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TRANSFERÊNCIA DE PACIENTES
HUSM reúne hospitais cadastrados para oferecer leitos de retaguarda e avalia as primeiras transferências
A Superintendência do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) reuniu, na última terça-feira (30), secretários de saúde dos municípios e equipes diretivas dos hospitais que tiveram os leitos cadastrados pelo Estado para receber pacientes do Hospital Universitário. O objetivo do encontro, que aconteceu durante a tarde no auditório Londero, foi avaliar como ocorreu o processo de transferência dos 25 primeiros pacientes. Desde 10 de agosto, a Secretaria de Saúde do Estado – por meio da 4ª Coordenadoria Regional de Saúde – autorizou a transferência, após se comprometer com aporte financeiro para os hospitais que estão recebendo esses pacientes, por meio de nota técnica.
A superlotação do Pronto-Socorro do HUSM não é novidade para a população, menos ainda para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e para o corpo clínico do hospital. A situação, que vem se agravando desde o ano passado, foi motivo de reuniões com o Ministério Público, Governo do Estado e políticos da Região. Uma das alternativas propostas pelo grupo foi o credenciamento de hospitais que pudessem oferecer leitos para pacientes atendidos e estabilizados pelo HUSM. Até terça-feira, 30 de agosto, Faxinal do Soturno, São Vicente do Sul e São Pedro do Sul já tinham recebido 25 pacientes.
- Os hospitais da região não querem perder a oportunidade de construir um fluxo definitivo para receber os pacientes do HUSM, visto que estão com a estrutura ociosa. A proposta é que fique internado no hospital universitário quem realmente precisa, ou seja, pacientes de alta complexidade – afirmou Soeli Guerra, gerente de Atenção à Saúde do HUSM.
Segundo Soeli, os três hospitais que já receberam pacientes estão empenhados e oferecendo atendimento adequado. Não foi relatada nenhuma dificuldade para o atendimento dos 25 primeiros pacientes encaminhados.
Quinta-feira (2), a equipe do HUSM fez uma visita técnica no hospital de Júlio de Castilhos em busca de novos leitos. O hospital já está habilitado para receber pacientes do HUSM.
Isso significa que esses hospitais atenderam os pré-requisitos da Nota Técnica e contam com uma equipe composta por médico, enfermeiro e técnico/auxiliar de enfermagem, além de laboratório de análises clínicas e serviço de radiologia (Raio–X). Em contrapartida receberão um incentivo de R$ 170 por leito/ dia ocupado por até 10 dias. Após esse prazo, será repassado somente o valor da Autorização de Internação Hospitalar (AIH). Novas transferências devem acontecer nos próximos dias.
- Identificamos no período mais de 50 pacientes que poderiam ter sido encaminhados, mas sem a concordância da família, a transferência não é efetivada - garante Soeli.
Uma situação que tem interferido na transferência dos pacientes e desagradando os familiares, de acordo com a equipe de Emergência do Pronto-Socorro do HUSM, é a demora no transporte por parte da Secretaria de Saúde de Santa Maria. É que, segundo a 4ª CRS, o transporte dos pacientes do hospital universitário para os leitos de retaguarda é de responsabilidade do município de origem do paciente e, atualmente, 60% deles são de Santa Maria.
- Ainda é um grande problema equacionar a questão do transporte dos pacientes que são de Santa Maria. O transporte demora ou não vem - afirma Salvador Penteado, chefe da Divisão de Gestão do Cuidado do HUSM.
Outra questão que preocupa é a restrição do perfil dos pacientes, definido pelo protocolo recebido da Central de Regulação Estadual. O HUSM trabalhava até 25 de agosto com critérios técnicos e clínicos definidos entre os profissionais do hospital universitário e dos hospitais de leitos de retaguarda.
- Os critérios definidos pela Central de Regulação são mais restritos e não são adequados para nossa realidade, visto que não abrangem realmente os pacientes que poderiam ser transferidos, usando como base os critérios estabelecidos pelo HUSM e quem vinham sendo aplicados até então, sem problemas ou críticas dos hospitais ou dos próprios usuários – explica VivaKanand Satram, chefe do Setor de Urgência e Emergência do HUSM.
De acordo com a Nota Técnica, divulgada dia 8 de agosto, o Estado ofereceu apoio “em caráter excepcional e temporário para os meses de agosto, setembro e outubro de 2016, através do custeio e regulação de 40 leitos clínicos para retaguarda”, preferencialmente, para pacientes do HUSM.