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HUSM comemora 3º ano de atuação da enfermagem em navegação no CTMO
Santa Maria (RS) – Profissional dedicado a facilitar e acelerar a jornada do paciente numa unidade de saúde. Em linhas gerais, esse é o conceito do enfermeiro navegador, função que já está em atuação no Centro de Transplante de Medula Óssea (CTMO) do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM-UFSM) há três anos. Os pacientes são beneficiados, ganhando com a agilização de exames e procedimentos até a realização do transplante e a consequente alta hospitalar.
“Esse é um atendimento de excelência do HUSM. Todo mundo é muito bom: da portaria até o atendimento da Enfermagem, com toda essa estrutura à nossa disposição. É tudo 100%, do material humano, da estrutura física do hospital, das medicações e tudo”, agradece a paciente transplantada, Catarina Severo, de 49 anos. Ela é uma das 60 pessoas atendidas pela enfermagem em navegação do CTMO.
A enfermeira navegadora é uma facilitadora, que destrava barreiras, agiliza acessos e informa sobre o andamento do tratamento no HUSM. “Os pacientes e seus familiares criam um canal de confiança e acessibilidade com a enfermeira de navegação, buscando orientações e sanando dúvidas por WhatsApp ou nas consultas de enfermagem pré e pós TMO realizadas no serviço, sendo a enfermagem em navegação um ponto de ligação do usuário com os demais membros da equipe multidisciplinar”, explica a enfermeira navegadora do CTMO do HUSM, Simone Nunes.
Para a chefe da Divisão de Gestão do Cuidado do HUSM, Berenice Rodrigues, que também é enfermeira, o profissional da enfermagem em navegação é estratégico. “Na linha de cuidado, a enfermeira navegadora acompanha todo o itinerário terapêutico do paciente e intervém quando necessário, para que o tratamento aconteça em tempo oportuno, minimizando riscos controláveis, acolhendo paciente e família, melhorando a adesão ao tratamento, reduzindo a ansiedade por meio da orientação e apoio constantes; ou seja, contribui para um tratamento seguro, qualificado e humanizado”, pontua.
Por meio desse serviço, os pacientes têm acesso a informações sobre os tipos de transplantes (alogênico e autólogo), orientações para acompanhantes e de alta com entrega de material impresso para o paciente e seu familiar. “Estamos criando um e-book para transformar este material em digital e fornecer de uma maneira mais acessível para o usuário. Estamos também iniciando uma agenda de Teleconsulta de Navegação em Enfermagem para pacientes de cidades distantes do serviço”, completa Simone Nunes.
Para um paciente que necessita de um Transplante de Medula Óssea, muitas vezes a janela do período que ele fica sem doença e apto para fazer o transplante é um espaço de tempo muito pequeno. “Todos os encaminhamentos e avaliações pré-TMO precisam ser realizados de forma rápida e segura, em um curto período, daí a importância dessa coordenação da enfermagem em navegação para conectar com os demais profissionais da equipe multiprofissional. Isso gera uma redução nos atrasos nos acessos aos serviços especializados necessários para o TMO e proporciona um atendimento personalizado durante a trajetória pré e pós-transplante”, afirma o chefe da Oncologia, Gustavo Fischer.
Atenção que dá resultado
O acompanhamento vai além do período da internação. Quando o paciente recebe alta, a enfermeira navegadora Simone Nunes passa as orientações necessárias e faz visitas domiciliares para avaliar as condições de moradia. Quando o paciente mora fora de Santa Maria, a visita é feita pelos profissionais do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) dos municípios.
Entre os principais resultados da enfermagem em navegação, destaca-se o aumento no número de transplantes realizados por ano, subindo de 4 por ano e apenas autólogo (medula do mesmo indivíduo), na média entre 2017 e 2021, para 24 transplantes entre autólogos e alogênicos (com a medula de um doador), em 2023.
“Acreditamos também que o trabalho da enfermagem em navegação favoreceu a chegada do paciente o mais rápido possível na etapa do transplante e contribuiu com o baixo número de reinternações no pós-transplante, ficando abaixo de 5% a taxa daqueles pacientes que tiveram complicações no pós-transplante”, afirma Simone Nunes.
O início no HUSM
A enfermeira navegadora do HUSM, Simone Nunes, explica que em 2021, quando as atividades do CTMO do HUSM foram retomadas (após a fase mais grave da pandemia de covid-19), havia muita demanda pelo procedimento. Aliada às peculiaridades dos pacientes candidatos ao transplante, essa demanda gerava a necessidade de um ambulatório pré e pós-transplante para atendimento.
“A gerente de Enfermagem do HUSM na época, Suzinara Lima, e a enfermeira referência do CTMO, Jaqueline Scalabrin da Silva, com o médico transplantador, Gustavo Fischer, buscavam uma abordagem científica que melhorasse a experiência do paciente no percurso desde a indicação do transplante até depois da alta hospitalar e que esse caminho acontecesse no menor tempo possível. Eles lembraram do meu nome para essa atividade em razão da minha experiência de 27 anos com esse tipo de transplante", explica a enfermeira navegadora, que, na época, havia acabado de concluir o doutorado nessa temática, abordando o cuidado ecossistêmico de enfermagem com esse paciente.
Berenice Rodrigues ressalta que a enfermagem em navegação do CTMO foi estruturada a partir de experiências nacionais e internacionais. “O nosso serviço levou em consideração as referências dos Estados Unidos e Canadá, que são os pioneiros na atividade, mas, como prática, o serviço foi baseado em hospitais do Brasil com a enfermagem em navegação já consolidada, como o AC Camargo e o Albert Einstein. Além disso, baseou-se em artigos de referência da área produzidos nos últimos 5 anos por autores brasileiros e internacionais”, destaca a chefe da Divisão de Gestão do Cuidado do HUSM.
Mais sobre a enfermagem em navegação
A prática da enfermagem em navegação surgiu nos Estados Unidos para agilizar os atendimentos oncológicos, no final dos anos 1980, em Nova Iorque (EUA). A prática pode ser adotada em outras especialidades, tanto que, em janeiro deste ano, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) oficializou a primeira normatização sobre o tema. Atualmente, já existem cursos de especialização para os enfermeiros interessados nesse campo de prática.
Sobre a Ebserh
O HUSM-UFSM faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Moisés de Holanda, com revisão de Danielle Campos