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HOMENAGEM
Serviço de Terapia Ocupacional se destaca no atendimento à população
Em meados da década de 1960, foi criado o Serviço de Terapia Ocupacional (TO) do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR). Juntamente com a Fisioterapia e a Fonoaudiologia, compunha o Serviço de Reabilitação do HC. No início, Heloisa Mansan, Regina Consuelo Sperandio e Silvia Maria Ziezemer percorriam os corredores do HC informando qual era a função de um TO. Segundo relatos, tanto profissionais da saúde quanto pacientes, desconheciam a função.
“Desde o começo, a gente falava o que iria fazer”, lembra Silvia, que uniu-se à dupla em 1989 e atua na Saúde da Mulher. “Explicar tudo, todo dia”.
No Brasil, a profissão foi regulamentada pelo decreto 938/69, de 13 de outubro daquele ano. A base é o seguinte conceito: “Saúde não é apenas a ausência de doença, mas, também, o bem-estar biológico, psicológico e social.” (Organização Mundial da Saúde). A nível mundial, a TO começa na Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), para reabilitar os militares feridos.
O trabalho de um terapeuta ocupacional é focado na atividade e desenvolvimento humano, a fim de prevenir e tratar dificuldades físicas, mentais e/ou psicossociais que interfiram na independência do paciente.
As técnicas propositivas utilizam objetos do cotidiano adaptados que estimulam a atividade cerebral. Como o nome diz, as medidas representam possíveis ganhos à pessoa e caracterizam um “chamado” para quem escolhe a função.
“Acredito que está misturada à minha vida”, completa Silvia.
A quarta integrante, Janete Abu Hanna, já se aposentou – entrou em 1991. “A minha paixão veio com o trabalho em um hospital psiquiátrico. Foi uma porta que Deus abriu”, conta. “Tinha que provar como era importante, que o paciente melhorava mais rápido”.
Números
Em uma sala no 7º andar do anexo B, além de Silvia, reúnem-se: Marilene Puppi (92 – ano de ingresso); Solange Gurjão (96); Fernanda Zelinski e Margaret Born (2016); Dayane Regina dos Santos (2017) e a chefe, Patrícia Santos Lima (96). Mesmo com apenas seis terapeutas ocupacionais, são registrados, mensalmente, cerca de 295 procedimentos e 126 pacientes atendidos por profissional.
Em junho do ano passado, Patrícia foi nomeada vice-presidente do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO). Para ela, tudo vai além do emprego.
“Fui a primeira professora do curso da Federal. Lecionava gratuitamente, por amor”, ressalta. A função é definida por uma frase do filósofo Mario Sergio Cortella: “Emprego é fonte de renda e trabalho é fonte de vida.”
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Dedicação
Para Maria Luiza Valtier, também aposentada, o trabalho não se resume apenas ao Hospital. “Os pacientes também são levados para atividades diversas do que seriam as suas necessidades”, conta. Na Fibromialgia, por exemplo, são orientados a participarem da Fibrocuritiba, iniciativa do médico reumatologista Eduardo Paiva, chefe do Ambulatório da especialidade no HC.
Uma profissional também não se atenta somente ao paciente. É a partir dele que se pode entender todo o contexto daquela situação. Por isso, a conversa com o cuidador daquela pessoa é essencial.
“Quando alguém adoece na família, a rotina é quebrada”, declara Marilene, que possui diversos capítulos de livros escritos em Neurologia. “O primeiro contato é com o cuidador, principalmente em Neuropediatria, unidade onde estou. É importante que ele também se previna”.
“Com o aprendizado, podemos diminuir a dor daquela pessoa”, diz Margaret Born. “A dor é sentida a partir de questões subjetivas à vida delas”.
História
Os primeiros registros sobre a Terapia Ocupacional datam da China Antiga, quando o treino físico era valorizado como tratamento. Porém, foi na I Guerra Mundial que o conceito foi definido – 1917, para ser mais exato. Muitos feridos do conflito necessitavam de reabilitação física e mental, o que enalteceu a importância de um TO.
