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ASSISTÊNCIA E REABILITAÇÃO
HE-UFPel passa a disponibilizar laringes eletrônicas para pacientes oncológicos laringectomizados
Pelotas (RS) – Como reconstruir a própria voz após enfrentar um câncer de laringe? Como retomar a comunicação, os vínculos e a autonomia após uma laringectomia? Para pacientes que passaram pela retirada total da laringe, a fala deixa de ser apenas uma função fisiológica, ela se torna um processo de reaprendizado, esperança e reconstrução. Pensando nesse percurso, o Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), passa a oferecer o serviço de dispensação de laringes eletrônicas para pacientes oncológicos laringectomizados em acompanhamento na instituição.
Para quem vive esse processo, a chegada do equipamento representa muito mais do que um recurso tecnológico: significa recuperar a possibilidade de se expressar e de voltar a se comunicar com o mundo. O paciente Flávio Augusto Ferreira vivenciou esse momento: “Dois anos depois da minha cirurgia, recebi a notícia que eu tanto esperava: chegou a minha laringe eletrônica. Naquele momento vieram a surpresa, a emoção, sorrisos e lágrimas. Foi a sensação de que eu poderia voltar a ouvir a minha voz novamente”.
Ainda em fase de adaptação ao equipamento, ele já celebra pequenas conquistas do dia a dia. “Agora já estou conseguindo mandar áudios para amigos, familiares e para minha fonoaudióloga maravilhosa. Fico na expectativa da resposta deles. Só tenho a agradecer a todos que me incentivaram e buscaram uma forma de me ajudar nessa jornada. Gratidão é a palavra que resume tudo”, relatou.
Segundo a gerente de Atenção à Saúde do HE-UFPel, Gabriela Couto, a oferta da laringe eletrônica no hospital representa a concretização de um direito já previsto nas normativas do SUS. “Quando uma tecnologia já está incorporada ao SUS, o papel do hospital é garantir que ela chegue, de fato, ao paciente. A oferta da laringe eletrônica no HE-UFPel materializa esse direito, assegurando acesso efetivo à reabilitação e à qualidade de vida”, afirmou. Ela completou: “cabe à gestão hospitalar organizar fluxos, estruturar serviços e integrar as equipes para que essas tecnologias façam parte da linha de cuidado, garantindo assistência integral aos pacientes oncológicos da região”.
A iniciativa é realizada pelo Ambulatório de Reabilitação do Hospital e garante o acesso a uma tecnologia assistiva já incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). As laringes eletrônicas passaram a integrar a rede pública por decisão da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), formalizada por meio da Portaria nº 39, de 11 de setembro de 2018.
Para a chefe da Unidade de Ambulatório, Gabriele do Canto Souza, “A implantação deste serviço é uma estratégia importante para fortalecer nossa linha de Cuidado Oncológico, oportunizando ao paciente a restauração da comunicação verbal e, consequentemente, reduzindo o isolamento social e facilitando as interações com familiares, amigos e profissionais de saúde”. Segundo ela, a iniciativa contribui para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e demonstra o compromisso do HE com um cuidado integral, que “considera não apenas o tratamento do tumor, mas também as consequências do processo terapêutico”.
Além disso, como detalha a gestora, quando um hospital público como o HE-UFPel oferece esse recurso, também fortalece a relação entre pacientes e equipe de saúde e reforça a importância da humanização do cuidado. Ela explica que os pacientes que realizam a cirurgia de laringectomia total no Hospital Escola são encaminhados ao Ambulatório de Reabilitação da instituição. No serviço, são acolhidos pela equipe de fonoaudiólogos, responsável pela dispensação da laringe eletrônica e pelo acompanhamento do processo de reabilitação vocal.
Reabilitar a comunicação
O Ambulatório de Reabilitação do HE-UFPel conta com equipe de fonoaudiólogos com experiência na assistência a pacientes laringectomizados. O serviço contempla avaliação clínica e funcional, indicação adequada do dispositivo, treinamento para uso correto e acompanhamento longitudinal do processo de reabilitação.
Para a fonoaudióloga Jéssica Jabóvski, “quando há o diagnóstico de câncer de laringe e este torna necessária a remoção total da laringe por cirurgia, a primeira preocupação do paciente é sobre a perda da capacidade fonatória. Sabemos a importância da comunicação para o ser humano e da grande mudança que ocorrerá em sua vida a partir deste momento”, explicou.
Segundo a especialista, a tecnologia assistiva tem papel fundamental nesse processo de reabilitação, contribuindo para devolver funcionalidade e autonomia às pessoas que passam por algum processo limitante. “Para os pacientes laringectomizados totais, podemos lançar mão da laringe eletrônica”, destacou.
O equipamento funciona como uma fonte vibratória que substitui a vibração das pregas vocais. “Ao ser posicionada na região cervical ou oral, a laringe eletrônica transmite vibrações moduladas através da articulação dos órgãos fonoarticulatórios, produzindo assim a fala”, detalhou Jéssica.
A profissional ressalta ainda que o processo de adaptação exige acompanhamento fonoaudiológico e dedicação do paciente: “Nas sessões terapêuticas será encontrado o melhor ponto para posicionar a laringe eletrônica, além de treinar a articulação e a velocidade de fala, melhorando progressivamente a qualidade da comunicação”.
Sobre a Ebserh
O HE-UFPel faz parte da Rede Ebserh desde 2014. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Andreia Pires
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh