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CONSCIENTIZAÇÃO
Dia Mundial da Conscientização do Autismo é celebrado no dia 2 de abril
Estima-se que uma a cada 68 crianças no Brasil nasça com autismo, número que representaria cerca de 2 milhões de pessoas em todo o país. Também conhecida como Transtorno do Espectro Autista (TEA), a condição atinge mais homens do que mulheres, o que deu a cor azul às movimentações de conscientização por todo o mundo.
Dois são os maiores desafios ainda encontrados por crianças autistas e seus familiares: a inclusão no sistema escolar e aceitação por parte da sociedade. Para Sergio Antoniuk, médico neuropediatra do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), é importante que as escolas regulares contem com estagiários de apoio à inclusão em maior número. “No momento, os estagiários não atingem 50% da necessidade das crianças”, afirma.
Importante também é a construção de políticas públicas que possibilitem identificação e tratamento mais eficazes. Desde 2016, o teste para diagnóstico precoce do autismo é lei. Procedimentos como o M-Schat estão inclusos no Código de Saúde de Curitiba, e são determinantes para o teste em crianças de até três anos.
No M-Schat, são feitas aos pais 23 perguntas sobre o desenvolvimento social dos filhos, que podem apontar sinais como a dificuldade para apontar objetos, compreender comandos e mostrar partes do corpo.
Transtorno do Espectro Autista
O autismo determina características como a apresentação de comportamentos repetitivos e dificuldade de comunicação verbal, socialização e de atenção; podendo estar associado a quadros de comorbidade com maior propensão a distúrbios do sono, epilepsia e comportamentos agressivos ou depressivos.
As comorbidades são a coexistência de transtornos no mesmo paciente, e podem ser tratados por medicamentos prescritos por especialistas. Os demais aspectos podem ser acompanhados por profissionais de fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e nutrição.
O TEA pode ser dividido nos níveis leve, moderado e severo, ou então classificado em três tipos: Autismo de Alto Desempenho (conhecido como Síndrome de Asperger); Autismo Clássico e Transtorno Global de Desenvolvimento Não Especificado, em que a pessoa é incluída no espectro do autismo, mas os sintomas apresentados não permitem sua inclusão em nenhum dos outros dois tipos.
As origens do transtorno são genéticas, mas não conhecidas com certeza. Elas podem estar relacionadas com a idade paterna ou materna no período de concepção da criança ou histórico genético de distúrbios psiquiátricos na família, além de fatores sociais e ambientais.
Mobilizações em Curitiba
Segundo Sergio Antoniuk, a divulgação de informações sobre o autismo deve ser enfatizada no dia 2 de abril: “A divulgação é importante principalmente em relação ao diagnóstico precoce. O segundo aspecto deve ser mostrar as lutas que estão sendo realizadas para conseguirmos leis de inclusão que permitam melhor atendimento dessas crianças na escola”.
A aceitação das famílias também é fundamental para o desenvolvimento das crianças com autismo. Com diagnóstico precoce, acompanhamento especializado e apoio dos familiares, as chances são grandes de que a criança cresça para uma vida equilibrada, com sintomas do transtorno reduzidos.
Durante o dia 2, serão realizadas passeatas no centro da cidade, organizadas por ONGs e pela Assessoria de Políticas para Pessoas com Deficiência da Prefeitura.
CHC oferece atendimento em ambulatório
No Complexo Hospital de Clínicas, crianças diagnosticadas com autismo podem ter acesso a tratamento clínico e acompanhamento com uma equipe multiprofissional no Centro de Neuropediatria (Cenep).
Com mais de 1.500 pacientes cadastrados, o centro oferece atendimento com profissionais de medicina, psicologia, fonoaudiologia, psicopedagogia e terapia ocupacional.
Sobre a Ebserh
Desde outubro de 2014, o Complexo Hospital de Clínicas faz parte da Rede Ebserh. Estatal vinculada ao Ministério da Educação, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) atua na gestão de hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do SUS, e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.
A empresa, criada em dezembro de 2011, administra atualmente 39 hospitais e é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações em todas as unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.