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Artista que criou painel na fachada do HUSM visita a obra
O artista plástico peruano Juan Torres Amoretti fez uma visita técnica ao Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), na tarde de quinta-feira, 18, a convite do superintendente do hospital, Humberto Palma, e da equipe da Divisão de Logística e Infraestrutura.
Os engenheiros e o arquiteto identificaram rachaduras em parte dos blocos que compõem o painel O Corpo Humano, de autoria do artista – principalmente os fixados em cima das juntas de dilatação do prédio. A exposição ao sol e chuva pode ter contribuído para o desgaste da obra, que completou 24 anos em abril. Durante a vistoria, Amoretti recordou o processo de criação e explicou o significado de algumas peças.
- Aqui está o cérebro, os olhos, os pés, aqui simbolizados por dois pássaros. Aqui está o momento da fecundação, a gestação – apontava ele enquanto percorria o painel acompanhado do engenheiro civil Rutinaldo da Conceição e do arquiteto Rodrigo Dieguez Ferreira.
Para surpresa da equipe técnica o artista relatou que, no projeto original, a cor das peças era dourada e não preta, como está atualmente. A volta a cor original será prevista no projeto de restauração, que vai ser solicitado pela superintendência.
Amoretti visitou também o painel A Criança – tinta acrílica sobre alvenaria – feito por ele e os alunos Altamir Moreira, Lincoln Rath, Marcelo Barcelos e Valdete Adriana Miranda, no Centro Obstétrico, no subsolo do hospital. A obra é de 1995.
- O sol e a lua - representados no painel da fachada - também estão presentes nesse painel. No pensamento da cultura Inca, eles são deuses que dão vida nessa terra – revelou o artista.
A obra - O painel O corpo Humano, tem 540m², numa extensão de 140m. É formado por 234 peças de concreto, que compõem três grandes painéis na fachada do Hospital Universitário.
Segundo o artista, entre a apresentação da proposta, a aprovação do projeto pelo hospital e a execução da obra, foram cerca de 9 meses.
"O HUSM é o único hospital no Brasil que tem um mural na fachada. A obra foi à pedido do Dr Antero Scherer. Deu um trabalho enorme, mas foi muito gratificante. As peças foram todas feitas com cimento e areia. Moldei com a pá de pedreiro para dar forma e volume. Para que cada uma ficasse no local exato, desenhei toda fachada do hospital com giz " recorda Amoretti, durante entrevista à Unidade de Comunicação em ocasião do lançamento do álbum de memórias dos 50 anos do HUSM.
Para transportar as peças da oficina - criada nos fundos do hospital - até a frente, foi preciso fragmentá-las, devido ao peso. Cada pedaço ficou com cerca de 40 cm para que um homem pudesse carrega-las. Enquanto isso, a fachada era perfurada para fixação de pinos que iriam dar sustentação as peças.