alguns familiares para que o diagnóstico do paciente não seja revelado a ele, o psicólogo foi enfático:
- A decisão de calar o diagnóstico não faz desaparecer a verdade – disse.
Quintana deixou claro que o dever do profissional é “falar tudo que o paciente quer saber e somente o que o paciente quer saber.” O que ele quis dizer com isso? Que a informação pertence ao paciente e não ao médico. Então, nada de esconder diagnóstico mas também nada de informar mais que o necessário com o intuito de ser cruel com o paciente.
O psicólogo também enfatizou que o profissional precisa estar disposto a escutar o paciente. Nada de comunicar sobre a doença, virar as costas e ir embora.
- A má notícia tem que ser seguida de um plano de tratamento explicativo. Mesmo em casos irreversíveis ainda há o tratamento paliativo – disse o Psicólogo.
O médico oftalmologista, professor doutor da UFSM, Álvaro Garcia Rossi , evidenciou as fragilidades existentes nessa relação médico/paciente através da apresentação de cinco vídeos com trechos de filmes, discutindo com os presentes em que momentos cada um dos atores acertou ou errou na comunicação de diagnósticos. Quer fazer o teste sozinho? Busque na internet o Protocolo Spiker – protocolo de seis etapas criado pela Sociedade Americana de Oncologia que serve como uma espécie de “bússola” para a comunicação de más notícias - e assista em casa os filmes indicados pelo Dr. Rossi: Um golpe do destino (The Doctor); Uma lição de vida; Minha vida sem mim; Laços de Ternura e o recém lançado O que fazer?
A médica em Ginecologia e Obstetrícia, professora doutora Maria Teresa Campos Velho elencou as habilidades indispensáveis para comunicar-se bem. Segundo ela, sendo o médico um portador de diagnósticos – seja de morte, coma permanente, malformação ou doença crônica – ele precisa se preparar para comunicar tais informações ao paciente. Contudo, como fez questão de destacar, comunicar não é o mesmo que informar. Comunicar exige compromisso. Só comunica aquele que compartilha a informação e para isso precisa estar disposto a ficar ali, para ouvir o feedback, ou seja, ler pelas expressões faciais e corporais se aquele paciente ou familiar entendeu o que foi dito. Mais do que isso, ter disposição para sanar as dúvidas que possam surgir desse comunicado.
Para que essa mensagem seja decodificada com eficácia, nada de linguagem “mediques”. Termos técnicos, se estritamente necessários, devem ser explicados.
- Evitar o tecnicismo é fundamental. Conquistar a empatia do paciente também. Comece dizendo; “Hoje não trago boas notícias.” Isso ajuda a prepara-lo para ouvir o que está por vir – afirma Maria Teresa.
Mas cuidado: a postura corporal e os silêncios também comunicam. Pesquisam apontam que entre 60% e 70% das mensagens são decodificadas por comunicação não verbal.
A médica afirmou que o profissional deve sentar ao dar o diagnóstico, pois essa postura demonstra que ele não tem pressa em sair dali. Irá dispor do tempo necessário para orientar o paciente. Essa comunicação – bem lembra Maria Teresa – deve ser feita em local apropriado e, se o paciente permitir, o médico pode sim colocar na mão ou no seu ombro , demonstrando assim ternura e apoio perante o quadro.
O psicólogo e professor doutor do Curso de Psicologia da UFSM, Alberto Manoel Quintana, conceituou o que ele preferiu chamar de notícias difíceis e que outros profissionais denominam más notícias.
- É aquela notícia que altera drástica e negativamente a perspectiva do paciente em relação ao futuro – explicou Quintana.
Diante do pedido de alguns familiares para que o diagnóstico do paciente não seja revelado a ele, o psicólogo foi enfático:
- A decisão de calar o diagnóstico não faz desaparecer a verdade – disse.
Quintana deixou claro que o dever do profissional é “falar tudo que o paciente quer saber e somente o que o paciente quer saber.” O que ele quis dizer com isso? Que a informação pertence ao paciente e não ao médico. Então, nada de esconder diagnóstico mas também nada de informar mais que o necessário com o intuito de ser cruel com o paciente.
O psicólogo também enfatizou que o profissional precisa estar disposto a escutar o paciente. Nada de comunicar sobre a doença, virar as costas e ir embora.
- A má notícia tem que ser seguida de um plano de tratamento explicativo. Mesmo em casos irreversíveis ainda há o tratamento paliativo – disse o Psicólogo.
O médico oftalmologista, professor doutor da UFSM, Álvaro Garcia Rossi , evidenciou as fragilidades existentes nessa relação médico/paciente através da apresentação de cinco vídeos com trechos de filmes, discutindo com os presentes em que momentos cada um dos atores acertou ou errou na comunicação de diagnósticos. Quer fazer o teste sozinho? Busque na internet o Protocolo Spiker – protocolo de seis etapas criado pela Sociedade Americana de Oncologia que serve como uma espécie de “bússola” para a comunicação de más notícias - e assista em casa os filmes indicados pelo Dr. Rossi: Um golpe do destino (The Doctor); Uma lição de vida; Minha vida sem mim; Laços de Ternura e o recém lançado O que fazer?