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INOVAÇÃO
HU-Furg apresenta resultados dos projetos de iniciação tecnológica
Rio Grande (RS) – No dia 20 de março, o Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. da Universidade Federal do Rio Grande (HU-Furg), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), promoverá a “Mostra de Iniciação Tecnológica” para apresentar os resultados dos cinco projetos do Programa de Iniciação Tecnológica (PIT). O evento, realizado às 9h, no Laboratório de Habilidades Clínicas Multiprofissional (LaHCliM), é organizado pela Gerência de Ensino e Pesquisa (GEP) do Hospital e marca a conclusão do primeiro ciclo do PIT/Ebserh, realizado em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O PIT/Ebserh tem como objetivo estimular a participação de alunos de graduação em atividades de desenvolvimento, aperfeiçoamento ou estudo de viabilização de produtos, protótipos, processos, serviços ou sistemas em Hospitais Universitários Federais (HUFs) da Rede, por meio do fornecimento de bolsas de iniciação tecnológica. Foram concedidas 205 bolsas de Iniciação Tecnológica, distribuídas igualitariamente entre os 41 HUFs administrados pela Ebserh, com duração de 12 meses e início em março de 2023.
Segundo o chefe da Unidade de Gestão da Inovação Tecnológica em Saúde (UGITS), Pedro Baptista dos Santos, a experiência como bolsista proporciona aos alunos o desenvolvimento de habilidades essenciais, contribuindo para sua formação como cidadãos plenos e preparando-os para atuar de forma criativa e empreendedora em suas comunidades, independentemente da carreira profissional escolhida.
Conheça os cinco projetos de Iniciação Tecnológica desenvolvidos no HU-Furg:
Projeto 1: “Criação de um Modelo de Simulador de baixo custo para treinamento de aplicação/autoaplicação de Insulina: Inovação para qualificação do autocuidado de pacientes com Diabetes Mellitus”
O bolsista e aluno de Medicina Oscar Figueira Filho, em parceria com o enfermeiro e orientador do projeto, Heitor Biondi, além do colega Ravel Bonatto, iniciou o projeto de construção de um simulador de baixo custo para treinar a aplicação de insulina em pacientes diabéticos. “O HU-Furg/Ebserh nos apoiou e permitiu que desenvolvêssemos nosso sonho, que irá beneficiar, por meio do treinamento em um simulador semelhante a um abdômen, tanto os profissionais da área da saúde, que trabalham com esse procedimento, quanto os pacientes e familiares que necessitam fazê-lo rotineiramente”, destaca o bolsista. O simulador foi desenvolvido para uso no LaHCliM e visa desenvolver um protótipo e disponibilizá-lo aos serviços do HU-Furg, oferecendo treinamento a profissionais da saúde e estudantes, bem como contribuindo para a melhoria do autocuidado dos pacientes.
“A seleção de artigos para embasar a nossa construção, a escolha dos materiais e o processo de construção e validação do projeto foram etapas que me trouxeram um conhecimento ímpar e me permitiram ver novos horizontes para a Medicina, sendo um dos principais, a área da simulação por meio de novas tecnologias”, acrescentou o bolsista.
Projeto 2: “Desenvolvimento de um Modelo de Simulador de Baixo Custo para Treinamento da Manobra de Heimlich em Adultos”
O aluno de Medicina, Ravel Davy Silva Bonatto, compartilha: “A importância dos projetos de inovação tecnológica desvela-se na sua capacidade de qualificar e atualizar a compreensão do acadêmico sobre o ensino em saúde, sobre os dispositivos utilizados na seara da saúde e sobre, principalmente, como simples medidas podem evidenciar-se como grandes soluções em saúde”.
O projeto é um simulador de baixo custo para a realização da manobra de Heimlich em adultos, também conhecida como manobra de desengasgo. Conforme o bolsista, a iniciativa vai possibilitar o treinamento dessa técnica de “forma fiel e verossímil”, considerando sua impraticabilidade em um modelo “in vivo”. Além disso, o simulador visa tornar acessível, financeiramente, a aquisição do modelo por universidades e outras instituições no futuro.
O projeto, que conta com a orientação de Heitor Silva Biondi, é direcionado para enfermeiros, técnicos em Enfermagem, médicos residentes e graduandos de Enfermagem e Medicina, bem como para a comunidade em geral interessada no manejo de situações de engasgo total em outras pessoas. Ravel ressalta que “A epidemiologia de mortalidade por engasgo é muito relevante, e nosso objetivo é capacitar cada vez mais profissionais de saúde e de outras áreas, no que concerne à manobra de desengasgo em adultos, para otimizar o cenário da saúde em nosso país”.
Projeto 3: “Construção de Software para Elaboração da Escala Diária de Enfermagem”
Visando reduzir o tempo gasto na elaboração da escala de trabalho, esse software identificará o perfil da clientela e o grau de dependência de cuidados da Enfermagem. Dessa forma, proporcionará uma gestão mais eficiente e uma melhor distribuição de recursos. As orientadoras são a docente da Escola de Enfermagem, Jamila Barlem, e a chefe da Unidade de Clínica Médica (UCM), Kelly Neuma Lopes de Almeida Gentil Schneider.
