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SETEMBRO DOURADO
Médica geneticista do HUSM orienta pais a como identificar primeiros sinais do câncer infantil
Médica Geneticista do HUSM e fundadora da Turma do Ique, Virgínia Coser, para esclarecer dúvidas sobre a doença
O mês de setembro é dedicado a orientações para o diagnóstico precoce do câncer infantil. Mas durante todo ano pais e responsáveis devem estar atentos às queixas repetidas de dor, inchaço e manchas que persistem. No Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), por ano, são diagnosticados em média 170 novos casos de câncer infantil. As chances de cura são grandes: cerca de 80%. Mas, para isso, o diagnóstico precoce é fundamental. A doença precisa ser identificada o quanto antes e o olhar atento dos pais é necessário para essa descoberta. Anexo ao HUSM há o Centro de Convivência Turma do Ique que recebe crianças que realizam tratamento contra o câncer infantil no hospital. A equipe de jornalismo da Unidade de Comunicação conversou com a Médica Geneticista do HUSM e fundadora do Turma do Ique, Virgínia Coser, para esclarecer dúvidas sobre a doença. Confira:
Qual a diferença da prevenção entre câncer infantil e câncer adulto?
A diferença entre os cânceres adulto e infantil é que no infantil a prevenção é o diagnostico precoce. Portanto quanto antes a doença for diagnosticada, maiores as chances de cura.
O tratamento nas crianças é o mesmo feito em adultos?
A maioria sim. Eles podem receber quimioterapia, radioterapia, sempre dependendo do tipo de tumor. O tempo médio de tratamento é em torno de um ano e meio a dois anos.
Quais sinais de queixa os pais devem ficar atentos nas crianças?
Os pais devem ficar atentos a manchas, caroços no pescoço, na região da axila e região inguinal (próximo a clavícula).
Quais exames devem ser feitos na criança?
Os exames que precisam ser feitos dependem da suspeita diagnóstica. Podem ser no sangue, radiografias, as vezes até biopsia (pequenas cirurgias) para poder ser definido se é ou não algum tumor e de qual tipo. É muito importante ter um diagnóstico preciso para dar o tratamento adequado ao paciente.
Quais tipos de câncer são mais comuns na infância?
As leucemias são os principais, seguidos pelos linfomas, os do sistema nervoso central e os neuroblastomas (tumor de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal), tumor de Wilms (tipo de tumor renal), tumores ósseos, retinoblastoma (afeta a retina, fundo do olho). Existe uma vasta gama de tipo de câncer que podem ser tratados e que tem uma chance de cura de ate 80% dos casos, dependendo do tipo histológico, do tempo em que foram diagnosticados.
Quais são os fatores que causam câncer infantil?
O Câncer tem uma origem multifatorial. Em geral é uma alteração da genética celular, daquele tecido acometido pela doença. Alguns são genéticos de origem familiar, como por exemplo, o câncer de mama. Esse tipo de câncer também tem no infantil, mas em menor escala. Entender esta diferença é importante porque algumas alterações genéticas celulares definem o tratamento pois atualmente temos medicações que são específicas para estas alterações genéticas da célula.