Depois de 100 anos, a consolidação é constante. “A nossa atividade ainda não está totalmente detalhada no imaginário”, diz Fernanda, que entrou pela Ebserh em dezembro de 2016. “Com a explicação delas (demais profissionais) ao longo do tempo, o trabalho fica mais fácil”.
Os esclarecimentos do passado permitem grandes expectativas para o futuro. Lembra que a Patrícia foi a professora pioneira no curso de Terapia Ocupacional da Universidade Federal do Paraná ? Após três anos de pesquisa, reuniões e debates, ela, Marilene, Janete e Solange encabeçaram o estudo para implantação da modalidade de graduação na UFPR.
Depois de criado pela resolução Conselho Universitário - COUN 09/00-, Solange Gurjão assume como primeira coordenadora, enquanto que as demais, sem remuneração, auxiliam os professores pioneiros Milton Mariotti e a própria Solange. A turma inicial é de 2001 e o reconhecimento do Ministério da Educação veio em 2004. Atualmente, são 424 estudantes.
“O curso proporcionou o Serviço no HC”, aponta Solange. “Plantamos a história e deixamos um legado, o qual foi além de nossa função”.
Quem acabou de se formar, pode se especializar na instituição. Dayane Regina dos Santos coordena o Programa de Residência de TO e comemora a valorização. “A base sólida e o trabalho árduo mostram os resultados de hoje”, comenta. Os 12 residentes, divididos nas áreas de Saúde da Mulher, Adulto/Idoso e Onco/Hematologia, acrescentam 90 consultas cada.
Homenagem
Na quarta-feira, 25 de outubro, a vereadora Noêmia Rocha promoveu uma moção de aplauso para Patrícia e estendeu as congratulações às demais profissionais. O Serviço homenageou todas as funcionárias, inclusive as aposentadas, com o Diploma de Reconhecimento por toda a contribuição e anos de empenho.
Rauce Marçal da Silva, chefe da Unidade Multiprofissional, parabenizou as profissionais. “Em nome da Unimult [Unidade Multiprofissional, da qual fazer parte o Serviço], agradeço pelo trabalho realizado e pela história construída na instituição”, afirmou.
“A Unidade tem fortalecido a TO no Hospital, tanto no sentido de tentar atender às solicitações, quanto no de divulgar e enaltecer a importância na formação, melhorando o suporte aos programas acadêmicos”.
Patrícia ressaltou a importância da função exercida ao ler uma das cartas de agradecimento, escrita pela mãe de um paciente. Para a chefe da Terapia Ocupacional há mais de dez anos, o Hospital de Clínicas da UFPR é a vida dela.
“Sou o que sou, atualmente, porque esta casa me recebeu. Dificuldades? Passei por muitas. Mas, valorizo muito isso. E acredito que este grupo devolveu à universidade tudo o que ela nos proporcionou. A história é bonita porque ela é feita por pessoas”, declarou.
“Somos reconhecidas nas diversas áreas de atuação, solicitadas na maioria das clínicas e a população tem aprendido a reconhecer a necessidade do nosso trabalho. É um excelente momento para celebrar esses 100 anos da Terapia Ocupacional no mundo”.
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Terapeuta Ocupacional |
Áreas de atuação |
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Dayane Regina dos Santos |
TMO e Preceptora de Residência |
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Fernanda Zelinski |
Clínica Médica e Ambulatório de Hanseníase |
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Heloisa Mansani |
Terapia de Mão (aposentada); |
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Janete Nascimento Abu Hanna |
Clínica de dor (aposentada); |
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Maria Luiz Vautier |
Clínica Médica (aposentada); |
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Margaret Born |
Clínica de Neurologia |
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Marilene Puppi |
Ambulatório de Neurologia |
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Patrícia Luciane Santos Lima |
Saúde Mental e Preceptora de Residência |
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Regina Consuelo Sperandio |
Transplante de Medula Óssea – primeira terapeuta ocupacional brasileira a integrar uma equipe de TMO (aposentada) |
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Silvia Ziezemer |
Ambulatório Geral e Preceptora de Residência |
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Solange Gurjão |
Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas-Serviço de Reinserção Funcional e Apoio à Perícia. |