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Atenção integral e multiprofissional
HUSM irá implantar Centro de Referência ao Atendimento Infanto-Juvenil (CRAI) para vítimas de violência sexual
De acordo com os registros da Polícia Civil, a cada três horas, uma criança ou adolescente é vítima de abuso sexual no Rio Grande do Sul. Para dar mais celeridade no atendimento e maior proteção a essas vítimas, o Governo do Estado em parceria com órgãos de proteção e defesa da criança e adolescente criou o Centro de Referência ao Atendimento Infanto-Juvenil (CRAI).
No dia 20 de maio, está prevista implantação no Hospital Universitário de Santa Maria do sexto CRAI do Estado. O serviço multidisciplinar atende casos de suspeita ou confirmação de abuso sexual de crianças e adolescentes de zero a 18 anos. O atendimento ininterrupto – 24h por dia, 7 dias por semana – será oferecido via centro obstétrico, pronto socorro pediátrico e ambulatório do hospital universitário.
Em único local, o CRAI disponibiliza atenção integral e multiprofissional para as vítimas de abuso. Oferta atendimento de saúde com medidas profiláticas (prevenção de doenças sexualmente transmissível e contracepção de emergência) e promove o acolhimento para a escuta qualificada (em espaço protegido para preservar a identidade e privacidade das vítimas), bem como viabiliza a realização de boletim de ocorrência, perícia física e psíquica, se assim indicado.
Para buscar o serviço, não é necessário que a vítima tenha feito registro policial. Os profissionais do CRAI irão acionar a Polícia Civil para realização do boletim de ocorrência. E, se a polícia julgar necessário, ela irá solicitar auxílio do Instituto Geral de Perícias (IGP) para coleta de vestígios. Evitando assim a revitimização e exposição da criança e do adolescente, para que ela não tenha que recontar a história do abuso sofrido, peregrinando pelos serviços.
O CRAI do HUSM irá atender os 33 municípios da região da 4ª Coordenadoria Regional de Saúde. Na tarde de quarta-feira, 07, secretários de saúde e representantes desses municípios, bem como do Ministério Público, da Delegacia Regional da Polícia Civil, do Instituto Geral de Perícias e da Gestão do HUSM, além de profissionais de saúde e da proteção, se reuniram no Auditório Gulerpe, no Hospital Universitário, para finalizar os fluxos de atendimento.
- Além das portas de entrada para os casos agudos, em que o abuso ocorreu em até 72h, via pronto-socorro pediátrico e centro obstétrico, teremos outros dois turnos de acolhimento. Esses são para situações crônicas (casos recorrentes), na segunda e na sexta-feira, com atendimento por livre demanda e por agendamento – explica a enfermeira Berenice Rodrigues, chefe da Divisão do Cuidado.
No mês de março, iniciam as capacitações com os novos residentes e as equipes de enfermagem do pronto-socorro e do Centro Obstétrico. Também está agendada capacitação com as profissionais de saúde cedidas pelo município de Santa Maria, para acompanhar o funcionamento do serviço de atendimento à violência sexual.
O Delegado Regional da Polícia Civil, Sandro Meinerz, lembrou que esse é um crime que ocorre no âmbito familiar e que a violência sexual contra criança e adolescente é uma chaga na nossa sociedade.
- É um passo extremamente importante que estamos dando hoje. O CRAI é uma ferramenta muito importante, porque irá oferecer o que a vítima mais precisa: proteção e acolhimento. Isso é que vai dar segurança para que as vítimas que hoje estão em silêncio tenham coragem de vir até aqui e denunciar. O autor da violência sexual precisa ser responsabilizado. Do contrário, ele vai repetir.
O CRAI Santa Maria, que será sediado no HUSM, é uma ação conjunta entre a Secretaria Estadual de Saúde, 4ª CRS, Secretaria Estadual de Segurança Pública, Ministério Público Estadual e HUSM/UFSM/EBSERH. A data escolhida para o início do serviço faz referência ao dia 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao abuso e à exploração sexual contra criança e adolescentes.