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DE OLHO NA PESQUISA
Do centro cirúrgico ao SUS: cirurgia torácica baseada em evidências
Nesta edição do De Olho na Pesquisa, o Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG-Unirio), vinculado à Ebserh, destaca as investigações em cirurgia torácica e a incorporação de técnicas videoendoscópicas que aproximam ciência e assistência, com foco em precisão diagnóstica, segurança do paciente e melhor recuperação pós-operatória.
Pesquisadora, cirurgiã torácica e chefe do serviço, Maria Morard conta que o interesse pela área vem de longa data. “Desde minha infância, quando sonhava em ser uma ‘médica cirurgiã’, e especificamente pela torácica nasceu durante a minha formação em cirurgia geral, mas foi ao longo dos anos, durante a minha residência e vivência prática, que percebi a importância de métodos menos invasivos”. Para ela, essa virada é também um compromisso com o cuidado contemporâneo: “Os acessos operatórios minimamente invasivos representam a esperança concreta do diagnóstico e do tratamento de doenças com o mínimo de agressão, desconforto e sofrimento humano, objetivo maior da Medicina e Cirurgia contemporâneas”.
A trajetória no hospital consolidou essa visão em rotinas de ensino, pesquisa e assistência. “Desde minha chegada ao HUGG, em 1994, quando vim do Ministério da Saúde, solicitada pelo Professor Pietro Novellino para integrar a sua equipe na Terceira Enfermaria e desenvolver o Setor da Cirurgia Torácica juntamente com o Professor Rossano Fiorelli, busquei integrar essas técnicas ao nosso protocolo cirúrgico, vislumbrando o Hospital Universitário como um centro de excelência na aplicação da cirurgia torácica minimamente invasiva”. No campo formativo, ela acrescenta: “Posteriormente, concursada pela UNIRIO para o cargo de professora do Departamento de Cirurgia Geral e Especializada da EMC, criamos a Disciplina de Cirurgia Torácica Geral buscando o despertar dos nossos alunos para a assistência e pesquisa na especialidade”.
Os estudos conduzidos pelo serviço miram ganhos clínicos mensuráveis. “Os objetivos centrais dos nossos estudos em cirurgia torácica minimamente invasiva são a melhora contínua da precisão no diagnóstico e no tratamento das patologias torácicas, além de proporcionar um menor impacto na recuperação dos pacientes”. Essa agenda se traduz em padronização e difusão de conhecimento: “Diversos projetos que elaboramos culminaram com a padronização das técnicas (ressecções pulmonares, mediastinoscopia, broncoscopia por vídeo) como rotinas do Serviço de Cirurgia Torácica do HUGG, produzindo arquivos digitais para uso didático e publicação de artigos científicos”.
O efeito prático aparece no cuidado e na escala: “Nossos resultados têm sido fundamentais para ajustar protocolos clínicos no HUGG, contribuindo para um atendimento mais eficiente e menos invasivo, impactando diretamente na prática do SUS, onde buscamos garantir que essas inovações beneficiem o maior número de pacientes possível. O serviço desde sua criação como um Setor da Clínica Cirúrgica B do HUGG até o presente tem prestado assistência a milhares de pacientes e realizado mais de 3000 intervenções torácicas.”
A consolidação de uma linha de pesquisa minimamente invasiva exige equipe, estrutura e colaboração. “Os maiores desafios incluem o constante treinamento da equipe, a adequação da infraestrutura para suportar as novas tecnologias e a integração eficaz entre diferentes áreas do hospital”. Nesse ponto, a prática multiprofissional é determinante: “a infraestrutura necessária para a realização das pesquisas e a integração multiprofissional com anestesistas, pneumologistas, clínicos, oncologistas, cardiologistas, intensivistas, patologistas, radiologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, entre outros, tem um papel fundamental. No HUGG, buscamos superar esses desafios graças ao trabalho conjunto de diversas especialidades, desde a anestesia até a fisioterapia, o que tem sido crucial para a produção de evidências de qualidade”.
O ambiente do hospital universitário sustenta o ciclo entre assistência, formação e ciência. “A articulação entre ensino, pesquisa e assistência no HUGG é um grande diferencial. A infraestrutura acadêmica que buscamos ter e aprimorar permite uma troca constante de conhecimento, e os alunos e residentes desempenham um papel fundamental, não apenas no aprendizado, mas também na contribuição para as pesquisas.”
A professora resume o legado institucional da área: “Pude fundar e consolidar grupos de pesquisa, liderando projetos e capacitando jovens pesquisadores. O trabalho em equipe me proporcionou ampliar a visibilidade da Cirurgia Torácica do HUGG dentro e fora da UNIRIO, promovemos produção colaborativa e estimulamos inserção científica precoce de estudantes e residentes”. E conclui lembrando a base formativa avançada que apoia o serviço: “Devo destacar a criação, em 2011, do Programa de Pós-Graduação em Medicina com o Mestrado Profissional em ‘Técnicas Vídeo-assistidas e Minimamente Invasivas’, gestado na Disciplina de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental, liderado pelo Professor Rossano Fiorelli e com nossa participação na coordenação do curso, onde temos promovido formação e capacitação técnica, estimulando o fomento à pesquisa nesta área direcionada a novas tecnologias aplicáveis, visando formar profissionais capacitados para atuar na pesquisa científica integrada à assistência”.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário Gaffrée e Guinle faz parte da Rede Ebserh desde 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Felipe Monteiro
Coordenadoria de Comunicação/Ebserh