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NOZ-DA-ÍNDIA
Nota à imprensa
VITÓRIA (ES) - A paciente feminina, de 46 anos, deu entrada no Pronto Socorro do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), dia 14 de janeiro, com um quadro de dores fortes abdominais difusa tipo cólica, associada a vômitos, diarreia líquida e quadro febril. Segundo a Dra. Paula Frizera Vassallo, chefe da Unidade de Cuidados Intensivos e semi-intensivos do Hucam, a paciente relatou quadro supracitado duas semanas antes da internação, na ocasião diagnosticada em um posto médico com gastroenterite.
Deu entrada, dia 14/01/2017, no Pronto Socorro do Hucam já com sinais de toxemia e suspeita de abdômen agudo obstrutivo, que foi posteriormente descartado com exame de imagem. No dia 16, foi levada para a UTI do Hucam, devido a agravamento do quadro, evoluindo com insuficiência renal, choque, alteração de nível de consciência, insuficiência respiratória, sinais compatíveis com choque séptico de foco abdominal ou intoxicação exógena. Durante estada na UTI foi notado o não funcionamento do intestino e então novo exame de imagem foi feito confirmando lesão intestinal sendo a paciente submetida à cirurgia de urgência que evidenciou necrose (morte) quase que integral do intestino. Durante todo período de internação, a equipe assistencial de Unidade lançou mão de todo aparato clínico laboratorial, medicamentoso e tecnológico do Hospital para garantir a assistência médica, pois o quadro inicial faz diagnóstico diferencial com doenças infecciosas, vasculares e intoxicação exógena. A família da paciente relatou uso do produto “Noz-da-índia”, que é proibida a sua comercialização no Brasil desde 2014 pela ANVISA, mas facilmente encontrada no comércio. O produto é tomado por muitos para emagrecimento, mas não tem qualquer comprovação da sua eficiência. Devido à gravidade e à refratariedade terapêutica, a paciente foi a óbito no dia 25 de Janeiro.
A médica Paula Frizera então solicitou a família para que trouxesse uma amostra da noz-da-índia que a paciente tomava, e que será enviada para o Toxcen (Centro de Atendimento Toxicológico do Espírito Santo) para avaliar se era noz-da-índia ou Chapéu de Napoleão, assim como foram feitos outros exames, como para dengue, chikungunya, leptospirose, vírus B, C, HIV e outros. Alguns resultados ainda não foram entregues.
Devido suspeita de intoxicação pelo produto proibido no país, e diante das manifestações clínicas o caso foi notificado ao Toxcen.
A equipe médica reafirma não poder ainda confirmar que o falecimento foi provocado unicamente pelo consumo de noz-da-índia ou o Chapéu de Napoleão ou de outra enfermidade. “Estamos esperando os resultados para ter certeza. Ambos os produtos são comercializados, apesar da proibição do Ministério da Saúde. Eles não têm qualquer comprovação da sua eficiência, ao contrário, o uso por levar a pessoa a um quadro grave de intoxicação e até à morte”, ressaltou a coordenadora do UTI.
Alerta
Também chamada de Nogueira de Iguape, Nogueira, Nogueira da Índia, Castanha Purgativa, Nogueira-de-Bancul, Cróton das Moluscas, Nogueira Americana, Nogueira Brasileira, Nogueira da Praia, Nogueira do Litoral, Noz Candeia, Noz das Moluscas, Pinhão das Moluscas.
O seu nome científico Aleurites moluccana L. (Willd.), da família Euphorbiaceae, é uma árvore exótica, natural da Indonésia, Malásia e Índia e largamente cultivada no Sul do Brasil, Argentina e Paraguai. O seu uso vem sendo divulgado na Internet para emagrecimento, por suas propriedades laxativas, porém, existem diversas referências que citam sua toxicidade, principalmente das sementes não processadas, as quais contém saponinas (toxalbumina) e forbol.
A sintomatologia tóxica já pode ser observada após a ingestão de apenas uma semente, porém isso vai depender de paciente para paciente, levando em consideração idade, peso e comorbidades.
Os sintomas ocorrem após 20-40 minutos após a ingesta. São eles: náuseas, vômitos, cólicas abdominais violentas, tenesmo e diarreia, evoluído para sede intensa, secura nas mucosas, letargia e desorientação.
Sintomas graves
Nos casos mais graves: desidratação acentuada, dilatação das pupilas (midríase), taquicardia, taquipnéia, respiração irregular, cianose e aumento da temperatura corporal (hipertermia). A diarreia intensa pode levar a distúrbios hidroeletrolíticos graves, comprometimentos dos rins e alteração na condução cardíaca por perda de ions com o sódio e o potássio, essenciais na homeostase (equilibrio) do organismo.
Quadros neurológicos compreendendo câimbras nos músculos dos membros, parestesias, sensação de formigamento, cefaléia e hiporreflexia, também são descritos. Lesões renais são observadas, geralmente como conseqüência dos graves distúrbios hidroeletrolíticos. Lesões irritativas em lábios e boca podem ocorrer devido às simples mastigação do caroço da semente. Não existe no Brasil nenhum produto registrado contendo a espécie Aleurites moluccanus.
Assim, os produtos que estão sendo divulgados em sites na internet encontram-se irregulares e não devem ser utilizados. Em um estudo realizado na Argentina, após a avaliação botânica de todas as espécies que eram divulgadas na internet como “Noz da Índia” (Aleurites moluccana), descobriu- se que eram na verdade Thevetia peruviana (Nome popular: Chapéu de Napoleão).
As sementes dessa planta quando ingeridas, são altamente tóxicas por possuírem grandes concentrações de glicosídeos cardiotônicos, estando proibido o seu uso em diversos países, como México, Austrália e Argentina.
O fato de o paciente perder peso não significa que está emagrecendo. Pelo contrário, está perdendo conteúdo importante para o organismo vivo, como água e eletrólitos. Os produtos “naturais” para emagrecer podem trazer diversos riscos à saúde e intoxicações graves, sendo CONTRAINDICADO o seu USO.
Fontes sobre a noz- da- Índia: O Estado de S. Paulo