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SAÚDE PÚBLICA
HU-Furg e Laboratório de Micologia promovem ciclo de palestras sobre Esporotricose
Rio Grande (RS) – Na tarde desta quarta-feira (02/10), o Laboratório de Micologia (LabMico) da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e o Serviço de Atendimento Especializado em Infectologia (SAE Infectologia) do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. (HU-Furg), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), promoveram o ciclo de palestras: “Esporotricose Humana em 2024: Notificação Compulsória no RS”. O evento, realizado no Anfiteatro Prof. Vicente Mariano Pias, reuniu mais de 80 profissionais do Hospital e das Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Rio Grande, além de acadêmicos da área da saúde.
O objetivo foi aprimorar o conhecimento sobre o fluxo de atendimento na Rede de Assistência à Esporotricose Humana, uma doença prevalente e um grave problema de saúde pública em Rio Grande e região. A esporotricose está entre as doenças e agravos de interesse estadual que devem ser notificadas compulsoriamente no Rio Grande do Sul, conforme a Portaria SES nº 440/2024. Segundo a docente micologista Melissa Xavier: “A portaria da notificação compulsória é um passo importante para implementar políticas públicas mais eficazes no enfrentamento da esporotricose em Rio Grande”.
A docente detalhou que “a situação da doença está bastante complicada no município, com casos espalhados por diferentes bairros. Com a notificação, esperamos receber mais apoio do Estado para dar os próximos passos no controle e prevenção da doença”. A união de esforços entre profissionais de saúde e órgãos governamentais é “fundamental para o enfrentamento eficaz da esporotricose e para assegurar o bem-estar da comunidade”, explicou Melissa.
A chefe da Unidade de Doenças Infecciosas e Parasitárias, Rossana Basso, ressaltou a importância do evento que ocorre desde 2010, enfatizando que a pausa durante a pandemia não diminui a relevância da educação continuada dos profissionais. Ela destacou: “Este processo de educação continuada é fundamental para termos a suspeição precoce e encaminhamento para o SAE Infectologia, onde centralizamos o diagnóstico, acompanhamento e tratamento adequado do paciente”. Rossana também ressaltou que “o município tem uma das casuísticas de esporotricose no Brasil mais antiga, sendo uma área hiperendêmica até hoje”.
O ciclo de palestras contou com a apresentação da docente micologista Melissa Xavier, que abordou a inclusão da esporotricose na lista de Doenças de Notificação Compulsória do estado, além das perspectivas de ações nas UBS. Em seguida, a enfermeira Bianca dos Santos Blam apresentou a Rede de Assistência à Esporotricose Humana do HU-Furg e do LabMico. Já a médica Rossana detalhou sobre as apresentações da doença e o tratamento adequado. O evento finalizou com uma sessão de discussões de ações e fluxos, coordenada pela bioquímica farmacêutica Karine Sanchotene.
Entenda a doença
A esporotricose é causada pelos fungos Sporothrix sp., que afeta tanto animais quanto humanos. A infecção ocorre a partir da inoculação traumática da pele, causada por material vegetal contaminado (espinhos de plantas, palha, lascas de madeira, vegetais em decomposição). No Brasil, a transmissão é frequentemente associada a arranhadura e/ou mordedura de animais domésticos infectados, principalmente gatos.
Nos animais, as feridas na pele se espalham rapidamente, sendo a forma disseminada comum, enquanto em humanos pode ocorrer lesão única no local da inoculação ou lesões contínuas que se desenvolvem a partir da lesão inicial, seguindo o trajeto linfático. O período de incubação da doença pode variar de uma semana a vinte dias.
Nesse cenário, é importante adotar medidas preventivas, como o uso de luvas e roupas adequadas ao manusear material orgânico e a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), especialmente ao lidar com animais doentes. Além disso, os animais com suspeita de esporotricose devem ser tratados!
Devido à alta incidência da esporotricose felina em Rio Grande, é fundamental encaminhar pacientes com lesões sugestivas da doença para o Ambulatório de Micologia do HU-Furg. O serviço especializado, implantado em 2017, oferece assistência integral, desde o diagnóstico até a cura da doença.
A docente Melissa Xavier destacou que “a rede de assistência à esporotricose humana está bem estabelecida dentro do HU-Furg/Ebserh”, realizando também o atendimento de outros municípios da região, o que demonstra que a assistência não se restringe apenas ao âmbito local, mas alcança também o nível regional”. Melissa enfatizou a importância “de extrapolar os limites locais para melhorar a assistência e enfrentar efetivamente o aumento de casos”.
Sobre a Ebserh
O HU-Furg faz parte da Rede Ebserh desde julho de 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreia Pires
Apoio e fotos: Leonardo Andrada de Mello/UCR15
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh