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DIA MUNDIAL DO RIM
Campanha sobre saúde dos rins reforça serviços do SUS para exames e tratamento
Pelotas (RS) - “Saúde dos rins (& exame de creatinina) para todos: porque todos têm o direito ao diagnóstico e acesso ao tratamento”. Este é o tema da campanha do Dia Mundial do Rim, uma iniciativa que acontece no Brasil desde 2006, toda segunda quinta-feira de março (dia 14 neste ano), com o objetivo de alertar sobre a importância dos rins para a saúde geral e sobre a medidas preventivas para manter estes órgãos saudáveis, estimulando o diagnóstico precoce e a adoção de hábitos alimentares e físicos adequados. Essas medidas beneficiam indivíduos, comunidades e o sistema de saúde como um todo.
A campanha no Brasil é coordenada pela Sociedade Brasileia de Nefrologia e o tema deste ano tem como meta reforçar a busca por uma política de saúde inclusive com acesso ao diagnóstico e tratamento. Representantes de hospitais universitários vinculados à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) reforçam o papel do Sistema Único de Saúde (SUS), que oferece desde exames iniciais até as opções de tratamento para pacientes com Doença Renal Crônica (DRC), como a hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal, passando pelo tratamento conservador e acompanhamento ambulatorial.
A campanha do Dia Mundial do Rim tem como objetivo contribuir para aumentar o alerta a respeito da DRC - já que pode ser prevenida e as formas de tratamento ainda são complexas e caras e, por isso, é preciso evitar a evolução da doença - além de promover o tratamento adequado para pacientes que têm fatores de risco (como diabetes e hipertensão), estimular hábitos saudáveis e orientar sobre a necessidade de exames periódicos, principalmente de creatinina.
Trata-se de um exame de sangue comum feito na rede pública, usado para triagem de doença renal, em que a creatinina aumenta quando há lesão nos rins. A creatinina é um composto originado da creatina e que é filtrado e eliminado pelos rins. Então, medir as taxas dessa substância no sangue é uma maneira de avaliar a saúde renal de um paciente.
A DRC acomete 10% da população, o que representa 20 milhões de pessoas no Brasil, sendo que em geral os casos são diagnosticados nas fases mais avançadas da doença, quando os sintomas costumam aparecer e, no momento do diagnóstico, muitos pacientes já precisam da terapia renal substituta, como a diálise.
A doença renal também aumenta o risco cardiovascular dos pacientes, levando a uma série de complicações como o infarto, AVC e óbito. Daí a importância do diagnóstico precoce e a instituição de medidas para retardar a progressão da doença.
Para o médico nefrologista do HE-UFPel, Gustavo Uiliano “existe um misto de engajamento e preocupação quando abordamos o Dia Mundial do Rim. A preocupação inicial é movida pelo fato de que a DRC está crescendo mundialmente: uma a cada dez pessoas possui algum grau da patologia e em segundo lugar, a DRC está muito atrelada aos hábitos de vida da população e ao seu envelhecimento, sendo fundamental e sabidamente difícil mudarmos o panorama da obesidade, da hipertensão, do diabetes e do tabagismo, para citarmos alguns exemplos. Por outro lado, detectar a DRC não é difícil, pois basta um exame de função renal (dosagem de creatinina sérica) e de urina para avaliar perda de proteínas e sangue. Exames estes de baixo custo e fundamentais para precocemente intervirmos e evitarmos a progressão da doença, silenciosa na maior parte do tempo. Nossos esforços devem vir através de conscientização da população em relação aos fatores de risco e ao rastreamento da DRC, cuja evolução, se não orientada e tratada, poderá acarretar alta morbidade e mortalidade, como na necessidade de dialise, transplante, risco cardiovascular e custos com o sistema de saúde.”
O ambulatório do HE UFPEL atende em média 60 pacientes por mês com DRC. Eles passam inicialmente pela avaliação do médico Nefrologista que pode encaminhar para atendimento da equipe multidisciplinar, que contempla Nutricionista, Enfermeiro, Assistente Social, Psicólogo ou ainda Cardiologista e Endocrinologista.
Para Gustavo, “o atendimento por equipe multidisciplinar reforça a importância do olhar de forma integral para o paciente e o cuidado em saúde com esta população”.
Sobre a Ebserh
O HE-UFPel faz parte da Rede Ebserh desde 2014. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Redação: Sinval Paulino, com revisão de Danielle Campos e Clarice Becker
Coordenadoria de Comunicação Social e UCR 15