Para o bolsista, Ricardo Iahnke Sampaio, o PIT/Ebserh desempenha um importante papel na formação acadêmica, possibilitando aprofundar conhecimentos em áreas específicas de interesse. Além disso, “O PIT é uma ferramenta essencial para a formação acadêmica e profissional, fornecendo uma base sólida para a compreensão e aplicação de conceitos teóricos. Sua origem está na busca por um ambiente de aprendizado prático e colaborativo, permitindo a aplicação de teorias em situações reais”. Ele também destaca que “A iniciativa do projeto reflete o comprometimento em aprimorar habilidades de pesquisa, resolução de problemas e trabalho em equipe, contribuindo não apenas para o desenvolvimento pessoal, mas também para o avanço do conhecimento em minha área de estudo”.

Projeto 4: “Planejamento e Controle de Cirurgias - o caso do HU-Ebserh Rio Grande”
Esse projeto partiu de um diagnóstico realizado no Bloco Cirúrgico, no contexto do projeto Lean HU, e identificou a oportunidade de melhorar o processo de planejamento e controle de cirurgias. O orientador, Rafael Lipinski Paes, docente do Laboratório de Engenharia de Produção da Escola de Engenharia da Furg, explicou: “O que vem sendo desenvolvido é uma metodologia para podermos analisar a eficiência do Bloco Cirúrgico, visando entender os problemas existentes e, a partir do reconhecimento dessas causas que geram paradas e algum tipo de ineficiência, propor melhorias”. A metodologia adotada baseia-se no Índice de Rendimento Operacional Global (OEE), amplamente utilizado em ambientes industriais, que avalia disponibilidade, rendimento e qualidade.
Espera-se que, uma vez implementado, o projeto tenha um impacto expressivo, permitindo aos gestores identificarem oportunidades de melhoria e tomar ações assertivas para otimizar a utilização da unidade. Segundo Rafael, “Isso inclui desde a necessidade de contratação de mais profissionais até a compreensão dos motivos que influenciam na redução da quantidade de cirurgias realizadas em determinados períodos”.
A aluna de Enfermagem e bolsista, Julia Rodrigues de Souza, compartilhou sua experiência: “O envolvimento com um projeto real não apenas contribuiu para o meu conhecimento, mas também proporcionou uma compreensão mais profunda do impacto que a tecnologia e a pesquisa podem ter na sociedade”. Segundo Julia, “A verdadeira essência da tecnologia está na capacidade de causar impacto e transformação. Nosso projeto traz inovações técnicas ao otimizar os processos de planejamento e controle de cirurgias eletivas”. Ela ressaltou que as inovações e sugestões técnico-gerenciais do projeto têm o potencial de melhorar significativamente a gestão de cirurgias eletivas, tornando os processos mais rápidos e eficientes, reduzindo os custos hospitalares e otimizando a utilização de recursos. E acrescentou: “A fusão entre os conhecimentos da Enfermagem e da Engenharia da Produção enriqueceu o projeto e se mostrou essencial para uma gestão hospitalar eficiente”.

Projeto 5: “Validação e Evolução de um Instrumento Informatizado de Avaliação de Feridas”
O objetivo desse projeto é validar e avaliar um software de gestão de avaliação de feridas implantado no HU-Furg. A orientadora Letícia Lima Junqueira
destacou que o PIT contribuiu significativamente para o aperfeiçoamento dos serviços de saúde prestados aos portadores de lesões, ao impulsionar a criação e aprimoramento de um sistema informatizado para a avaliação de feridas, e, assim, elevar a qualidade da assistência. “O que nos motivou a buscar a transição para métodos mais avançados em relação aos cuidados com feridas reflete não só a busca pela excelência, mas também destaca o comprometimento da organização em adotar soluções inovadoras para otimizar processos e resultados”, disse Letícia.
A introdução de sistemas informatizados possibilita uma comunicação mais eficiente entre a equipe multiprofissional, contribuindo para o tratamento das lesões e o acompanhamento do progresso do paciente. Letícia destaca que a avaliação de feridas por meio do sistema informatizado ajuda a aprimorar a assistência prestada aos portadores de lesões, proporcionando benefícios tangíveis tanto para os pacientes quanto para os profissionais envolvidos. Com isso, a inovação tecnológica está se mostrando uma aliada valiosa no aprimoramento dos cuidados de saúde.
A aluna de Sistemas da Informação e bolsista, Eduarda Alves Amaral, destacou que “O PIT foi fundamental para expandir meu domínio na área de banco de dados, especialmente através do processamento dos dados dos pacientes fornecidos pelo sistema ao longo de todo o ano”. A bolsista relatou que o projeto surgiu da necessidade de aprimorar a eficiência no processo de solicitação de cobertura, buscando melhorar a comunicação entre o Almoxarifado e os enfermeiros. E acrescentou, “Esta experiência não apenas fortaleceu meu conhecimento técnico, mas também destacou a importância da colaboração interdisciplinar e da inovação na resolução de desafios práticos”.
Sobre a Ebserh
O HU-Furg faz parte da Rede Ebserh desde julho de 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreia Pires, com revisão de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh