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FEVEREIRO LARANJA
Médicos da Ebserh destacam papel do SUS no combate à leucemia
O mês de fevereiro traz uma campanha de atenção à leucemia e ao diagnóstico precoce deste conjunto de doenças que pode acometer pessoas de todas as idades. Para reforçar o alerta, especialistas da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) falam sobre as características e os tipos de leucemia, apontam os principais desafios e destacam o papel do Sistema Único de Saúde (SUS), que é recordista em transplantes de células-tronco hematopoiéticas (TCTH), ou transplante de medula.
A médica hematologista, responsável técnica do Serviço de Hematologia do Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC/Ebserh), Giovanna Stefenello, explicou que os tratamentos para leucemia evoluíram bastante nos últimos anos e que no SUS os pacientes recebem tratamentos de acordo com suas necessidades.
Segundo ela, o HU-UFSC oferece quimioterapia, imunoterápicos e medicamentos orais. Também desenvolve pesquisa com pacientes que não são candidatos a transplante de medula óssea ou a terapias mais fortes e que podem ser tratados com remédios orais para ter uma melhor qualidade de vida. “Tem muita coisa que a gente ainda tem que evoluir e vejo a importância dos hospitais universitários neste cenário, por um lado de incentivo à pesquisa, incentivo à formação médica e educação continuada, sempre promovendo o ensino e a pesquisa”, disse.
Tratamento é definido com base no tipo de doença
O hematologista do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes/Ebserh), Diego Rainer Caribé, explicou que a leucemia é genericamente conhecida como um câncer das células do sangue, que são produzidas pela medula óssea, um tecido esponjoso localizado no centro de alguns ossos.
Segundo ele, o Hucam-Ufes/Ebserh é referência para o tratamento de neoplasias hematológicas e tem pacientes com os quatro tipos de leucemias: mieloide aguda (LMA), mieloide crônica (LMC), linfoide aguda (LLA) e linfoide crônica (LLC). Os tratamentos
variam conforme a classificação da doença e, apesar dos desafios serem grandes, o leque de opções oferecido no SUS tem garantido resultados positivos.
“Temos um caso recente de uma paciente jovem de 20 anos com leucemia promielocítica aguda (um subtipo de leucemia mieloide aguda), sendo que o tratamento consistiu em droga oral alvo e quimioterapia venosa. O tratamento é todo disponível pelo SUS e atualmente a paciente está em remissão da doença e em fase de quimioterapia de manutenção”. No Hucam, os pacientes que encerram o tratamento quimioterápico tocam um sino para comemorar o desafio superado.
Hospital oferece cuidado multidisciplinar
O chefe da Unidade de Hematologia e Hemoterapia do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC/Ebserh), Fernando Barroso, explicou que um dos principais critérios para definição do tratamento - não somente das leucemias, mas do câncer de uma maneira geral - é a condição física do paciente.
Segundo ele, há um percentual razoavelmente elevado de pacientes acima de 50, 60 anos, por isso, é importante a avaliação geriátrica ampla, que é o que permite ter uma ideia clara de como esse indivíduo vai tolerar aquele tratamento. “Muitas vezes ele tem comorbidades, como problemas cardíacos, problemas renais ou mesmo diabetes, e que, às vezes, dificultam o tratamento de uma maneira mais eficiente”, disse o médico, que também é presidente da Sociedade Brasileira de Terapia Celular e Transplante de Medula Óssea (SBTMO).
Segundo Barroso, esse cuidado traduz um aspecto importante da assistência no CH-UFC, que é esse olhar para as características e necessidades individuais do paciente, com um atendimento multidisciplinar. “Estamos atentos a questões odontológicas, psicológicas, à saúde mental do paciente, à parte da farmácia com informações sobre o uso dos medicamentos, fisioterapia, terapia ocupacional, enfermagem com o contato direto com o paciente, serviço social e todos os profissionais envolvidos direta ou indiretamente que corroboram para que a gente cuide desse doente como um todo”, disse.
O médico destacou que com uma política pública de diagnóstico precoce é possível evitar que os pacientes cheguem aos serviços de saúde já com a doença em estado avançado, necessitando de tratamentos e medicamentos mais caros.
Profissional recebeu homenagem por serviços prestados
O médico do Hospital da Ebserh no Ceará foi o vencedor do Prêmio Serviços Distintos 2025, promovido pela Sociedade Americana de Transplante e Terapia Celular (ASTCT - American Society for Transplantation and Cellular Therapy), em parceria com o Centro de Pesquisa Internacional sobre Transplantes de Sangue e Medula (CIBMTR - Center for International Blood and Marrow Transplant Research). Este prêmio elege, a cada edição, uma personalidade que contribui com o aperfeiçoamento da área do transplante de medula óssea no mundo.
“Sabemos que há outros serviços tão relevantes quanto o nosso, e o fato de nós sermos escolhidos demonstra, de certa forma, o trabalho que a gente vem fazendo ao longo desses últimos 16 anos. É um reconhecimento não só para o Ceará, mas também para o Brasil e para a América Latina”, disse.
Rede Ebserh
O HU-UFSC faz parte da Rede Ebserh desde março de 2016. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.