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INICIATIVA INOVADORA
Ala Psiquiátrica do HUSM ganhou sala especial para interação entre mãe internadas e seus filhos
Durante o seu mestrado profissional em Saúde Materno-infantil na Universidade Franciscana (UFN), o enfermeiro Ricardo Lied precisava elaborar um produto final para a sua dissertação. Nas reuniões semanais [da Ala Psiquiátrica] foram coletadas sugestões iniciais para identificação da demanda e delineamento do produto.
E foi então que surgiu a ideia de criar o “Mania de Brincar”, um espaço lúdico e acolhedor dentro do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), onde mães internadas para tratamento psiquiátrico pudessem receber a visita dos seus filhos.
Para preencher a sala branca e vazia do Ambulatório da Psiquiatra localizada no subsolo do Hospital, Ricardo foi em busca de doações de amigos e também comprou objetos como tapete, jogos, caixa de som, brinquedos, quadros, papel de parede e quadro de giz para divertir as crianças.
- O nome foi escolhido associando o termo “Mania” que é um sintoma no âmbito da psicopatologia ao gosto/prazer de brincar - explica Lied.
Durante a dissertação, o enfermeiro entrevistou sete mães e também pediu que os colegas que passassem na sala, avaliassem o nível de interação mãe-filho para saber se o espaço estava cumprindo seu papel. Enquanto fazia suas pesquisas, o enfermeiro descobriu que a iniciativa era pioneira.
- Essa sala de ambiência, em unidade psiquiátrica em hospital, para receber mãe e criança, não tem no Brasil e nem na América Latina - conta ele.
Espaços parecidos com esse funcionam em países da Ásia e Europa, mas de uma forma um pouco diferente, pois nelas ocorrem internações conjuntas de mãe e filho.
No espaço do “Mania de brincar” cabem em torno de 10 a 12 pessoas. E, além dos familiares dos pacientes, que só podem frequentar o espaço de visitas aos sábados, durante a semana, as crianças que são atendidas no ambulatório para exames de eletroencefalograma e/ou consultas com a psicóloga, também podem utilizar o espaço.
Segundo o idealizador, a iniciativa atingiu os resultados esperados.
- Teve impacto na internação, porque elas se sentiram bem mais motivadas. Das sete entrevistadas, seis tinham risco de suicídio, e nenhuma delas chegou a ser internada novamente - recorda Lied.