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CÂNCER
CHC-UFPR é referência no tratamento da leucemia

Curitiba (PR) – A leucemia é um tipo de câncer que afeta as células sanguíneas da medula óssea, em sua maioria os glóbulos brancos. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima 11.540 novos casos para os próximos anos, sendo 6.250 em homens e 5.290 em mulheres. O Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), é referência no tratamento de vários tipos de câncer das células do sangue, por meio da Unidade de Hematologia e Oncologia.
O CHC-UFPR também é pioneiro no tratamento, ensino e pesquisa da leucemia, sendo o primeiro a realizar o Transplante de Medula Óssea (TMO) na América Latina (AL), em 1979. Até 15 de novembro de 2024, o CHC tinha realizado 3.365 transplantes. “Fomos pioneiros na AL, o primeiro a realizar transplante com material de doadores não aparentados, e utilizando sangue de cordão umbilical”, disse Vaneusa Funke, médica hematologista da Unidade de Hematologia e Oncologia.
A leucemia pode se manifestar de forma aguda ou crônica. A aguda é caracterizada por células imaturas, sem capacidade funcional e pela rápida evolução para a morte, se não tratadas adequadamente. Já nas leucemias crônicas, a proliferação das células neoplásicas é lenta e predominam células com algum grau de maturação. O paciente pode ficar assintomático por meses e até mesmo por anos.
Tipos
Existem dois tipos principais de leucemias: a mielóide e a linfóide. Considerando ambos os fatores, o tempo de evolução e a origem celular, a doença divide-se em vários subtipos: Leucemia Mielóide Aguda (LMA), que é uma doença grave, possui mortalidade elevada, porém é curável em parte dos casos, sendo mais comum nos adultos; Leucemia Linfóide Aguda (LLA), doença grave que afeta mais as crianças e possui elevada possibilidade de cura. A LLA ocorre também nos adultos, porém com pior prognóstico
em relação à infância; Leucemia Mielóide Crônica (LMC), doença mais frequente nos adultos, assintomática durante algum tempo, evolui com o aumento do baço e, se não tratada, pode-se transformar em uma leucemia aguda; e a Leucemia Linfóide Crônica (LLC), doença que predomina nos idosos, evolui lentamente e pode ser controlada com medicação, porém, não tem cura.
Os sintomas variam. Suspeita-se de leucemia quando há sinais e sintomas como palidez e cansaço relacionado à anemia, manchas roxas na pele e outros sangramentos anormais, geralmente relacionados à baixa das plaquetas, febre, sudorese noturna, dor óssea, aumento de gânglios linfáticos, do baço ou do fígado.
Tratamento
Atualmente, apenas as leucemias agudas são curáveis, especialmente a Leucemia Linfóide Aguda da infância. As leucemias crônicas são controladas com quimioterapia, que, em geral, possibilita aos pacientes uma boa qualidade de vida. Alguns casos de leucemias agudas e, mais raramente, de leucemias crônicas necessitam de um outro tratamento além da quimioterapia, o chamado TMO alogênico.
Nesse tipo de transplante, a medula óssea do paciente, que não está funcionando adequadamente, é substituída por células-tronco hematopoiéticas de um doador saudável e com uma composição genética semelhante, podendo ser um familiar ou não.
Segundo a médica Vaneusa Funke, para as leucemias crônicas, atualmente há tratamentos tomados por via oral. Ele pontua que na leucemia mieloide crônica, estes tratamentos permitiram que os pacientes ficassem bem, tomando os remédios, sem necessidade de transplante. “Em 2025 comemoramos 25 anos do surgimento do mesilato de imatinibe, que é o primeiro destes remédios que revolucionaram o tratamento dessa doença. Depois vieram outros ainda mais potentes, e há pacientes vivos e muito bem desde o ano 2000, quando iniciamos a pesquisa com o imatinibe aqui no CHC”, explicou.
Conforme Vaneusa, estes tratamentos, após a pesquisa, foram disponibilizados pelo SUS. “Temos no CHC-UFPR um ambulatório de Leucemia Mieloide Crônica, onde são acompanhados cerca de 400 pacientes em uso destes remédios”, completou.
A médica explicou que o transplante é indicado nas leucemias que não responderam bem à quimioterapia e nas leucemias que responderam bem, mas que apresentam características genéticas de risco.
Apoio multiprofissional
De acordo com a enfermeira Gisele Cordeiro Castro, responsável técnica de enfermagem da Unidade de Hematologia e Oncologia, para o sucesso do tratamento da Leucemia, a presença de uma equipe multiprofissional é de extrema importância. “O processo terapêutico envolve uma série de etapas complexas que demandam uma equipe diversificada e especializada”, frisou.
Gisele esclareceu que a abordagem integrada e colaborativa entre diferentes especialidades garante um cuidado mais abrangente, seguro e eficiente ao paciente, pois permite desenvolver em conjunto, estratégias para realizar o controle de efeitos colaterais e complicações associadas à doença e aos medicamentos utilizados, além de atender as diversas necessidades da pessoa e seus familiares com educação em saúde, e promover a recuperação física e emocional do indivíduo.
“É sabido que o diagnóstico representa um momento desafiador na vida destas pessoas, mas entende-se que a colaboração de profissionais como enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, dentistas, farmacêuticos, assistentes sociais, entre outros, proporciona um cuidado mais humano e eficaz”, concluiu a enfermeira.
Sobre a Ebserh
O CHC-UFPR faz parte da Rede Ebserh desde 2014. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Luna Normand e Rosenato Barreto, com revisão de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh
Tags: leucemia, câncer, transplante de medula, chc-ufpr, ebser