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EDUCAÇÃO
Ebserh fortalece educação, inovação e transformação social no SUS
Nesta matéria, você verá:
-Ensino e cuidado caminham juntos nos hospitais universitários
-Qualificação profissional ultrapassa fronteiras
-Transformação social e inovação no SUS
Os hospitais universitários federais geridos pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) são ambientes estratégicos para a educação em saúde no Brasil. Neles, o aprendizado vai além da sala de aula, abrangendo prática assistencial, qualificação profissional contínua e incentivo à produção científica — não apenas na área da saúde, mas também em diferentes campos do conhecimento. Para celebrar o Dia Internacional da Educação (24 de janeiro), destacamos vivências práticas de quem ensina e de quem aprende.
Ensino e cuidado caminham juntos nos hospitais universitários
“No HU, temos a oportunidade de atuar com preceptores qualificados, que compartilham suas experiências e conhecimentos, enriquecendo muito o processo de aprendizagem”, conta Carlos Eduardo Trindade, residente de Clínica Médica no Hospital Universitário dos Servidores do Estado (HUSE-Unirio). Ele destaca, ainda, que os pacientes, geralmente, estão receptivos ao ensino em serviço, o que possibilita aprender enquanto oferecem um atendimento “humanizado e de alta qualidade”.
Carlos diz que aprender a partir da prática diária permite desenvolver mais segurança, senso crítico e responsabilidade profissional. “Discutimos casos, refletimos sobre nossas condutas, participamos de atividades científicas e buscamos oferecer o melhor cuidado possível”, ressalta. Carlos é um dos mais de nove mil residentes em formação nos 1.137 Programas de Residências da Ebserh.
Qualificação profissional ultrapassa fronteiras
A Ebserh participa do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde Brasil–Angola, coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação Internacional do Ministério das Relações Exteriores. A iniciativa prevê que 38 mil profissionais angolanos passem por treinamentos e especializações no Brasil ao longo de cinco anos, iniciados em 2024.
Os hospitais universitários compartilham suas expertises para fortalecer o sistema de saúde angolano no enfrentamento de doenças infecciosas, epidemias e emergências sanitárias. O Hospital Universitário da UFMA (HU-UFMA) é a unidade que recebeu o maior número de participantes: atualmente são 39 profissionais angolanos, dos quais 14 concluirão sua especialização em abril — nove da área da saúde e cinco da gestão. Para o terceiro ciclo, previsto para março, são esperados mais 33 angolanos.
A gerente de Ensino e Pesquisa do HU-UFMA, Rita da Graça Carvalhal, explica que o acolhimento dos alunos transcende a dimensão acadêmica. “Essa experiência oferece acesso a um ambiente de formação qualificado, contribuindo para o desenvolvimento de competências. Para os profissionais do hospital, a presença deles fortalece a troca de saberes, enriquece o processo de trabalho e estimula reflexões sobre diferentes realidades epidemiológicas, sociais e culturais”, destaca.
Natural de Luanda, a médica angolana Madalena de Matos, está indo para o terceiro ano de fellowship em Infectologia no hospital. “O HU-UFMA se tornou nossa segunda casa. Desde o início, sentimos acolhimento, apoio e dedicação de toda a equipe, que também foi aprimorando processos ao longo do programa”, relata.
Madalena acrescenta que tudo o que tem aprendido despertou o desejo de implementar projetos em Angola. “A formação ampliou meu olhar profissional e humano, especialmente sobre a importância do cuidado integral e do apoio familiar ao paciente. Percebi que pequenas ações podem gerar grandes mudanças quando há dedicação e persistência. Espero que toda essa bagagem nos capacite a contribuir para o desenvolvimento da saúde do meu país”, conclui.
Transformação social e inovação no SUS
No Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU-Univasf), o Projeto Rede Inova promove a interiorização da ciência, da tecnologia e da inovação em saúde. A iniciativa funciona em uma lógica de rede colaborativa que envolve, além do HU-Univasf, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE), a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), o Instituto Internacional Despertando Vocações (IIDV) e a Associação Petrolinense de Atletismo (APA), desde junho de 2024.
A chefe da Unidade de Gestão da Pesquisa e Inovação Tecnológica em Saúde e coordenadora do projeto no HU-Univasf, Emanuela Spinola, explica que o Rede Inova realiza impressão 3D de órteses, próteses e tecnologias assistivas (TA) de membros superiores para pacientes egressos dos hospitais universitários e atletas da APA com deficiência física.
“A impressão 3D (manufatura aditiva) assume papel estratégico no ensino em saúde ao permitir a aprendizagem baseada em projetos, a prototipagem rápida e a experimentação orientada a problemas reais”, reforça Emanuela. Ela acrescenta ainda que “ao integrar ensino, pesquisa, extensão e assistência, os HUs tornam-se ambientes privilegiados para o desenvolvimento e a validação de soluções tecnológicas de baixo custo, personalizadas e alinhadas às necessidades do sistema público de saúde”.
No Laboratório de Tecnologia 3D do Consórcio de Inovação em Saúde de Petrolina (LABTEC-3D), financiado pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe), essas impressões ganham forma a partir da atuação de 51 pesquisadores de diferentes áreas. “O projeto contribui para consolidar um modelo de ensino inovador e socialmente referenciado, no qual a ciência não apenas chega ao interior, mas é produzida a partir dele, em diálogo com suas necessidades e potencialidades”, finaliza Ricardo Santana, coordenador do LABTEC-3D e gerente de Ensino e Pesquisa do HU-Univasf.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Danielle Morais, com revisão de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede Ebserh