Notícias
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
HUSM realiza evento alusivo ao Dia do Pé Torto Congênito
Bando de imagens Pixabay
Santa Maria (RS) - O Pé Torto Congênito (PTC), também chamado de pé equinovaro congênito, é uma deformidade ortopédica presente ao nascimento que afeta um a cada mil bebês. Ele se caracteriza por quatro componentes principais: equino (pé apontado para baixo), varo (calcanhar desviado para dentro), cavo (aumento do arco plantar), adução do antepé (ponta do pé voltada para dentro). É uma deformidade estrutural, ou seja, afeta ossos, músculos, tendões e articulações, principalmente do pé e tornozelo.
O Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), oferece atendimento especializado para o tratamento do pé torto congênito, principalmente por meio do Serviço de Ortopedia Pediátrica, que segue o método de Ponseti. O hospital conta com equipe qualificada e realiza atendimentos ambulatoriais, procedimentos de tenotomia ( pequena cirurgia no tendão calcâneo) e demais cirurgias quando necessário.
Além disso, o HUSM promove eventos e campanhas de conscientização, como o evento “Pequenos Passos, Grandes Conquistas”, alusivo ao Dia Mundial do Pé Torto Congênito (03 de junho), reforçando seu compromisso com a saúde infantil e a educação em saúde.
O evento deste ano será realizado no dia 09 de junho, no auditório do Gulerpe (no HUSM). É aberto para profissionais da saúde, pacientes, familiares, estudantes e comunidade em geral, e terá início às 8h, com o acolhimento dos participantes. Na sequência serão realizadas a palestra “O que é o Pé Torto Congênito?”, com o ortopedista e traumatologista do HUSM Vanderson Roso e a técnica de enfermagem Luci Helena Soares da Silva; uma roda de conversa com os ortopedistas do HUSM Humberto Moreira Palma, Vanderson Roso e Cleber Lotti; a fisioterapeuta Naiane Machado Fontoura; a coordenadora da Política de Saúde da Criança, Laís Alves; a médica intensivista pediátrica Marinez Josefina Cassarotto; a técnica de enfermagem Luci Helena Soares; e um representante da 10ª Coordenadoria Regional de Saúde.
Também serão realizadas atividades lúdicas para as crianças, das 8h às 12h, como contação de histórias, brincadeiras inclusivas, dinâmicas para fortalecer o vínculo familiar durante o tratamento e atividades livres de desenhos, com a professora associada do Departamento de Pedagogia da UFMS Jane Schumacher.
Para explicar melhor essa condição de saúde, entrevistamos o ortopedista e traumatologista do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM-UFSM/Ebserh) Vanderson Roso.
O Pé Torto Congênito é sempre uma condição genética? Pode ocorrer por outros fatores pós-nascimento?
Não é exclusivamente genética. O pé torto congênito pode ter causas multifatoriais, como genéticas/hereditárias (especialmente quando há histórico familiar), ambientais e intrauterinas, como restrição de espaço no útero, oligoidrâmnio (volume de líquido amniótico abaixo do esperado para idade gestacional) ou má posição fetal. Além de síndromes ou doenças neuromusculares. Em alguns casos, está associado a condições como artrogripose (múltiplas contraturas articulares) ou mielomeningocele (má formação congênita na coluna vertebral).
Não é considerado uma condição adquirida pós-nascimento. Quando o pé torto aparece depois do nascimento (o que é raro). Nesse caso, deve-se investigar causas neurológicas ou traumáticas.
É possível prevenir o pé torto durante a gestação?
Não há métodos eficazes de prevenção conhecidos, pois a maioria dos casos é idiopática (sem causa definida). No entanto, alguns fatores de risco podem ser monitorados no pré-natal: como diagnóstico precoce por ultrassonografia obstétrica, geralmente a partir da 20ª semana; controle de doenças maternas e uso de ácido fólico podem reduzir algumas malformações, embora não haja associação direta comprovada com o pé torto congênito.
Quais os tratamentos?
O tratamento padrão ouro atualmente é o método de Ponseti, que consiste em séries de gessos seriados para correção progressiva da deformidade, tenotomia do tendão de Aquiles (pequena cirurgia) na maioria dos casos, uso de órtese de abdução (bota e barra de Dennis Browne) após correção para evitar recidivas (reaparecimento, recorrência). Esse tratamento deve começar, preferencialmente, nos primeiros dias ou semanas de vida.
É preciso fazer cirurgia?
Cirurgias extensas não são mais a abordagem preferida. O método de Ponseti reduziu drasticamente a necessidade de grandes cirurgias. No entanto, pequenas intervenções, como a tenotomia do tendão de Aquiles, são comuns e fazem parte do protocolo. Casos negligenciados ou recidivantes podem necessitar de cirurgias maiores, como liberação posterior ampla ou osteotomias (procedimento cirúrgico para correção óssea).
O tratamento exige acompanhamento de equipe multidisciplinar? Se sim, de quais profissionais?
Sim, especialmente nos seguintes contextos: ortopedista pediátrico (fundamental), fisioterapeuta (reforço motor e adequação funcional, especialmente após uso de órtese), enfermeiro/pediatra (acompanhamento clínico, apoio aos pais), psicólogo (em casos de impacto emocional familiar ou em adolescentes com recidivas) e assistente social (em famílias em vulnerabilidade, para garantir adesão ao tratamento).
Em síndromes associadas, o acompanhamento com neuropediatra ou geneticista pode ser necessário.
Rede Ebserh
O HUSM-UFSM faz parte da Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Rede Ebserh) desde dezembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
